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Quinto Domingo da Quaresma

Cristo não apenas visita os nossos túmulos — Ele entra neles, chama-nos pelo nome e nos restitui à vida. Onde tudo parecia perdido, Deus faz brotar a esperança. Quem crê, já começa a ressuscitar.

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20.03.2026 12:55:54 | 5 minutos de leitura

Quinto Domingo da Quaresma

Diác. Arão Tchitali Cachuco, psdp

“Ó meu povo”. No Antigo Testamento, o povo de Deus é o antigo Israel; no Novo Testamento, é a Igreja. “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas”. Aqui, o povo de Israel se encontrava no exilio da Babilônia. Deus promete trazer novamente o povo, da sepultura do exílio para a terra de Israel. Mas essa profecia vai se cumprir de verdade em Jesus:  “Meu povo, minha Igreja, vou abrir as vossas sepulturas, vou abrir a sepultura do teu pecado, vou abrir a sepultura do pecado do mundo; vou tirar-te da situação de escravidão e conduzir-vos para terra de Israel”. No Antigo Testamento, a Terra de Israel é a Palestina, Canaã. No Novo Testamento, a terra de Israel é coração de Cristo; a terra de Israel é o Céu. Qual é a sua sepultura atualmente? O que oprime você? Que entristece você e que pode até afastá-lo/a de Nosso Senhor?

No Evangelho deste quinto Domingo, Jesus nos coloca diante de um encontro com uma família de três irmãos: Marta, Maria e Lázaro. Essa história tem nome, ao contrário das outras duas que não tinham nome (a mulher Samaritana e o cego), lembrando que estamos no Evangelho de São João. São João é muito simbólico. O fato pode ter acontecido tal qual foi relatado, entretanto, ele se abre numa perspectiva que ganha vida e fala muito mais do que aquele acontecimento. Esses irmãos representam a comunidade cristã. A partir de agora, tudo se concentra em Jesus. Até ontem, sábado, as orações falavam da penitencia, do combate espiritual, da oração, do jejum. Partir do quinto Domingo, tudo se concentra em Cristo e na sua paixão. São João coloca o seu Evangelho numa disputa, uma arenga entre Jesus e os Judeus.  E os Judeus levam Jesus ao tribunal de Pilatos; o tribunal de Pilatos condena Jesus à morte, mas depois o Pai o ressuscita. Todas as leituras nos colocam no caminho de Jesus. O grande tema desse quinto Domingo da Quaresma é o passar da morte para a vida. Como? Pela força do Espirito Santo, o Espirito que nós recebemos do Batismo. 

Jesus é comunicado, mas demora dois dias para chegar... O tempo de Deus não é o nosso tempo, precisamos aprender a nos converter, deixar os nossos modos para abraçar o modo de Deus. Jesus diz: “O nosso amigo Lázaro dorme, mas eu vou acordá-lo”. Na Bíblia dormir é uma metáfora. Quando a Bíblia diz que os mortos dormem, não significa que eles estão dormindo de fato, mas que a morte não é definitiva, porque, quando estamos dormindo, despertamos. É por isso que os cristãos dão o nome de cemitério ao campo santo. “Cemitério” é uma Palavra grega que quer dizer “dormitório”. Os pagãos não chamavam de cemitério, chamavam de depósito: morri, sou depositado ali e ali fico. Os cristãos dizem “cemitério” porque nós despertaremos da morte; esse é o sentido.  Jesus chega lá, e é muito bonito, porque Marta corre, se queixa e reclama. É a queixa de todos nós diante da morte: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Senhor, por que demoraste? Se tivesses chegado antes, Senhor, se não tivesses demorado dois dias, meu irmão não teria morrido”. Marta faz essa queixa, mas confia no Senhor: “ Mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus ele te concederá”. 

E Jesus diz: “Teu irmão ressuscitará”. Marta era uma boa Judia e, como todo bom Judeu, Marta esperava que, no fim dos tempos, no último dia, quando o Messias viesse, Lázaro Iria ressuscitar. Muitos ainda pensam assim, que a gente só ressuscita no último dia. Isso é pensamento judeu e não de Cristão. E Jesus responde: “Eu sou a ressurreição”. Como se dissesse: Marta, a ressurreição não é alguma coisa; “E sou a ressurreição”. A ressurreição não é uma força, não é uma energia. “Eu sou a ressurreição, Eu sou a Vida”, diz Jesus. Quem crê em mim, quer dizer, quem for batizado em mim e recebeu o Espirito Santo, ainda que esteja morto, viverá. E quem vive com a vida que Eu der não morrerá jamais, não ficará na morte, não voltará a morrer; darei uma vida nova. “Crês nisto? ” E Marta diz: “Eu creio, Senhor. Eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus que deveria vir ao mundo”. Maria faz a mesma queixa e Jesus se comove. Jesus não se conforma com a morte e por isso nos ressuscita. Jesus chorou. Não nos criou para morte, mas para vida. 

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