Padre Paulo Roberto Palaoro
“Amar uns aos outros, porque o amor vem de Deus” (1Jo 4,7)
Storytelling Vocacional
23.08.2025 07:00:00 | 5 minutos de leitura

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana
Apresentamos a história vocacional e missionária do Padre Paulo Roberto Palaoro.
“Amar uns aos outros, porque o amor vem de Deus” (1Jo 4,7)
Olá! Eu sou o Pe. Paulo Roberto Palaoro, religioso da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência. Com alegria partilho um pouco da minha história vocacional, marcada por caminhos sinuosos, descobertas surpreendentes e a presença constante da Divina Providência.
Recebi o Batismo aos 9 dias de vida, e ainda pequeno fui crismado — por ocasião da passagem do bispo em minha cidade natal, Nova Bréscia (RS). Tive uma infância simples, e talvez por ser muito traquina, comecei cedo a trabalhar. Aos 9 anos já ajudava em uma fábrica de mandolate: estudava pela manhã e trabalhava à tarde. Aos 16 anos, saí de casa e fui trabalhar como frentista de posto de gasolina e ajudante de caixa. Na juventude, vivi intensamente — festas, música, bailes... Era um tempo de liberdade, queria paz e amor, como diziam os hippies da época.
A escola foi deixada de lado por um tempo. Conquistei minha independência, tirei a carteira de motorista, voltei a estudar e trabalhei de guarda de banco e junto com meu cunhado, abrimos um restaurante em Farroupilha (RS). Tudo parecia estar no seu lugar: estabilidade, trabalho, amizades e festas. Mas dentro de mim havia uma inquietação constante: “O que será de mim?” — essa pergunta não me deixava em paz.
Foi então, com 23 anos, que decidi procurar um padre. Ele me indicou o seminário dos Pobres Servos. Entrei em contato, fui acolhido e iniciei minha caminhada vocacional em 1980. Fui para Porto Alegre, onde fiz meu postulantado (1982-1983), cursando Filosofia e sendo acompanhado por religiosos que me apresentaram com beleza o Carisma Calabriano: “Confiança e abandono total em Deus Pai Providente”.
Fiz o noviciado em 1984 e professei meus primeiros votos em 1985. Logo fui enviado como missionário para Angola. Infelizmente, adoeci de malária e precisei voltar. Após um período em Farroupilha, atuei em Anaurilândia (MS), colaborando na paróquia e no hospital. Depois retornei para estudar a Teologia na PUC/RS, enquanto trabalhava como vice-diretor no Centro de Promoção do Menor da Restinga (Porto Alegre).
Fui ordenado sacerdote no dia 7 de abril de 1991, em Arroio do Meio (RS), por Dom Aloísio. O lema da minha ordenação expressa o centro da minha espiritualidade: “Amemos-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus” (1Jo 4,7). A vida sacerdotal é também marcada pela devoção mariana e pelo espírito Calabriano de confiança.
Como padre, servi inicialmente na Restinga. Depois atuei com meninos de rua no Albergue João Paulo II e na Chácara Boa Semente. Fiz o curso do CERNE em 1994 e fui para Marituba (PA). Em seguida, fui enviado como missionário às Filipinas. Apesar dos esforços, a barreira da língua dificultou muito minha inserção. Após dois anos, retornei, e aceitei um novo desafio: voltar para Angola.
Na missão angolana vivi oito anos intensos, em contexto de guerra e pobreza extrema e oito anos de paz. Fui ecônomo e atuei com meninos de rua em Huambo. Após esse período, voltei ao Brasil para fazer pós-graduação em Parapsicologia, estudando em São Paulo e residindo em Campo Grande (MS). Em 2012 publiquei primeiro livro, 2014 segundo. Permaneci nesta missão de 2000 a 2016.
De 2016 a 2023, fui transferido para São Luís (MA), onde atuei na nova paróquia dedicada à Nossa Senhora Mãe da Divina Providência. A imagem da padroeira — com o Menino nos braços — me lembra sempre que somos essa criança sustentada nos braços da Mãe. A paróquia se tornou um espaço muito especial da missão Calabriana conforme São João Calábria aí descobri a importância e a beleza dos Leigos na Igreja. Em 2017, 2019, 2020 e 2021 publiquei mais quatro livros, deixando escrito algumas ideias de fé e ciências para o bem viver.
Hoje estou em Macapá (AP), na Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São João Calábria. Este tempo tem sido precioso para refletir, rezar, ler, organizar escritos e deixar-me guiar pela Providência. Neste Ano do Jubileu da Esperança, o lema “A esperança não decepciona” tem me inspirado profundamente, é espirito Calabriano.
A vida vocacional, para mim, é um mistério que se desenrola aos poucos, guiado pela mão materna da Providência. Por isso, digo a você que talvez esteja se sentindo inquieto ou chamado: confie. A Providência não falha. Deus vai te iluminar no tempo certo.
Rezem por mim. E aos que sentem no coração a inquietação de um chamado, não tenham medo: se arrisquem! A resposta generosa transforma tudo. “Deus é Pai somos todos irmãos”.
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