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Uma celebração de fé, humanidade e esperança na Cidadela da Caridade

“A Providência acontece quando permitimos que Deus passe através de nós.”

Notícias

11.10.2025 15:39:42 | 6 minutos de leitura

Uma celebração de fé, humanidade e esperança na Cidadela da Caridade

No dia 8 de outubro de 2025, data em que a Igreja celebra o nascimento de São João Calábria, fundador da Obra dos Pobres Servos e Pobres Servas da Divina Providência, a Cittadella della Carità, em Negrar (Itália), foi marcada por um momento de intensa espiritualidade e reflexão. A celebração reuniu colaboradores, religiosos e fiéis para recordar o legado de amor e confiança total na Providência deixado pelo santo veronês.

Durante a Santa Missa, o Casante da Congregação, Pe. Massimiliano Parrella, proferiu uma homilia de rara sensibilidade e profundidade, intitulada “Providência e Cuidado”. Suas palavras ressoaram como um verdadeiro hino à fé encarnada na vida cotidiana — aquela que se manifesta concretamente no serviço, na escuta e na ternura com que se cuida dos mais frágeis.

O sacerdote recordou que, na Cidadela da Caridade, a Providência “não é uma palavra abstrata, mas uma prática”. E destacou que Deus fala através da linguagem do cuidado, presente nos profissionais que servem à vida com competência e compaixão, na dedicação silenciosa dos que sofrem, e nas mãos que se fazem instrumentos da presença divina.

Para Pe. Parrella, “curar é importante, mas cuidar é ainda maior”, porque o cuidado ultrapassa o aspecto técnico e alcança o coração humano, onde a fragilidade se torna lugar de revelação da vida. Ele convidou todos a compreender que a fé e a ciência não se opõem, mas se completam, devolvendo à prática profissional uma dimensão espiritual e ética indispensável.

“A Providência não é o que acontece quando Deus intervém em nosso lugar”, afirmou o Casante, “mas o que acontece quando permitimos que Deus passe através de nós.”

O ambiente hospitalar, segundo o Casante, torna-se assim um verdadeiro sinal de civilização, onde a competência encontra a compaixão e onde a fé inspira a ação concreta em favor da vida.

A celebração foi também um convite à gratidão e à esperança: a vida, mesmo quando não vence, nunca perde o seu sentido.

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Homilia na íntegra

Providência e Cuidado

Homilia do Casante
Pe. Massimiliano Parrella
Festa de São João Calábria – Cittadella della Carità – IRCCS Ospedale Sacro Cuore-Don Calabria, Negrar, 8 de outubro de 2025

São João Calábria escrevia:

“A Providência não se vê com os olhos, mas se toca com a confiança e se constrói com as mãos.”

São palavras simples, mas que descrevem com precisão o que acontece aqui todos os dias.
Porque, nesta Cidadela da Caridade, a Providência não é uma palavra abstrata: é uma prática.

Ela está nos turnos da noite, nos corredores, nos silêncios, nas mãos que cuidam, nos rostos que resistem.
Está na maneira como a vida é levada a sério, dia após dia, mesmo quando pesa.

Aqui, Deus não fala do céu. Ele fala na linguagem do cuidado.

Fala por meio da competência, da pesquisa, da responsabilidade e daquela misteriosa humanidade que atravessa cada gesto de quem se coloca a serviço da vida do outro.

Quem trabalha aqui sabe que a saúde não é apenas um conjunto de parâmetros.
É um equilíbrio delicado, uma história complexa, um caminho partilhado.

Curar é importante — mas cuidar é ainda maior.

Porque cuidar é olhar o outro não apenas como um paciente, mas como uma pessoa;
é reconhecer que a fragilidade não é uma culpa, mas um lugar onde a vida se revela verdadeira.

O Evangelho — que hoje não queremos explicar, mas deixar respirar — nos recorda que nem tudo depende de nós.
E, no entanto, aquilo que depende de nós é imenso.

Deus não nos pede que façamos milagres, mas que sejamos fiéis.
Não que dominemos a vida, mas que a sirvamos.

E o serviço à vida — aqui — se faz com inteligência, rigor, sacrifício, mas também com escuta e presença.

São João Calábria era um homem concreto: não um sonhador ingênuo, mas um realista da esperança.

Ele sabia que a Providência não é uma alternativa à responsabilidade, mas o seu fôlego.
Não é “deixar Deus fazer”, mas “deixar Deus entrar”.

E Deus entra quando a competência se torna compaixão,
quando a técnica se deixa habitar pela ternura,
quando a eficiência não apaga a gentileza.

A filósofa francesa Simone Weil dizia que a atenção é a forma mais rara e mais pura da generosidade.

Vocês vivem da atenção:
atenção ao detalhe clínico, mas também ao medo nos olhos de quem sofre;
à fadiga do colega, ao limite que pede respeito.

Essa atenção é a forma mais elevada de amor profissional:
não se ensina nos manuais, mas se aprende vivendo ao lado da dor.

É por isso que este hospital não é apenas um lugar de cuidado, mas um sinal de civilização.
Porque mantém unidos elementos que a sociedade tende a separar:
a competência e a compaixão, a ciência e a caridade, a precisão e a ternura.

O Evangelho, hoje, não pede que deixemos de nos preocupar,
mas que demos à preocupação um rosto humano.

Que a transformemos em atenção, em dedicação,
nessa forma inteligente de cuidado que une saber e amor.

Porque a fé não diminui a profissionalidade — ela lhe devolve uma alma.

São João Calábria não lhes pediria que falassem de Deus,
mas que lhe dessem espaço.

E o espaço de Deus, hoje, são as vossas mãos:
mãos que operam, que escrevem, que acariciam, que levantam.
São as mãos que traduzem em carne a palavra Providência.

Não é uma tarefa leve.
Há dias em que o cansaço é demasiado, em que o bem parece invisível.
Mas é justamente ali, onde a força termina, que começa a grandeza da vossa vocação:
continuar acreditando que a vida sempre merece ser defendida.

E talvez hoje, na festa de São João Calábria, possamos dizer assim:
a Providência não é o que acontece quando Deus intervém em nosso lugar,
mas o que acontece quando permitimos que Deus passe através de nós.

E então, sim — em cada gesto de cuidado,
em cada decisão honesta,
em cada paciência silenciosa — Deus passa.

E a vida, mesmo quando não vence,
nunca perde o seu sentido.

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