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Padre Rafael Pedro Susrina

“Ut unum sint” – Para que todos sejam um

Storytelling Vocacional

22.08.2025 07:00:00 | 6 minutos de leitura

Padre Rafael Pedro Susrina

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana 

“Ut unum sint” – Para que todos sejam um

História Vocacional e Missionária do Pe. Rafael Pedro Susrina, PSDP

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi.” (Jo 15,16)

Essas palavras ecoaram no início da minha caminhada. Sou Rafael Pedro Susrina, nascido em 23 de outubro de 1996, em Erechim (RS). 

Minha caminhada vocacional teve início em 2008, aos 11 anos, quando participei de encontros vocacionais em Farroupilha, a convite do querido Pe. Antônio Nazzari. Um ano depois, veio o chamado mais concreto: o convite para ingressar no seminário. E foi assim que, no dia 16 de fevereiro de 2010, dei meus primeiros passos no Seminário Apostólico Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha/RS. Eu era um entre 17 adolescentes, cheios de sonhos e inquietações, dispostos a buscar a vontade de Deus.

A vida comunitária me ensinou desde cedo que amar é aprender a escutar, a perdoar e a recomeçar todos os dias. Foram quatro anos que moldaram meu coração, preparando-me para o sim cotidiano. Em 2014, iniciei o Aspirantado na comunidade da Restinga, em Porto Alegre, onde vivi profundamente a vida pastoral e comunitária. Ali, entre a catequese, os coroinhas, e as oficinas para crianças e adolescentes no Centro de Promoção da Infância e Juventude, percebi que o chamado de Deus passava também pelo serviço concreto aos mais pequenos e vulneráveis.

O Postulado veio em 2015, marcando uma etapa decisiva na minha formação. Aprendi a superar desafios nas relações interpessoais e descobri, no contato com o povo, uma coragem até então adormecida. Venci o medo de falar em público, ganhei confiança na escuta e na orientação dos jovens e comecei a experimentar a beleza de viver inteiramente para Deus e para os outros.

No ano seguinte, 2016, fui enviado para morar na Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia, aprofundando minha inserção pastoral. Em 2017, fui enviado para longe: Macapá/AP, na missão da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. Aquela experiência amazônica foi um divisor de águas. Ali, aprendi a viver a fraternidade com intensidade, a servir sem reservas e a perceber que o Evangelho se encarna nas realidades mais desafiadoras.

No ano seguinte, 2018, iniciei o Noviciado em Viamão/RS. Tempo santo, de deserto e de luz. Viver o lema “disposto a tudo” foi mais que uma frase: foi um aprendizado existencial. O silêncio, a oração, o estudo das Constituições e a experiência da Providência moldaram-me como vaso de argila nas mãos do Oleiro.

Em 1º de janeiro de 2019, professei meus primeiros votos religiosos como Pobre Servo da Divina Providência. Escolhemos como inspiração a frase de Jesus: “Nisto saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Com esse espírito, fui morar na Casa de Formação São José, em Porto Alegre, onde iniciei os estudos teológicos e participei da formação de novos aspirantes e postulantes.

O ano de 2021 me levou a viver no Abrigo João Paulo II. Ali, entre crianças e adolescentes, vivi a beleza de ser “disposto a tudo”. No serviço silencioso, na escuta atenta, nos pequenos gestos de cuidado, descobri o verdadeiro sentido do seguimento de Jesus: doar-se sem reservas.

Em 2022, professei os votos trienais e recebi os ministérios de leitor e acólito, passos que me prepararam para a vida ordenada. O amor à Palavra e o serviço ao altar fortaleceram ainda mais meu desejo de configurar minha vida ao Coração de Cristo.

O diaconato chegou em 1º de janeiro de 2023, no mesmo seminário onde tudo começou. Fui enviado à Paróquia São Vicente de Paulo, em Ponta Porã/MS, e assumi com alegria o serviço pastoral e vocacional. A missão tornou-se ainda mais intensa e frutífera, com o acompanhamento de jovens e o anúncio da vocação como graça e compromisso.

No dia 2 de setembro de 2023, em Erechim, minha terra natal, fui ordenado sacerdote. Em meio ao Ano Jubilar pelos 150 anos do nascimento de São João Calábria, consagrei-me totalmente ao serviço de Deus e da Igreja como sacerdote Pobre Servo.

Meu lema sacerdotal, retirado da oração de Jesus no Evangelho de João, expressa minha missão: “Ut unum sint” – “Para que todos sejam um” (Jo 17,21).

Quero viver como instrumento de comunhão, promovendo a unidade, a reconciliação e o amor. Como construtor de pontes entre o céu e a terra, entre Deus e os irmãos.

A espiritualidade da balança: entre o silêncio e o sacrifício

Entre tantos ensinamentos de São João Calábria, uma imagem se tornou farol na minha caminhada: a da balança em perfeito equilíbrio. O Fundador dizia:

“A Obra é como uma balança em perfeito equilíbrio: um pequeno peso já é suficiente para fazê-la pender de um lado.”

Essa metáfora me interpela todos os dias. Lembra-me que um gesto simples, uma oração feita com o coração, um sacrifício escondido, podem inclinar a história para o lado da misericórdia. O sacerdote é chamado a ser esse contrapeso espiritual, que mesmo escondido, sustenta o mundo no amor.

São João Calábria nos convida a fazer com que a balança da história transborde do lado da misericórdia. E eu quero ser esse pequeno peso, colocado nas mãos de Deus, para equilibrar o mundo com amor, fidelidade e entrega.

“Disposto a tudo”: a resposta de cada dia

Hoje, continuo vivendo esse chamado com alegria e esperança. Sou padre, mas antes de tudo sou consagrado, filho da Providência, irmão entre os irmãos. Em cada missão, em cada comunidade, em cada gesto simples, quero proclamar que Deus ainda chama, ainda confia, ainda envia.

A vocação é um dom, uma história escrita a muitas mãos. É Deus quem chama, mas somos nós que precisamos responder. Que a minha vida possa ser um humilde testemunho de que vale a pena dizer sim. Vale a pena confiar. Vale a pena ser todo de Deus.

E você, jovem, que talvez sinta esse sopro suave de Deus em seu coração... Não tenha medo. A balança da Providência espera também o seu peso. Talvez seja o seu sim que fará a diferença.

"Ego dixi, nunc coepi" — Eu disse: agora começo. (Esta também é a minha oração.)

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