São João Calábria: vida que inspira vidas – relato do Ir. Sergio Tomasel
Na Missa de beatificação, Ir. Sergio foi escolhido para entregar uma das ofertas ao Papa João Paulo II.
Testemunhos
15.04.2024 07:00:00 | 7 minutos de leitura

Hoje, compartilhamos a história do Ir. Sergio Tomasel, religioso Pobres Servos, que há 47 anos dedica sua vida ao serviço dos outros. O Ir. Sergio gentilmente nos concedeu um breve relato de sua jornada vocacional, destacando os momentos marcantes que o levaram a abraçar o carisma calabriano.
Sua jornada começou há décadas, quando foi convidado a se juntar à Congregação por meio de um simples convite. Após a Profissão Religiosa, foi enviado em missão para o Uruguai, onde começou a viver plenamente sua vocação. No entanto, um dos momentos mais significativos de sua trajetória ocorreu enquanto estava em missão na Argentina, durante a beatificação do Padre Calábria, em Verona, na Itália.
Ir. Sergio teve a honra de ser selecionado para participar desse momento divino, e sua emoção atingiu o ápice quando foi escolhido para entregar uma das ofertas ao Papa João Paulo II. Esse encontro com o Santo Padre permanece como um dos momentos mais memoráveis e emocionantes de sua vida.
Ao longo de sua missão dedicada aos mais necessitados, o Ir. Sergio sempre encontrou conforto na certeza da presença amorosa e providente de Deus Pai.
Acompanhemos seu relato:
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Em 1967, aos apenas 10 anos, tive meu primeiro encontro com os Pobres Servos da Divina Providência. Padre Gino Gatto foi o primeiro a me receber, seguido pelos Padres Pedro e Nello. Eles me convidaram para participar de um encontro vocacional de uma semana no Seminário de Farroupilha. Na época, pensei que fosse apenas um "encontro com a bola", uma oportunidade para brincar. Na inocência infantil, sem compreender totalmente o significado daquele convite ou o impacto que teria em minha vida, aceitei. Era algo novo e diferente, e gradualmente fui me interessando mais pela experiência. Após o encontro vocacional e alguns exames, fui informado de que havia sido aceito e poderia retornar para estudar no Seminário.
No mesmo ano, em 22 de fevereiro, no dia do meu aniversário, fui surpreendido por abraços, felicitações, aplausos, sorrisos, presentes e muito carinho. Foi uma experiência realmente nova para mim. Experimentei algo bom, gostei e logo comecei a entender esses gestos como algo verdadeiramente belo. Seria amor?
Os dias passaram e com os padres e irmãos fomos aprendendo mais sobre eles. Descobrimos que eles vinham da Itália e eram filhos de um padre que amava profundamente as pessoas, especialmente os mais pobres. Eles também vinham de famílias humildes, e esse padre havia falecido com a reputação de santidade. Seu nome era João Calábria. Segundo eles, todos nós poderíamos um dia conhecê-lo e também fazer parte de sua "equipe". Foi assim que compreendi a razão de estar naquela casa. E o que mais me impactou em relação aos primeiros Calabrianos, sem dúvida, foi a dedicação ao amor e ao sacrifício, inspirados pelo carisma transmitido de pai para filhos, para os primeiros religiosos, aqueles que vieram antes de nós.
Em 1977, aos 20 anos, fiz minha Primeira Profissão Religiosa. Sem conhecer muito a figura do fundador e também a importância de abraçar a Família Calabriana, igualmente professava meu primeiro SIM à Vida Religiosa, na Congregação Pobres Servos da Divina Providência.
Uma semana depois, embarquei para uma missão, no Seminário interdiocesano de Florida, no Uruguai. No início, não conseguia entender o sentido daquela missão. Com o tempo, dialogando com os superiores, Padres Fermim e Odorico, e observando seu modo de viver o carisma, fui entendendo os ensinamentos que o mestre ensinou. Aquilo que São João Calábria sonhou, que trabalhássemos pelas vocações, não só para a Congregação, mas para a Igreja toda. Então, ficou perfeito o nome “Intercongregacional”, vocações para a Igreja.
Passados alguns anos, constituiu-se a Delegação Maria Imaculada, com religiosos italianos, brasileiros, uruguaios e argentinos, com sede em Buenos Aires. E para lá eu fui e vivi por onze anos. Quando recebemos a notícia de que João Calábria seria beatificado, ficamos muito felizes. Naquele tempo, ainda não conseguíamos entender quanta importância ganharia no mundo o nosso fundador. Padre Calábria não seria apenas "propriedade" particular da nossa Família Calabriana, e sim, um santo para a humanidade inteira. "A pedra que havia sido descartada, (sobretudo por suas dificuldades nos estudos), virou modelo a seguir por suas virtudes heróicas, proclamado no dia da Beatificação pelo Papa João Paulo II, que dizia: "Calábria, campeão de caridade evangélica".
Entre o que eu vivia, pensava nas ações, palavras, caridade, santidade, providência, junto a tantas outras. Isso tudo foi transformando a minha vida.
Conhecida a notícia da beatificação, logo vieram os questionamentos: "Quem de nós teria a graça de estar lá? Os superiores, os mais velhos, quem?" Alguns foram escolhidos pelos anos de vida religiosa, e por isso eu também entrei e agradeci muito a Deus por isso.
Esta escolha permitiu que eu fosse pela primeira vez à Itália, visitar a Casa Mãe, encontrar os irmãos que haviam dado tudo de si para que muitos de nós tivéssemos a graça de entrar na história da Congregação. Foi difícil externar em palavras tanta emoção e experiências de vida. O acolhimento, o aperto de mãos, o sorriso estampado no rosto, não necessitavam de palavras para explicar a jubilosa euforia pelo momento histórico da Congregação. Eles, religiosos mais "cascudos" abraçando pequenos "índios promissores" vindos de terras distantes. Essa experiência eu vivi, com ela cresci e como dizia antes; experiência de vida intensa é difícil expressá-la, experiências assim se vivem.
Dias antes da Beatificação, eu andava pelas ruas de Verona, visitando lugares Calabrianos e sentia como Verona inteira celebrava Calábria. San Zeno, "terra santa e benedetta", a casa mãe, minha máquina fotográfica sempre pronta. Dois olhos eram insuficientes para registrar tudo e um dia revelar aos outros, tanta emoção! Certo dia, um padre muito amigo me parou e disse afetuosamente: "Não te preocupes com fotografar, procura ver com os olhos e gravar com o coração". Aquela foi uma grande lição e só com o tempo consegui compreender. Continuei no "clic, clic foto", sem parar. Logo, falou-me de modo elegante: “essa tarde preciso falar contigo”. “Oh meu Deus, o que fiz de errado", pensei. À tarde, lembrei-me bem, pronunciando meu nome falou: você e a irmã Jandira, levarão uma das ofertas para entregar ao papa na missa de Beatificação no estádio Bentegodi.
Daquele momento em diante, tudo começou a mudar, a química do meu corpo também mudou. O que direi ao papa? Que roupas vou vestir? Milhões de pessoas assistindo. Pensamentos vaidosos e materiais mexiam comigo! E graças a Deus, não faltou o anjo espiritual para ajudar a elevar mente e coração, passando do plano material e baixo ao plano superior, dando lugar ao espírito. Certamente, tudo o que Padre Calábria queria era tocar minha alma, minha mente, meu coração, queria de mim a perseverança, a fidelidade a Deus, minha doação generosa, minha santidade. O Papa, seria somente uma consequência da providência que não podia esconder. O sonho de sempre tornava-se agora uma realidade. Chegar perto do Papa era alcançar o pódio mais alto imaginado. E ao me aproximar, tremendo, quase caindo, ajoelhei diante o Papa e sua mão esquerda tomou a minha mão direita, sem deixar que eu terminasse a frase que havia decorado: "Aqui estou representando os jovens religiosos da Congregação da Argentina". Quando senti sua Mão direita tocando minha face como para secar as lágrimas, "emoção maior não há"... que doar a própria vida. Depois daquele momento, que me pareceu uma eternidade, tudo ao redor ficou escuro, ainda hoje não consigo entender como fiz para descer as escadas e chegar até a plateia. E ainda hoje, é viva a lembrança daquele encontro, mesmo tendo passado 47 anos. Em cada dificuldade aparece um anjo para ajudar, uma luz forte a me guiar, uma voz para recordar as seguintes palavras: "Sérgio, não olhe para trás, segue em frente...".
Ir. Sergio Tomasel




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