Semana de Oração pela Unidade Cristã 2025
“Crês nisso?” (Jo 11,26): fé que une, esperança que restaura
Artigos
03.06.2025 17:19:46 | 5 minutos de leitura

Uma semana para clamar aos céus
Entre os dias 1º e 8 de junho de 2025, as Igrejas do Brasil se unem em oração pela unidade dos cristãos, preparando-se para celebrar a Solenidade de Pentecostes. A Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) é um tempo especial de súplica ao Espírito Santo, invocando a graça da reconciliação entre todos os que professam o nome de Jesus Cristo como Senhor.
Neste ano, o tema que nos guia é profundamente provocador: “Crês nisso?” (Jo 11,26). Trata-se da pergunta feita por Jesus a Marta, no episódio da ressurreição de Lázaro. Uma pergunta que não apenas desafia nossa fé pessoal, mas também nos leva a questionar o conteúdo e o alcance da nossa fé comum como cristãos: em que Cristo cremos? Em um Salvador que nos une ou em uma fé que justifica as divisões?
O clamor de Cristo: que todos sejam um
No coração dessa semana ressoa, de maneira intensa, o grande desejo de Jesus: “Que todos sejam um” (Jo 17,21). Este anseio não é apenas uma expressão devocional, mas uma exigência evangélica e uma urgência pastoral.
São João Calábria, com a alma inflamada pelo amor à Igreja, viveu e testemunhou essa aspiração. Em uma de suas cartas, escrita diante do Crucifixo, ele afirmava sentir, do lado aberto de Cristo, um grito que ecoava mais forte do que nunca: “Ut omnes unum sint!”. Para ele, a unidade dos cristãos era um sonho possível, fruto de oração intensa, testemunho de vida santa, caridade e justiça. Ele nos convida a viver essa semana como um tempo de graça, para que o retorno dos irmãos separados não seja apenas um ideal, mas uma realidade que glorifique a Deus e fortaleça o Corpo de Cristo.
A pergunta de Jesus a Marta: desafio para hoje
O tema da SOUC 2025 — “Crês nisso?” — nos transporta para a cena do Evangelho segundo João. Marta, em luto pela morte do irmão, declara sua fé em Jesus. No entanto, Jesus a conduz a uma fé mais profunda, mais pessoal, mais comprometida: "Eu sou a ressurreição e a vida [...] Crês nisso?"
Essa pergunta, escolhida pelo grupo internacional que elaborou os subsídios da Semana, nos convida a examinar a fé que professamos:
– Cremos em um Jesus que se compadece da dor humana ou num Cristo distante?
– Nosso Jesus é fonte de unidade e esperança para os pobres e excluídos, ou um símbolo de privilégios e meritocracia?
Crer, no sentido mais profundo, é entregar-se plenamente ao Cristo da vida, da cruz e da ressurreição — um Cristo que nos chama à unidade verdadeira.
1.700 anos do Concílio de Nicéia: fé comum, caminhos diversos
A SOUC 2025 também recorda um marco histórico importante: os 1.700 anos do Concílio Ecumênico de Nicéia, realizado em 325 d.C. Convocado pelo imperador romano Constantino, o Concílio reuniu mais de 300 bispos de diversas regiões para buscar unidade doutrinária e resolver controvérsias sobre a natureza de Cristo.
Apesar do contexto político que motivou sua realização, Nicéia foi fundamental para a formulação da fé cristã que ainda hoje nos une:
– Afirmou que Jesus é da mesma substância do Pai, plenamente divino;
– Rejeitou os ensinamentos de Ário, que negavam a divindade plena de Cristo;
– Estabeleceu o Credo Niceno, base para a doutrina trinitária e para a liturgia das Igrejas até hoje;
– Unificou a celebração da Páscoa, símbolo central da nossa fé comum.
Celebrar os 1700 anos deste Concílio é, portanto, recordar que nossa fé tem raízes comuns. Mesmo com tantas divisões ao longo da história, o núcleo da fé cristã permanece: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Senhor da vida e da história.
Confessar a mesma fé, buscar a mesma unidade
A pergunta “Crês nisso?” ressoa ao longo da história, desde as primeiras comunidades cristãs, passando pelas grandes formulações doutrinais e chegando hoje às nossas igrejas, muitas vezes marcadas por separações, incompreensões e julgamentos.
Mas também hoje essa pergunta pode ser resposta de forma nova, viva, comunitária. Podemos renovar nossa fé em Jesus Cristo ressuscitado, aproximando-nos uns dos outros com humildade, reconhecendo a presença do Espírito nas diversas tradições eclesiais.
Como afirmava São João Calábria, “a oração é o incenso que sobe ao trono de Deus e volta em forma de bênçãos”. Rezemos, com fé ardente, para que se cumpra o desejo de Jesus, e que possamos, com palavras e atitudes, testemunhar ao mundo que a unidade entre os cristãos não é utopia, mas profecia do Reino de Deus.
Que esta Semana de Oração reacenda em nós o desejo sincero da comunhão e nos prepare para celebrar o Pentecostes como um novo sopro de unidade, amor e esperança.
“Crês nisso?” – Que esta pergunta se transforme em clamor, compromisso e caminho!
Setor Comunicação!
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