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Papa Leão XIV destaca Pedro e Paulo como modelos de unidade e serviço à Igreja

Na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Santo Padre recorda que a comunhão e a caridade são caminhos essenciais para a missão evangelizadora da Igreja no mundo de hoje

Notícias

29.06.2026 09:03:13 | 8 minutos de leitura

Papa Leão XIV destaca Pedro e Paulo como modelos de unidade e serviço à Igreja

Na celebração da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, realizada em 29 de junho, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Santo Padre, Papa Leão XIV, presidiu a Santa Missa com a bênção dos pálios destinados aos novos arcebispos metropolitanos. Em sua homilia, o Pontífice destacou a importância dos dois grandes Apóstolos como colunas da Igreja e exemplos permanentes de fidelidade, coragem missionária e serviço à comunhão.

Refletindo sobre a figura de Pedro, o Papa ressaltou sua missão de guardar a unidade do Povo de Deus. Mesmo marcado por fragilidades humanas, como a negação durante a Paixão de Cristo, Pedro soube reconhecer suas limitações, converter-se e permanecer fiel ao chamado recebido. Segundo o Santo Padre, sua vida testemunha que a comunhão eclesial não se constrói pela rigidez ou pelo fechamento, mas pela escuta, pelo discernimento e pela busca sincera da verdade em Cristo.

Ao comentar o simbolismo das chaves confiadas a Pedro, Leão XIV afirmou que elas representam a missão de abrir caminhos de encontro, reconciliação e unidade. Recordou ainda que essa tarefa não pertence somente ao sucessor de Pedro, mas constitui também um chamado para cada batizado: ser construtor de pontes, promotor da paz e servidor da fraternidade.

Sobre São Paulo, o Pontífice destacou sua profunda transformação interior pela força da Palavra de Deus. De perseguidor da Igreja, Paulo tornou-se apóstolo incansável da Boa Nova, deixando-se conduzir pelo Evangelho até o martírio. Para o Papa, o testemunho paulino recorda que a Palavra de Deus continua viva e eficaz, capaz de converter corações e transformar vidas.

Dirigindo-se aos novos arcebispos metropolitanos, durante o rito da imposição dos pálios, Leão XIV sublinhou que o ministério pastoral exige disposição para carregar sobre os ombros o povo confiado por Deus, com dedicação generosa, espírito de serviço e amor sacrificial. O pálio, feito de lã branca e ornado com cruzes, simboliza precisamente essa responsabilidade de cuidar do rebanho do Senhor.

Concluindo a homilia, o Santo Padre convidou toda a Igreja a contemplar os exemplos de Pedro e Paulo para renovar o compromisso com a comunhão, a missão e o anúncio do Evangelho. Exortou os fiéis a caminharem juntos, sustentados pela esperança e pela ação do Espírito Santo, para que o mundo encontre em Cristo a verdadeira harmonia e a paz.

LEIA A HOMILIA NA ÍNTEGRA:

SANTA MISSA E BÊNÇÃO DOS PÁLIOS PARA OS NOVOS ARCEBISPOS METROPOLITAS
NA SOLENIDADE DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO

HOMILIA DO SANTO PADRE LEÃO XIV

Basílica de São Pedro

Segunda-feira, 29 de junho de 2026

Caros irmãos e irmãs,

Hoje, em uma única Solenidade, recordamos os Santos Pedro e Paulo, padroeiros da Cidade e da Diocese de Roma: um escolhido por Jesus como pastor do seu rebanho e o outro eleito como apóstolo dos gentios. Neles veneramos duas colunas da Igreja.

Pedro, guardião do Povo de Deus, muitas vezes aparece no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. É ele quem, no lago da Galileia, após uma noite de trabalho aparentemente inútil, diz ao Mestre: “Nada pescamos; mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes” (Lc 5,5), e volta ao mar levando também os outros consigo. É ainda ele que, quando muitos se afastam do Senhor após o duro discurso sobre o Pão da Vida, diz ao Messias: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68), permanecendo com os outros onze. É sempre ele que, em Cesareia, reconhece em Jesus o Filho de Deus e se torna voz de todos na profissão da única fé, como ouvimos no Evangelho (cf. Mt 16,13-19). Também após a Ressurreição, às margens do lago, é o primeiro a alcançar Cristo, lançando-se à água e precedendo os outros a nado, para renovar humildemente seu amor e receber a confirmação de sua missão (cf. Jo 21,1-17).

E a essa missão Pedro permanece fiel, mesmo quando, por exemplo, em Jerusalém, a questão da admissão ao Batismo dos pagãos não circuncidados ameaçava dividir a comunidade. Ele reúne os irmãos, escuta-os e, por fim, guiado pelo Espírito Santo, toma a decisão, conservando a comunhão e inaugurando uma nova etapa para todo o Povo de Deus: “Cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles” (At 15,11).

Essa grandeza de espírito não significa que Pedro fosse perfeito. Durante a Paixão, negou o Mestre e depois chorou sinceras lágrimas de arrependimento (Lc 22,54-62); e o próprio Paulo, em outras circunstâncias, repreendeu-o pela incoerência de alguns comportamentos (cf. Gl 2,11-14). No entanto, Pedro soube reconhecer seus erros e converter-se, sem desanimar nem abandonar a missão de anunciar o Evangelho e reunir o rebanho de Cristo, até o martírio, que sofreu justamente aqui, em Roma, não longe do lugar onde nos encontramos.

Esse cuidado fiel e paciente pela unidade é bem expresso pelo símbolo das chaves, com as quais frequentemente o identificamos (cf. Mt 16,19). Uma chave não derruba portas; ela as abre e fecha, buscando em seu interior os mecanismos corretos e acompanhando seus movimentos, para que as travas se soltem, os ferrolhos deslizem e as portas girem livremente sobre suas dobradiças, unindo os ambientes e transformando muitos cômodos isolados em uma única casa acolhedora. Da mesma forma, a comunhão na Igreja não se constrói pela rigidez em posições pessoais, mas buscando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à cuja luz cada um se torna para o outro instrumento de crescimento.

Podemos ler nessa perspectiva a missão confiada pelo Senhor a Pedro e aos seus Sucessores, em benefício de todo o santo Povo de Deus: escutar, com a ajuda do Senhor, a voz de cada um; discernir as inspirações; conduzir os caminhos; corrigir os erros; instruir, encorajar, exortar e acompanhar os irmãos para que, dóceis à ação do mesmo Espírito (cf. 1Cor 12,1-11), cooperem para a salvação uns dos outros e de toda a humanidade. O exemplo de Pedro, porém, é também um convite a cada cristão para tornar-se construtor da unidade, colocando Deus no centro da própria existência e aproximando-se dos irmãos, atento às suas histórias e necessidades, para viver com eles na caridade e assim “levar à plenitude o anúncio do Evangelho” (cf. 2Tm 4,17).

Este é também o ensinamento de Paulo, o outro grande Apóstolo que hoje celebramos, anunciador incansável da Boa Nova. Ele também possui símbolos característicos: o livro e a espada, intimamente unidos. Isso é bem explicado pelo autor da Carta aos Hebreus, quando escreve: “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”, capaz de penetrar “até a divisão da alma e do espírito” e discernir “os sentimentos e pensamentos do coração” (cf. Hb 4,12).

Foi isso que Deus realizou no coração do jovem Saulo, conquistando-o (cf. Fl 3,12) e levando-o primeiro à conversão ao Evangelho, assumindo um novo nome; depois, ao anúncio dessa mensagem ao mundo inteiro; e, por fim, ao testemunho, como Pedro, nesta mesma cidade, até o dom da própria vida. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pela força da Palavra de Deus, que o libertou da violência para conduzi-lo ao caminho do amor.

Santo Agostinho, comentando sua conversão e missão, dizia: “Enquanto ia a Damasco com o coração inflamado de ameaças e mortes, foi chamado pelo nome e lançado ao chão pela voz celeste (cf. At 9,1-7), isto é, pelo Verbo que o chamava.” E acrescentava: “Deus tomou o perseguidor da Igreja e fez dele um mensageiro da paz. Perdoou-lhe todos os pecados e o colocou num ministério em que ele poderia perdoar os pecados dos outros.”

Caríssimos, é importante para nós, hoje, contemplar esses dois Santos — Pedro e Paulo — para compreender como também nós podemos ser apóstolos e construtores da unidade, servos generosos da verdade na caridade. É com esse espírito que nos preparamos para viver o antigo e significativo rito da entrega dos pálios aos Arcebispos Metropolitanos. Essas faixas de lã branca ornadas com cruzes expressam o compromisso de cada Pastor — e também de cada cristão — de carregar sobre os ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados, como cordeiros do rebanho do Senhor, e de sacrificar por eles energias, tempo, esforço e até a própria vida, para que o Evangelho alcance a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia.

Com esses sentimentos, tenho a alegria de dirigir minha cordial saudação aos membros da Delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, enviada pelo querido irmão Sua Santidade Bartolomeu I e guiada por Sua Eminência Emmanuel, Metropolita de Calcedônia.

Rezemos aos Santos Pedro e Paulo para que nos sustentem no caminho da comunhão, seguindo os passos do Salvador. Este é o caminho que Ele traçou, aquilo pelo qual rezou ao Pai na Última Ceia (cf. Jo 17,21-23), a meta para a qual nos ensinou a aspirar com esperança confiante (cf. Bento XVI, Homilia na Missa com imposição do pálio aos novos Metropolitas, 29 de junho de 2012).

Fonte: Dicastério para a Comunicação – Libreria Editrice Vaticana.

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Tradução do original em Italiano e imagem, feitos por IA.

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