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SER DOADOR TAMBÉM É UM ATO DE AMOR

Fale com sua família!

Artigos

25.09.2025 07:00:00 | 3 minutos de leitura

SER DOADOR TAMBÉM É UM ATO DE AMOR

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

Um gesto de amor no Jubileu 2025

Neste Jubileu Ordinário, ao vivermos como “peregrinos da esperança”, somos chamados a reconhecer a força do amor que sustenta a esperança e cura as feridas da humanidade (Spes non confundit, n. 4).

A doação de órgãos é um gesto concreto de misericórdia e solidariedade, expressão autêntica de amor ao próximo. Ao decidir tornar-se doador, cada pessoa manifesta o compromisso de oferecer parte de si para salvar vidas — um verdadeiro testemunho de fé e serviço à vida.

A importância da conversa com a família

Um dos principais fatores que limita a doação de órgãos é a baixa taxa de autorização familiar. Em 2024, apenas 55% das famílias autorizaram a doação após o diagnóstico de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória.

Por isso, a doação envolve dois aspectos essenciais:

1. Procedimentos médicos – relacionados à doação em vida ou após a morte.

2. Diálogo familiar – a família precisa conhecer e respeitar o desejo do doador.

No Brasil, a doação só pode ser realizada com autorização familiar. Em outros países, como França e Holanda, a doação após a morte é automática. Ter informações claras e conversar com a família ajuda a tomar decisões conscientes em momentos de dor.

Divulgação e conscientização

A falta de informação ainda é um desafio. O Dia Nacional da Doação de Órgãos, em 27 de setembro, é uma oportunidade para conscientizar, esclarecer dúvidas e incentivar a prática da doação. Inserir o tema no cotidiano escolar, em faculdades de medicina e em rodas de conversa amplia a compreensão sobre o que significa ser doador e aumenta as chances de salvar vidas.

Contexto brasileiro de doação e transplantes

O Brasil é referência mundial em transplantes, com o maior sistema público do mundo. Cerca de 96% dos procedimentos são realizados pelo SUS, com assistência integral e gratuita a pacientes, incluindo exames, cirurgias, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), desde 1986, promove:

• Desenvolvimento de atividades relacionadas a transplantes;
• Conexão entre profissionais e entidades;
• Criação e aperfeiçoamento de legislação;
• Centros de doação e bancos de órgãos;
• Pesquisa e difusão de conhecimento;
• Eventos científicos;
• Conscientização pública e ética profissional;
• Intercâmbio com sociedades congêneres.

Não existe mercado negro de órgãos, e todas as religiões reconhecem a doação como ato de caridade e amor ao próximo. O procedimento cirúrgico preserva o corpo, permitindo o velório normal.

Convite à ação

O amor deve habitar em cada um de nós, sem prazo de validade. Nossos órgãos e tecidos podem salvar vidas se colocados a serviço do outro. Valorize a vida, não só a sua, mas a do seu irmão. Converse com sua família e manifeste seu desejo de ser doador. Seja um doador!


Fontes:
1. Ministério da Saúde. Doação de órgãos. Disponível em: http://saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-orgaos. Acesso em: 05/09/2025.
2. ABTO – Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Disponível em: https://site.abto.org.br/instituicao/proposito/. Acesso em: 05/09/2025.

LEIA TAMBÉM:

- Doador de órgãos: por que não sou um?

- Ser ou não ser um doador de órgãos? 

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