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Padre Gilmar Fornasier

“Ai de mim se eu não evangelizar”

Storytelling Vocacional

14.08.2025 07:00:00 | 4 minutos de leitura

Padre Gilmar Fornasier

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana

História Vocacional e missionária do Padre Gilmar Fornasier

“Ai de mim se eu não evangelizar”

Minha vocação nasceu no seio de uma família simples, mas profundamente enraizada na fé cristã. Cresci numa casa onde as cruzes nas paredes, os terços nas camas e as imagens de santos não eram apenas objetos decorativos, mas sinais vivos da presença de Deus em nosso cotidiano. Rezávamos juntos o terço, muitas vezes guiados pelas ondas do rádio. Lembro-me dos pequenos santinhos colados na parede do meu quarto — herança das visitas dos animadores vocacionais — e da oração “Conta comigo”, que eu recitava frequentemente com uma confiança que hoje reconheço como os primeiros sussurros de um chamado.

A comunidade de fé também teve um papel decisivo na minha caminhada. Na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, as celebrações, sobretudo as grandes festas litúrgicas, eram momentos de intensa participação e espiritualidade. Lembro com carinho do presépio no Natal, das encenações e da forte devoção durante a Semana Santa. Também me marcou profundamente uma celebração à luz de velas, à noite, enquanto cantávamos com o povo “Do altar de Deus me aproximarei”. Ali compreendi que Deus chama com beleza e delicadeza.

Minha entrada no seminário começou com um convite feito em 1975 pelo então seminarista José Lerin. No ano seguinte, participei do estágio no seminário apostólico, e, graças à acolhida do inesquecível Pe. Nello Vanzo, iniciei minha formação. Éramos mais de uma centena de jovens! E como foi bom viver aqueles anos de amizade, estudo, espiritualidade e convivência fraterna. Reencontrar esses amigos, hoje, sempre traz ao coração uma gratidão profunda.

Em 1979, comecei o Ensino Médio no COV de Porto Alegre. Estudávamos no Instituto Calábria, onde muitos professores se tornaram verdadeiros mestres de vida. Aprendíamos não apenas nas aulas, mas também nas oficinas e na espiritualidade compartilhada. Tive a alegria de conviver com testemunhas do Evangelho como Pe. Antonio Mosele, Pe. Benjamim, Ir. Mário Frigo, entre tantos outros. A Legião de Maria foi para mim uma força vocacional decisiva.

Em 1982, iniciei o postulado, com trabalho diário na gráfica e ajuda pastoral nos fins de semana. No segundo ano, fui transferido para Farroupilha, onde acompanhava uma turma de seminaristas e cursava Filosofia em Caxias do Sul. Com esforço e dedicação, segui a caminhada.

O noviciado chegou em 1985, guiado com sabedoria por Pe. Gianni Menegazzi. Foi um tempo de mergulho profundo no carisma calabriano, vivido com intensidade. Em 1º de janeiro de 1986, professei meus votos religiosos como Pobre Servo da Divina Providência. Meu lema, desde então, tem sido: “Ai de mim se eu não evangelizar”.

A missão me levou a muitos lugares e me deu muito mais do que pude doar. Comecei em Feira de Santana, no COV, ao lado do Pe. Antonio Gasparini. Depois fui enviado a diversas comunidades: Bataiporã (1991), Farroupilha (1992–1995), Campo Grande (1996), Viamão (1997–2001), São Luís (1992–1993), Feira de Santana – Paróquia (2004–2006), Jacundá (2007–2012), Campo Grande novamente (2013–2014), Ponta Porã (2015–2022), e hoje estou em Porto Alegre.

A vida e o exemplo de São João Calábria me impressionam profundamente. O vigor apostólico do nosso Fundador, seu amor universal, sua entrega total à Providência... tudo isso me desafia e impulsiona. Meus formadores, homens marcados por essa espiritualidade, testemunharam com simplicidade o que é viver confiando radicalmente em Deus.

Por isso, nunca tive dificuldade com as transferências: compreendi que Deus está em todos os lugares e se revela no rosto de cada pessoa, especialmente dos mais pobres. Com o coração aberto, sempre procurei escutar seus sinais.

Hoje, ao me aproximar dos 40 anos de Vida Religiosa Consagrada, trago viva na memória a face de tantas pessoas que encontrei ao longo do caminho. Histórias, risos, lágrimas, partilhas... Tudo isso me mostra que a vocação é um dom que se multiplica no encontro com o outro. E por tudo isso, sou profundamente agradecido ao Senhor por ter me chamado a viver como Pobre Servo da Divina Providência.

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