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    Primeira Semana Santa na Guiné-Bissau: Uma Jornada de Fé e Esperança

    Padre Luciano compartilha a grandeza das ações realizadas pela Igreja Católica local, destacando o compromisso e a dedicação dos fiéis deste lugar.

    Notícias

    03.04.2024 09:15:12 | 5 minutos de leitura

    Primeira Semana Santa na Guiné-Bissau: Uma Jornada de Fé e Esperança

    A Congregação Pobres Servos da Divina Providência deu início à sua presença em Guiné-Bissau em fevereiro deste ano, marcando o início de uma nova fase de missão nesta terra. Os primeiros missionários da Congregação a pisarem esse solo foram o Padre Luciano Gervasoni, vindo do Brasil, e o Irmão André Miranda Bambi, originário de Angola.

    Neste período de Semana Santa, convidamos o Padre Luciano Gervasoni a partilhar conosco suas experiências e reflexões sobre esse tempo sagrado vivenciado em uma realidade desafiadora, mas permeada pela fé e pela esperança.

    Em suas palavras, Padre Luciano compartilha a grandeza das ações realizadas pela Igreja Católica local, destacando o compromisso e a dedicação dos fiéis neste lugar muitas vezes esquecido, mas que merece toda a atenção da Igreja e da humanidade.

    O fundador da Congregação, São João Calábria, afirmava: "O mundo todo é de Deus". E é com esse espírito que os missionários em Guiné-Bissau se dedicam a servir e a testemunhar o amor de Deus em meio aos desafios e adversidades.

    Durante a Semana Santa, diversas atividades foram realizadas. O Padre Luciano destaca a participação ativa dos fiéis, que demonstraram uma profunda devoção e uma generosidade admirável, mesmo diante das dificuldades cotidianas.

    É um momento de renovação da fé, de reflexão sobre os ensinamentos de Cristo e de solidariedade para com o próximo. Na Guiné-Bissau, a Semana Santa não é apenas um período de celebrações religiosas, mas também uma oportunidade para fortalecer os laços comunitários e promover a justiça e a fraternidade.

    A presença dos missionários da Congregação Pobres Servos da Divina Providência em Guiné-Bissau é um sinal de esperança para essa terra, mostrando que, mesmo nos lugares mais distantes e esquecidos, o amor de Deus continua a brilhar e a transformar vidas.

    Que as experiências vividas durante esta primeira Semana Santa possam inspirar a todos a renovar o compromisso com a missão de anunciar o Evangelho e servir aos mais necessitados, seguindo o exemplo de Cristo, o Servo Sofredor que deu a vida por todos nós. 

    A seguir, o relato da Padre Luciano:

    Semana Santa em Guiné-Bissau

    Iniciamos a Semana Santa com a procissão de Domingo de Ramos na comunidade Nossa Senhora de Fátima, em Bafatá, que é a Sé da diocese do mesmo nome, a segunda do país. Além disso, a Catedral está localizada nesta cidade e tornou-se diocese em 2001, quando o padre brasileiro do PIME, Pedro Zili, tornou-se o primeiro bispo. Esta diocese foi desmembrada de Bissau, que até então era a única diocese. Quando estava prestes a completar 20 anos, o então bispo Dom Pedro Zili faleceu de COVID-19 em 31 de março de 2021, deixando a diocese sem bispo até o momento, com o Padre Lúcio Brentegani como administrador diocesano.

    Apesar de enfrentar limitações no número de padres, a diocese possui comunidades bastante vibrantes que oferecem muita esperança, especialmente em relação às vocações. Neste ano, três diáconos serão ordenados sacerdotes e, na mesma celebração, mais dois serão ordenados diáconos.

    As dificuldades sociais também são evidentes, com pobreza e falta de infraestrutura predominantes, como hospitais precários, estradas sem manutenção e fornecimento de energia apenas por meio de painéis solares ou geradores. Além disso, a situação política é bastante instável em um país formado por diversas etnias.

    Apesar dessas realidades desafiadoras, a Igreja Católica tem desempenhado um papel crucial no desenvolvimento, em colaboração com outras organizações não governamentais, principalmente por meio de projetos nas áreas sociais, educação, microfinanciamento, cooperativas e saúde, levando assistência médica até as áreas mais remotas.

    Embora a comunidade católica cristã represente uma porcentagem pequena da população, aproximadamente 25%, prevalecem as religiões tradicionais e islâmicas. No entanto, a convivência entre as diferentes religiões é bastante harmoniosa.

    Diante de tudo isso, celebramos a Missa do Crisma em 26 de março, sem a presença do bispo, e os óleos foram abençoados e consagrados pela diocese de Bissau. Na Quinta-feira Santa, celebramos a instituição da Eucaristia na comunidade de Santa Clara em Fulacunda. Na Sexta-feira Santa, iniciamos cedo com uma caminhada penitencial de aproximadamente 7 km, seguida pela Via Sacra e pela celebração da Paixão e Morte de Jesus na Paróquia de Santa Cruz em Buba.

    No Sábado Santo, a celebração foi ao ar livre devido ao tamanho reduzido da igreja. Durante esta celebração, 53 catecúmenos foram batizados. No domingo de Páscoa, a Missa também foi ao ar livre, todas realizadas em Buba.

    Estamos testemunhando e vivenciando uma igreja que está crescendo e apresenta muitos sinais de esperança, apesar das adversidades. Uma igreja que busca maneiras de proclamar o Evangelho e levá-lo a todos. Esperamos contribuir um pouco para este processo de crescimento e evangelização, anunciando sempre e com alegria o Cristo ressuscitado entre os mais necessitados.

    Atualmente, residimos com a equipe missionária da Paróquia Santa Cruz em Buba. No entanto, dentro de um ano, devemos mudar para Fulacunda, iniciando assim um novo local de missão com a presença permanente de religiosos.

    Pe. Luciano Gervasoni, PSDP

    Buba – Guiné-Bissau

    03 de abril de 2024

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