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Padre Adriano Carminatti

"Cristo salvou o mundo sofrendo, padecendo e morrendo na cruz. Também nós somos enviados por Ele para anunciar a salvação, vivendo como Evangelhos vivos." – São João Calábria, Retornemos ao Evangelho.

Storytelling Vocacional

11.08.2025 07:00:00 | 5 minutos de leitura

Padre Adriano Carminatti

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana

História vocacional e missionária do Pe. Adriano Carminatti. 

Tudo começou por volta do ano de 1982, numa pequena e desconhecida vila chamada Boa Vista 27, no interior de Garibaldi (RS), hoje município de Boa Vista do Sul. Ali vivi meus primeiros anos, e ali também conheci um padre baixinho, sorridente, com um olhar atento e acolhedor para com os jovens: o Pe. Nelo Vanzo. Italiano, promotor vocacional dos Pobres Servos da Divina Providência, residia no Seminário Apostólico Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Foi o primeiro Pobre Servo a visitar minha família e minha comunidade.

Nossa região era fértil em vocações. Muitos dali seguiram o caminho da vida consagrada: Ex-Padre Alcebíades Steffenon, Ex-Padre Jorge Trevisol, Bispo Vital Corbellini, Ir. Loris Trevisol, entre outros. Era um ambiente propício para o despertar vocacional. Todos esses nomes foram, para mim, instrumentos da Providência no chamado de Deus.

Em 1983, o Pe. Nelo me convidou para um estágio no seminário. Foram dias intensos de jogos, gincanas, trabalho, mas também de muita oração e reflexão. Ao fim da experiência, recebi a aprovação para iniciar o discernimento vocacional. Ingressei no seminário com apenas 12 anos, cursando a 7ª série do ensino fundamental. Fui acolhido pelo Pe. Benildo Ceresa, diretor na época, que me colocou na “turma dos lutadores” – como eram chamados os menores, que mais sentiam saudades de casa. À noite, éramos acompanhados pelos assistentes e sempre consolados pela presença incansável do Pe. Nelo.

Concluí o ensino fundamental em 1985 e, entre 1986 e 1988, fiz o ensino médio na Escola Profissionalizante São João Calábria, em Porto Alegre. Foi um tempo de crescimento. Fui enviado em missão a lugares mais necessitados, como a Vila Restinga e comunidades no entorno do Calábria. Os fins de semana eram dedicados à pastoral: catequese, animação em lares de idosos, partilha e presença. Ali, no contato com os mais frágeis, compreendi melhor o que significa ser Pobre Servo.

Em 1989, integrei a primeira turma de aspirantes da Congregação, tendo como formadores o Pe. Jailton e o Ir. Altecir Santolin. Residíamos ao lado do Centro Social Calábria. Foi uma experiência exigente, marcada pela disciplina, vida comunitária, trabalho nas oficinas e intensa vivência pastoral. Nesse mesmo ano, iniciei os estudos de Filosofia, divididos entre Viamão e a UCS (Caxias do Sul), concluindo em 1991. Durante esse tempo, fui assistente no Seminário Apostólico de Farroupilha, o que aumentou minha responsabilidade e amadurecimento.

Em 1992, ingressei no Noviciado e, no dia 1º de janeiro de 1993, fiz minha Primeira Profissão Religiosa. Trabalhei como Irmão Religioso no Seminário até 1994. Em seguida, cursei Teologia na PUC de Porto Alegre entre 1995 e 1998. Fui ordenado Diácono por Dom Adélio Tomasin na Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia, na Restinga, junto com os coirmãos Luciano Gervasoni, Gilberto Bertolini e Valdecir Tressoldi.

A ordenação Presbiteral aconteceu no dia 16 de janeiro de 1999, na minha cidade natal. E em março desse mesmo ano, iniciei minha missão nas Filipinas, a convite do então Delegado Pe. Jaime Kohl e do Superior Geral Pe. Waldemar Longo. Lá, descobri um povo fervoroso e uma realidade desafiadora, que fortaleceu em mim o desejo de evangelizar com simplicidade e dedicação.

Entre 2001 e 2004, fui enviado à Índia, junto com o Ir. Olinto Bet, para trabalhar na casa de formação de Nagpur. Os desafios eram imensos: idioma, cultura, alimentação, estrutura... mas a Providência nunca falhou. Aos poucos, surgiram frutos, e novos sacerdotes e irmãos foram sendo formados.

Em 2004, retornei às Filipinas, trabalhando em Calbayog City e também em Manila. Voltei ao Brasil em 2010 e assumi como pároco da Paróquia São João Calábria, em Campo Grande (MS). Em 2013, fui transferido para a Paróquia Santa Teresa, em Rio Grande (RS). Depois, em 2018, para a Paróquia São João Batista, em Jacundá (PA). Em 2022, cheguei à Bahia como vigário paroquial em Feira de Santana. E desde 2023 estou em Macapá (AP), na Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São João Calábria, onde, em 2025, fui nomeado pároco.

Ao olhar para toda essa trajetória, continuo me surpreendendo com a mão amorosa da Providência, que me conduz e me sustenta. Sou grato por cada passo, por cada povo, por cada missão. E, todos os dias, renovo com alegria o lema da minha ordenação: “Se alguém quiser me servir, siga-me” (Jo 12,26). Sinto que esse chamado continua vivo e urgente: seguir Jesus com coragem, em meio às dores e esperanças do nosso tempo, testemunhando que Deus continua presente na história e nos convida a amá-Lo, servindo com generosidade o seu povo.

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