Peregrinos porque chamados
"Todas as vocações na Igreja são essenciais, pois manifestam a multiforme graça do Espírito Santo e contribuem para a edificação do Corpo de Cristo."
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05.08.2025 20:48:46 | 4 minutos de leitura

Dom João Santos Cardoso Arcebispo de Natal (RN)
Neste mês de agosto de 2025, em que a Igreja celebra a 44ª edição do Mês Vocacional, em sintonia com o Ano Jubilar, temos uma oportunidade privilegiada de escutar o Senhor, discernir e renovar o chamado que Ele dirige a cada um de nós.
O tema deste Mês Vocacional – “Peregrinos porque chamados” – remete à condição existencial do cristão, alguém que está sempre a caminho, em busca, em resposta a uma Voz que chama, convoca e envia. O lema, inspirado na Carta de São Paulo aos Romanos – “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5) –, recorda que toda vocação nasce do amor gratuito de Deus e se sustenta na esperança ativa de quem crê, ama e serve.
Em sua Mensagem para o 62º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Papa Francisco afirma que “toda vocação é animada pela esperança, que se traduz em confiança na Providência. Com efeito, para o cristão, ter esperança é mais do que um simples otimismo humano: é antes uma certeza enraizada na fé em Deus, que age na história de cada pessoa. E, deste modo, a vocação amadurece através do compromisso quotidiano de fidelidade ao Evangelho, na oração, no discernimento e no serviço.”
O tema deste Mês Vocacional está em plena sintonia com a referida Mensagem do Papa Francisco, na qual ele recorda que “toda vocação na Igreja – seja laical, seja ao ministério ordenado, seja à vida consagrada – é sinal da esperança que Deus nutre pelo mundo e por cada um dos seus filhos”. Neste contexto, é oportuno contemplar a riqueza das diversas vocações presentes na vida da Igreja: a vocação laical, a vocação matrimonial, a vida consagrada e o ministério ordenado.
A vocação é, antes de tudo, um dom. Não nasce do mérito pessoal, mas é fruto da iniciativa amorosa de Deus, que chama a quem quer, independentemente de suas virtudes, e o envia em missão. Como afirma o Papa Francisco: “A vocação é um dom precioso que Deus semeia nos corações, uma chamada a sair de si mesmo para trilhar um caminho de amor e serviço.”
Todas as vocações na Igreja são essenciais, pois manifestam a multiforme graça do Espírito Santo e contribuem para a edificação do Corpo de Cristo. Contudo, nesta reflexão, desejo enfatizar particularmente a vocação sacerdotal, não apenas por sua centralidade na vida e missão da Igreja, mas também por seu papel insubstituível no anúncio da Palavra, na presidência da Eucaristia, no perdão dos pecados e no pastoreio do povo de Deus. O sacerdote é chamado a ser alter Christus, homem de Deus no meio do povo, servidor da comunhão e missionário da esperança. Ao presidir os sacramentos, formar comunidades e consolar os aflitos, torna-se presença sacramental de Cristo, o Bom Pastor.
A vocação sacerdotal é belíssima, embora marcada por uma entrega total e exigente. Requer fidelidade cotidiana, proximidade com Deus e com o povo, além de disponibilidade para servir com alegria, mesmo em meio a desafios e renúncias.
A juventude é terreno fértil para o despertar vocacional. Contudo, muitos jovens vivem imersos na incerteza, na desorientação e na crise de sentido, realidades agravadas pela cultura digital, pela precariedade social e pelas feridas interiores. Por isso, a Igreja é chamada a oferecer uma pastoral vocacional ousada, acolhedora e perseverante. Todo o processo vocacional deve ser vivido como um itinerário de escuta, discernimento e acompanhamento, no qual os jovens possam descobrir sua vocação como resposta ao amor de Deus e fonte de esperança para o mundo.
A Igreja será sempre viva e fecunda na medida em que souber gerar, acompanhar e sustentar vocações. A oração, a escuta da Palavra, o testemunho coerente e o discernimento comunitário são os pilares de uma verdadeira cultura vocacional. “Descobrir o amor de Deus e ser homens e mulheres de esperança” é tarefa de cada batizado e de toda a comunidade cristã. Portanto, neste mês de agosto, elevemos ao Senhor da Messe nossa súplica: que Ele continue a chamar e que suscite em nossos corações a coragem de responder com fé e generosidade. Que cada pessoa, peregrina neste mundo, saiba reconhecer o chamado de Deus e, com amor, doe sua vida como sinal de esperança.
Fonte: CNBB.
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