Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando você concorda com a nossa política de privacidade
Aceitar Cookies
Recusar Cookies
 
 

São Francisco de Assis, fundador da Ordem Franciscana e padroeiro da Itália

São Francisco de Assis continua a ecoar no coração da Igreja e da humanidade como sinal de esperança, fraternidade e paz.

Artigos

04.10.2025 08:12:43 | 6 minutos de leitura

São Francisco de Assis, fundador da Ordem Franciscana e padroeiro da Itália

No dia 4 de outubro, a Igreja celebra a memória de São Francisco de Assis, um dos santos mais populares da cristandade, cuja vida simples, alegre e profundamente evangélica continua a inspirar milhões de pessoas no mundo inteiro. Conhecido como o “Pobrezinho de Assis”, ele é lembrado como o santo da paz, da pobreza, da fraternidade e da criação, patrono dos animais e padroeiro principal da Itália.

Origens e juventude

Francisco nasceu entre 1181 e 1182, em Assis, na Úmbria (Itália). Filho de Pietro Bernardone, rico comerciante de tecidos, e de Dona Pica, mulher de origem nobre provençal, foi batizado com o nome de Giovanni (João). Contudo, após uma viagem à França, seu pai decidiu chamá-lo de Francesco, em homenagem àquela terra.

De temperamento alegre, expansivo e sonhador, Francisco cresceu entre a riqueza da família e os atrativos da vida mundana. Como muitos jovens de sua época, alimentava ideais de glória militar e buscava conquistar títulos de nobreza. Entre 1201 e 1205, envolveu-se em batalhas locais e até mesmo se dispôs a lutar a serviço da Igreja, mas uma grave doença e uma experiência interior profunda transformaram radicalmente sua vida.

A voz de Deus e a conversão

Em Espoleto, impedido pela febre de seguir viagem, ouviu em sonho uma voz que lhe perguntava: 
“Francisco, quem é mais importante: o Senhor ou o servo?”
A partir daquele momento, começou uma busca espiritual intensa.

Em Roma, em 1205, vivendo um gesto radical, trocou suas roupas nobres com as de um mendigo e experimentou a pobreza. Pouco depois, um episódio marcante mudou sua vida: ao encontrar um leproso, superou o nojo natural e, tocado pela graça, deu-lhe esmola e o beijou. Ele mesmo recordaria: “O que antes me era amargo, mudou-se em doçura da alma e do corpo”.

Na capela de São Damião, em Assis, rezando diante do crucifixo bizantino, ouviu claramente a voz do Senhor:
“Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que, como vês, está em ruínas”.

O rompimento com a família

Ao renunciar à herança paterna, Francisco se apresentou diante do bispo de Assis e, despojando-se de tudo, declarou:
“Até agora chamei Pietro Bernardone de pai. De agora em diante, direi: Pai Nosso que estais no céu”.

Livre de todos os bens terrenos, abraçou radicalmente a pobreza evangélica, passando a viver entre os pobres e dedicando-se à oração, ao cuidado dos leprosos e à restauração de pequenas capelas abandonadas.

Vivendo o Evangelho

Certo dia, ao ouvir o Evangelho na missa — “Nada leveis pelo caminho: nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas” (Lc 9,3) —, Francisco exclamou:
“É isto que eu quero! É isto que desejo de todo o coração!”

Decidiu, então, viver o Evangelho em sua radicalidade. Sua regra de vida era simples: “Nossa regra é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

O nascimento da Fraternidade

Embora não buscasse seguidores, logo atraiu companheiros que se sentiram tocados pelo seu testemunho. Bernardo de Quintaval e Pedro de Catânia foram os primeiros. Unidos, abriram o Evangelho em três passagens que resumiam seu ideal:

“Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres” (Mt 19,21);

“Nada leveis pelo caminho” (Lc 9,3);

“Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Assim nasceu a Fraternidade dos Irmãos Menores, oficialmente fundada em 1208.

Em 1209, Francisco e seus irmãos foram até o Papa Inocêncio III, que, impressionado com aquele jovem simples e cheio de ardor, reconheceu a autenticidade de sua missão e aprovou o modo de vida franciscano.

Clara e as Clarissas

O exemplo de Francisco inspirou também Santa Clara de Assis, jovem de família nobre, que, sob sua orientação, fundou a Ordem das Clarissas, dedicada à vida de oração, pobreza e contemplação. Mais tarde, nasceu também a Ordem Terceira, destinada aos leigos que desejavam viver o espírito franciscano no mundo.

Um “Alter Christus”

A vida de Francisco foi marcada por gestos proféticos: em 1223, em Greccio, organizou o primeiro presépio vivo da história, desejando contemplar o mistério da Encarnação.

Em 1224, no Monte Alverne, após intensa oração, recebeu os estigmas de Cristo, tornando-se o primeiro santo da Igreja a carregar em seu corpo as marcas da Paixão.

Seu famoso “Cântico do Irmão Sol” — obra-prima da literatura italiana — expressa sua alegria e reconciliação com toda a criação: irmãos sol, lua, estrelas, água, fogo e até a irmã morte.

Páscoa de Francisco

Enfraquecido pela doença, Francisco pediu para ser levado à Porciúncula, a pequena capela de Santa Maria dos Anjos, onde havia iniciado sua missão. Ali, no dia 3 de outubro de 1226, entregou serenamente sua vida, cantando e louvando a Deus.

Dois anos depois, em 16 de julho de 1228, foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Em 1939, o Papa Pio XII o declarou padroeiro principal da Itália. Hoje, é venerado como modelo de paz, pobreza, fraternidade e cuidado da Casa Comum.

Oração atribuída a São Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!
Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
É perdoando, que se é perdoado.
E é morrendo, que se vive para a vida eterna. Amém.

São Francisco de Assis continua a ecoar no coração da Igreja e da humanidade como sinal de esperança, fraternidade e paz. Seu testemunho permanece atual, inspirando-nos a viver com simplicidade, a cuidar dos pobres e a respeitar a criação como dom de Deus.

----

Acompanhe as Notícias da Congregação e da Igreja através do canal no WhatsApp!

Clique aqui e inscreva-se em nosso canal no WhatsApp para acompanhar as notícias da Delegação Nossa Senhora Aparecida e outras publicações sobre a Espiritualidade Calabriana e a Igreja.

Mais em Artigos
 

Copyright © Pobres Servos da Divina Providência.
Direitos reservados, acesse a política de privacidade.