Solenidade de Corpus Christi
Louvado seja o Santíssimo Sacramento do Altar! Para sempre seja louvado!
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16.06.2025 07:00:00 | 5 minutos de leitura

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp
A Igreja nos convida a adorar com profundo júbilo o mistério central de nossa fé: a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Celebramos a Solenidade de Corpus Christi, o “Corpo de Cristo”, festa que proclama publicamente aquilo que vivemos com fé em cada Santa Missa: que o Senhor está verdadeiramente presente no Pão consagrado, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
A origem desta solenidade remonta ao século XIII e tem início com uma alma simples e fervorosa: Santa Juliana de Cornillon, uma freira belga, profundamente devota da Eucaristia. Em oração, ela recebeu visões místicas de Jesus, que lhe pedia uma festa especial no calendário litúrgico, para honrar de modo solene o Sacramento do seu Corpo e Sangue. Pouco tempo depois, Deus confirmou esse pedido com um sinal extraordinário: em 1263, um sacerdote, assolado por dúvidas sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, celebrava a Missa na cidade de Bolsena, na Itália. No momento da consagração, a Hóstia Sagrada começou a sangrar, manchando o corporal e o altar. Era o próprio Cristo, revelando-se como o Deus vivo, presente no Santíssimo Sacramento. O então Papa Urbano IV, que estava próximo dali, em Orvieto, recebeu o corporal manchado de sangue e, profundamente tocado, no ano seguinte, em 1264, instituiu a festa de Corpus Christi para toda a Igreja.
Para nossa meditação neste dia sagrado, somos conduzidos pela Sequência Litúrgica composta por Santo Tomás de Aquino, doutor da Igreja e mestre da Eucaristia. Com palavras inspiradas, ele nos ensina a contemplar o Mistério com reverência e amor.
“Terra, exulta de alegria, louva teu Pastor e Guia. Com teus hinos, tua voz” Toda a criação é convocada a exultar de alegria e louvar Jesus Cristo, o Bom Pastor e Guia da Igreja. A terra inteira é chamada a dobrar os joelhos diante daquele que se fez alimento para seus filhos. A Eucaristia é motivo de exultação universal.
“Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede teu louvor” Este é um convite à ousadia espiritual. Por mais elevados que sejam nossos louvores, nunca estarão à altura da grandeza do Mistério Eucarístico. A mente humana não pode compreender plenamente; mas o coração, pela fé, pode adorar. Louvemos, mesmo sem entender, porque crer é já um modo de tocar o invisível.
“Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida, vem com ela celebrar” A Mãe Igreja chama seus filhos à mesa do Senhor. O “Pão Vivo descido do céu” (cf. Jo 6,51) é oferecido a nós como remédio de imortalidade. Santo Tomás o chama de “pão dos anjos”, alimento espiritual que fortalece os que peregrinam rumo à vida eterna.
“Este pão, que o mundo creia, por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu” A Eucaristia foi instituída por Cristo na Última Ceia. Ele, o Cordeiro de Deus, deu-se por alimento e mandou que essa memória fosse perpetuada: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). É este dom que a Igreja celebra, conserva e transmite com santa reverência.
“Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração” Celebrar a Eucaristia é experimentar a alegria do amor de Deus derramado. Quem comunga com fé, comunga o próprio amor. O altar é a escola do amor, a mesa da reconciliação, o lugar onde a Igreja se com Cristo.
“Quão solene a festa, o dia, que da santa Eucaristia nos recorda a instituição” Corpus Christi é memória viva, é anamnese, é tornar presente hoje o dom que Cristo nos fez. Cada Missa é um memorial salvífico, em que o sacrifício da cruz se atualiza de modo sacramental.
“Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a Páscoa dos judeus” Na Eucaristia, Cristo é o Rei da Nova Aliança, sacerdote eterno e vítima perfeita. Ele é, ao mesmo tempo, o que se oferece e aquele que oferece; é o altar, o cordeiro e o sumo sacerdote.
“Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo, foge à noite, chega a luz” As figuras do Antigo Testamento, como o maná no deserto, eram sinais de um mistério maior. A Eucaristia é a realidade plena prefigurada na antiga aliança. O que era sinal tornou-se presença viva.
“O que o Cristo fez na Ceia, manda a Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar” Ao celebrarmos a Santa Missa, obedecemos ao mandato do Senhor, e tocamos já, pela fé, a promessa do banquete eterno no céu.
“Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para a nossa salvação” Pão e vinho tornam-se o Corpo e o Sangue do Senhor. Este é o coração da fé católica: a transubstanciação, obra do Espírito Santo, que torna presente o próprio Cristo sob as aparências do pão e do vinho.
Queridos irmãos e irmãs, celebrar Corpus Christi é fazer um ato público de fé e amor ao Senhor que quis permanecer conosco. É proclamar ao mundo que Deus está conosco, não como ideia abstrata, mas como presença real e viva no altar. É dobrar os joelhos, não diante de um símbolo, mas diante do próprio Deus. Hoje, ao sairmos em procissão pelas ruas, levamos Cristo ao mundo. Mas mais ainda: é Cristo que quer caminhar entre nós, visitar nossas casas, tocar os corações feridos, iluminar os que estão na escuridão.
Louvado seja o Santíssimo Sacramento do Altar! Para sempre seja louvado! Amém.
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