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O amor exigente de Deus

A porta estreita não é peso, mas graça: é o caminho da fidelidade que nos conduz à verdadeira vida em Cristo.

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22.08.2025 16:20:19 | 5 minutos de leitura

O amor exigente de Deus

21º Domingo do Tempo Comum

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

A Palavra de Deus nos traz duas expressões que, à primeira vista, podem assustar, mas que são fundamentais para nossa vida de fé: “O Senhor corrige a quem ama e castiga todo filho que reconhece como tal” (Hb 12,6) e “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). As duas palavras – castiga e esforço – são como duas faces do mesmo mistério: o amor exigente de Deus, que não se contenta com uma fé superficial, mas quer nos conduzir à santidade.

A Carta aos Hebreus (12,5-7.11-13) nos recorda: “Não desanimes quando Ele te repreende” (Hb 12,5). A nossa mentalidade atual costuma rejeitar qualquer forma de correção. Pensamos que amar é apenas agradar, nunca contrariar. Mas Deus não é um “pai permissivo” que deixa tudo passar. Ele é Pai verdadeiro, que educa, orienta, corrige.

Pensemos em um filho pequeno: se ele coloca o dedo na tomada, a mãe vai repreendê-lo, vai “castigá-lo” naquele momento para que não sofra algo pior. Assim faz o Senhor conosco. Ele permite dificuldades, frustrações e quedas, não para nos destruir, mas para purificar nossa fé. Na linguagem bíblica, “castigo” não é vingança, mas poda. Assim como o agricultor corta os galhos para que a videira dê mais fruto (Jo 15,2), Deus corta em nós o que é inútil, para que possamos florescer na graça. E aqui está um ponto importante: quando nos acontece uma cruz, uma correção, uma perda, como reagimos? Alguns murmuram e se revoltam contra Deus. Outros acolhem com fé e dizem: “Pai, sei que Tu me amas. Ensina-me o que queres com isso.” O verdadeiro discípulo entende que até nas provações há um amor escondido de Deus.

Jesus, no Evangelho (Lc 13,22-30), nos provoca: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). A salvação é dom gratuito, ninguém compra o céu com seus méritos. Mas, ao mesmo tempo, a salvação não acontece sem luta, sem perseverança. O Senhor nos pede esforço. E o que significa essa porta estreita? É a porta da humildade, que exige abaixar-se e deixar de lado o orgulho. É a porta da fidelidade, que pede coerência entre o que cremos e o que vivemos. É a porta da renúncia ao pecado, das escolhas diárias de conversão. Muitos querem a porta larga: a fé sem compromisso, a religião de aparência, o cristianismo sem cruz. Mas a verdade é que o Reino não se conquista na comodidade. É preciso esforço, decisão, perseverança. 

Castigo e esforço: caminhos que se unem. Quando Deus nos corrige, Ele nos educa para não ficarmos no caminho largo da perdição. Quando nós nos esforçamos, respondemos ao Seu amor, atravessando a porta estreita que conduz à vida. Um pai corrige, o filho se esforça: e assim acontece o crescimento. A vida cristã é esse diálogo contínuo entre a pedagogia de Deus e a nossa resposta fiel.

Isaías (66,18-21) nos lembra que Deus quer reunir todos os povos, “de todas as línguas e nações” (Is 66,18). O convite é universal, ninguém está excluído. Mas o Evangelho é claro: “Muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13,24). O banquete do Reino é aberto a todos, mas a entrada exige conversão. Não basta ter “convivido com Jesus” externamente. Não basta dizer: “Comi e bebi contigo.” O que conta é a vida transformada. Aqui está o alerta: podemos estar dentro da Igreja, ouvir a Palavra, participar da Missa, mas se não houver esforço de conversão, podemos ouvir no fim: “Não sei de onde sois” (Lc 13,27). 

Caríssimos, o que a Palavra nos pede neste domingo? Aceitar as correções de Deus. Quando algo não sai como queremos, podemos perguntar: “Senhor, o que queres me ensinar com isso?” Fazer esforço real na vida cristã. Ser cristão não é apenas tradição ou costume. É decisão. É travar combate contra o egoísmo, o comodismo e as tentações. Viver a fé com coerência. Não apenas “ouvir Jesus”, mas deixar que Ele transforme a nossa vida.

Nesta semana, a Igreja no Brasil nos convida a rezar pela vocação laical. O leigo e a leiga são chamados a viver sua fé no coração do mundo: na família, no trabalho, na política, na cultura, na sociedade. Sendo sal da terra e luz do mundo, assumindo a missão de santificar as realidades temporais. O esforço e a fidelidade de cada cristão leigo são a forma concreta de atravessar a porta estreita e testemunhar Cristo no cotidiano.

Queridos irmãos, o Senhor hoje nos encoraja: não desanimemos quando Ele nos corrige, pois é sinal de que nos ama. Façamos todo esforço para entrar pela porta estreita, que é Cristo, caminho da cruz e da fidelidade. Assim, no dia final, não ouviremos “Não vos conheço”, mas sim a palavra mais esperada de todas: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino preparado para vós desde a criação do mundo” (Mt 25,34).

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