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Servos por Amor

Não é o tamanho das obras que nos torna santos, mas o amor e a humildade com que servimos ao Senhor.

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04.10.2025 07:55:23 | 5 minutos de leitura

Servos por Amor

27º Domingo do Tempo Comum

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp.

O Evangelho nos convida a refletir sobre nossa humildade e nossa fidelidade ao Senhor, lembrando que o serviço cristão não se mede pelo reconhecimento humano, mas pelo amor com que realizamos cada ação. O Senhor nos chama a refletir profundamente sobre nossa vida cristã, sobre nosso serviço a Deus e ao próximo. Somos apresentados as palavras fortes de Jesus: “Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer’” (Lc 17,10).

Ao ouvir isso, talvez nos sintamos desconcertados. Como assim, Senhor? Fomos chamados a servir, a fazer o bem, a viver o Evangelho, e ainda assim nos consideramos inúteis? Essa não é uma afirmação de desânimo, mas de humildade radical, a humildade do coração que reconhece que todo o bem que fazemos vem da graça de Deus e não de nossa própria grandeza.

Quantas vezes nos enganamos pensando que nossas boas obras nos garantem aplausos ou reconhecimento? Quantas vezes servimos a Deus apenas esperando que outros notem nosso esforço? O Evangelho de hoje nos convida a olhar para dentro, a descobrir se estamos servindo por amor ou por vaidade, se buscamos a glória de Deus ou a nossa própria.

As leituras nos ajudam a compreender melhor essa mensagem. Habacuc, na 1ª leitura, nos mostra um profeta perplexo diante das injustiças do mundo. Ele clama a Deus: “Por que me fazes ver a iniquidade e permaneces em silêncio?” Mas Deus responde: “O justo viverá pela fé”. Aqui encontramos a chave para a nossa vida: a fé. A fé nos ensina a confiar, mesmo quando não vemos os frutos do nosso serviço, mesmo quando o mal parece prevalecer. A fé nos ensina a permanecer firmes, porque tudo o que fazemos com amor a Deus tem valor.

São Paulo, na 2ª leitura, nos exorta a reavivar o dom de Deus que recebemos, a viver nossa vocação com coragem e fidelidade. Quantos dons Deus nos confiou? Nossos talentos, nossa fé, nossas responsabilidades familiares e comunitárias? Estamos utilizando esses dons para construir o Reino ou os estamos escondendo por medo, preguiça ou vaidade?

Cada gesto de amor, cada palavra de paciência, cada ato de serviço tem um valor incalculável diante de Deus. Mas Ele nos pede humildade e fé, para que não nos consideremos merecedores, mas apenas servos que cumprem o que devem.

Aqui, como nos lembra Santo Tomás de Aquino, “O homem não é mais perfeito por fazer grandes coisas, mas por fazer com grande amor as pequenas coisas” (Suma Teológica II-II, q. 23, a. 1). Que belo convite à conversão! Quantas vezes subestimamos nossos atos diários, pensando que apenas as grandes realizações valem? Deus nos ensina que, quando feitos com amor e fidelidade, até os gestos mais simples se tornam instrumentos de graça; não por mérito próprio, mas pela força do Espírito Santo que age em nós.

Irmãos, pergunto a vocês e a mim mesmo: estamos vivendo nossa fé com coragem ou apenas por conveniência? Servimos ao Senhor ou buscamos nossa própria glória? Nossos filhos, nossas famílias, nossas comunidades veem em nós exemplos de humildade e serviço desinteressado? Que estas perguntas nos levem a examinar nossa vida e a nos comprometer a servir com humildade e amor.

A oração da coleta deste domingo nos ajuda a abrir o coração: “Deus eterno e todo-poderoso, que no vosso imenso amor de Pai nos concedeis mais do que merecemos e pedimos, infundi em nós vossa misericórdia, para perdoar o que nos pesa na consciência e para nos dar mais do que a oração ousa pedir.” Essa oração nos recorda que somos sempre dependentes da graça de Deus. Nenhum esforço humano é suficiente; tudo o que fazemos com amor é fruto da misericórdia que recebemos.

Portanto, irmãos e irmãs, a lição é clara: viver como servos fiéis não é buscar reconhecimento, mas amar e obedecer ao Senhor, mesmo nas pequenas coisas, mesmo quando ninguém vê. Cada gesto de caridade, cada palavra de paciência, cada momento de oração e silêncio, cada escolha pelo bem é uma oportunidade de nos aproximarmos de Deus. 

Que a reflexão de hoje nos leve à conversão: a abandonar o orgulho, a vaidade e a preguiça espiritual; a reconhecer nossos limites e, ao mesmo tempo, confiar na graça de Deus para fazer o que nos foi confiado. Que possamos, no final de cada dia, repetir com humildade: “Senhor, fiz apenas o que devia fazer”, conscientes de que toda glória pertence a Deus.

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