O Ecumenismo no Dia Mundial de Oração pela Criação
“Sementes de Paz e Esperança” no Tempo da Criação 2025
Artigos
01.09.2025 20:34:14 | 5 minutos de leitura

No dia 1º de setembro, a Igreja e várias denominações cristãs celebram o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A data inaugura o Tempo da Criação, período que se estende até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, e que é marcado pela oração, pela reflexão e pela ação em favor da conversão ecológica.
Trata-se de uma iniciativa profundamente ecumênica, promovida e apoiada por diversas entidades, como o Movimento Laudato si’, o Conselho Ecumênico das Igrejas, a Federação Luterana Mundial e a Comunhão Anglicana. Cristãos de diferentes tradições unem-se em torno da mesma fé no Deus Criador, reconhecendo que a casa comum é dom precioso confiado a toda a humanidade.
Raízes históricas e ecumênicas
A origem remonta a 1989, quando o Patriarca Ecumênico Dimitrios I proclamou o Dia de Oração pela Criação para os cristãos ortodoxos. Mais tarde, o Conselho Ecumênico das Igrejas (WCC) estendeu a celebração até 4 de outubro, ligando-a à espiritualidade franciscana. Em 2015, o Papa Francisco, ao publicar a encíclica Laudato si’, instituiu oficialmente o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação na Igreja Católica.
Neste ano de 2025, dois marcos iluminam ainda mais a celebração: os 1700 anos do Concílio de Niceia, onde foi proclamada solenemente a fé em Deus “criador do céu e da terra”, e os 10 anos da publicação da Laudato si’, texto que continua a inspirar pessoas e comunidades no compromisso com a ecologia integral.
Tema de 2025: “Sementes de Paz e Esperança”
A mensagem do Papa Leão XIV para este décimo Dia Mundial traz um tema profundamente simbólico: “Sementes de Paz e Esperança”. O Papa recorda que Jesus comparou a si mesmo a um grão de trigo que precisa morrer para dar fruto (Jo 12,24). Assim também nós, em Cristo, somos chamados a ser sementes lançadas no mundo, capazes de germinar vida mesmo nos lugares mais áridos.
A mensagem recorda ainda que cuidar da criação é questão de fé e de humanidade, pois a destruição da natureza atinge de modo particular os mais pobres, os marginalizados e as comunidades indígenas. A ecologia, portanto, não é apenas ambiental: é também social, econômica e espiritual.
Um chamado à conversão ecológica
De 1º de setembro a 4 de outubro, comunidades cristãs em todo o mundo se unem em oração, encontros, iniciativas de sensibilização e ações concretas que apontam para a urgência de “cultivar e guardar” o jardim do mundo (Gn 2,15). O Papa Leão XIV recorda que “viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo opcional nem secundário, mas parte essencial da experiência cristã”.
Nesse sentido, a iniciativa do Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo, é citada como exemplo concreto de como educar para a ecologia integral e gerar sementes de justiça, paz e esperança.
Enfoque Calabriano: a espiritualidade da Providência
A espiritualidade de São João Calábria encontra aqui uma ressonância especial. O Fundador dos Pobres Servos da Divina Providência sempre acreditou que a vida cristã se constrói sobre a confiança filial em Deus Pai e no cuidado amoroso por cada pessoa, especialmente os mais pobres. Essa confiança estende-se também à criação, pois toda a natureza é expressão da bondade e da Providência divina.
Viver este Tempo da Criação, portanto, é também viver o carisma calabriano: cultivar a simplicidade, a gratuidade, a solidariedade e a esperança em meio a um mundo ferido pela exploração e pela indiferença. Como sementes lançadas pelo Pai, somos chamados a germinar vida, a testemunhar a beleza do Evangelho e a decorar com flores os lugares cinzentos do mundo, como recordou o Papa em sua mensagem.
Caminho de unidade e missão
O ecumenismo, tão presente nesta celebração, torna-se também um sinal de esperança: católicos, ortodoxos, protestantes e anglicanos, juntos, reconhecem-se irmãos e irmãs diante do mesmo Criador e colaboradores na missão de cuidar da casa comum. Trata-se de uma expressão concreta daquilo que São João Calábria tanto desejava: uma Igreja unida na fé e na caridade, testemunhando ao mundo que a esperança não morre e que a paz pode germinar mesmo em meio às dificuldades.
Conclusão
Celebrar o Dia Mundial de Oração pela Criação é um convite para renovar o compromisso pessoal e comunitário com a ecologia integral. O Papa Leão XIV conclui a sua mensagem pedindo que o Espírito Santo fecunde estas sementes lançadas no campo do mundo, para que deem frutos de paz e esperança.
Como Família Calabriana, sentimos o chamado a viver esta missão com confiança e coragem: ser sinais de Providência em meio às crises, testemunhas da esperança que não decepciona e jardineiros da paz que nasce da justiça.
Setor Comunicação
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Com informações do Vatican News.
Imagem: IA.
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