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Solenidade da Santíssima Trindade

Deus não impõe sua luz de uma só vez — Ele nos conduz, passo a passo, de glória em glória, até que nossos olhos possam contemplar o esplendor da Trindade.

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12.06.2025 09:57:55 | 4 minutos de leitura

Solenidade da Santíssima Trindade

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

Mistério central da nossa fé: um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Como ouvimos na antífona de entrada: “Bendito seja Deus Pai e seu Filho Unigênito, com o Espírito Santo, porque mostrou-nos a sua misericórdia.” A Trindade é comunhão perfeita de amor, e este amor nos foi revelado de modo concreto por Jesus Cristo.

Na carta aos Romanos, São Paulo nos lembra que estamos em paz com Deus por meio de Jesus. Que alegria saber disso! Mas é uma alegria que precisa ser vivida: “Estou mesmo vivendo essa paz?” Muitas vezes, temos conhecimento dessa verdade, mas ela ainda não desceu ao coração. Pela fé, recebemos a graça da reconciliação e somos chamados a viver a esperança da glória de Deus.

No entanto, essa esperança não nasce do conforto. Pelo contrário, ela brota da experiência da tribulação vivida com fé. Como nos ensina São Paulo, a tribulação produz constância; a constância gera virtude provada; a virtude nos leva à esperança; e a esperança nos conduz ao amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Aqui temos um caminho espiritual: tribulação vivida na fé; constância que forma o caráter cristão; esperança que não decepciona; amor de Deus presente em nós.

Você está vivendo alguma tribulação? Talvez seja o tempo de transformar essa dor em oração, esse fardo em oferta, esse momento difícil em um degrau para a santidade. A presença do Espírito Santo em nós é o que torna tudo isso possível. Ele é o amor entre o Pai e o Filho, e agora esse amor habita em nós. O que o Espírito Santo está realizando em sua vida?

São Gregório de Nazianzo (329 - 389) oferece uma belíssima chave de leitura para compreendermos como Deus se revelou a nós progressivamente: “O Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai, mais obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho, fez entrever a divindade do Espírito. Agora o Espírito tem direito de cidadania entre nós e nos concede uma visão mais clara de si mesmo”. Percebemos, assim, que a revelação da Trindade foi feita com pedagogia divina, respeitando a capacidade humana de acolher o mistério. Deus não impõe sua luz de uma só vez — Ele nos conduz, passo a passo, de glória em glória, como diz o texto, até que nossos olhos possam contemplar com mais clareza o esplendor da Trindade.

Não era prudente — como explica São Gregório com ousadia — apresentar ao povo, de imediato, a divindade do Filho e do Espírito quando ainda se estava aprendendo a reconhecer o único Deus verdadeiro. Era necessário preparar os corações, ensinar o povo a confiar no Pai, para depois reconhecer o Filho que veio em carne, e por fim acolher a presença invisível, mas viva, do Espírito Santo. Hoje, com o dom da fé e a tradição viva da Igreja, somos capazes de ver com mais nitidez esse mistério que antes era envolto em sombras. 

Portanto, celebrar a Trindade é renovar nossa entrega ao amor de Deus que nos criou (o Pai), nos salvou (o Filho) e nos santifica (o Espírito). É viver em comunhão com esse Deus que é comunhão de amor. E é permitir que, mesmo nas tribulações, o Espírito nos conduza à esperança e à caridade, transformando nossa vida numa imagem viva do Deus Trindade. Amém.

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