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Novena da Família Calabriana - dia 8 | A comunhão fraterna

Novena a São João Calábria 2026

25.09.2026 06:12:20 | 9 minutos de leitura

Novena da Família Calabriana - dia 8 | A comunhão fraterna

DIA 8 — A COMUNHÃO FRATERNA

Símbolo: a tigela segurada por duas mãos

O poço do Abbá permanece no centro. Ao seu redor, o deserto já começou a transformar-se: pedras, tigelas, objetos que representam nossas diferentes identidades, o pano do cuidado e as flores recordam o caminho percorrido.

Neste oitavo dia, preparam-se pequenas tigelas ou recipientes com água.

Cada tigela será carregada por duas pessoas ao mesmo tempo, uma mão de cada pessoa sustentando o mesmo recipiente.

O símbolo expressa uma verdade fundamental: a comunhão não se constrói sozinhos.

Precisamos aprender a sustentar juntos aquilo que recebemos do Abbá.

A água é a mesma. A Fonte é a mesma. As mãos são diferentes.

Gesto

Duas pessoas aproximam-se juntas, sustentando a mesma tigela com água: uma mão de cada pessoa segura o recipiente.

Caminham lentamente até o poço e colocam a tigela junto dele.

O gesto pode ser repetido por diferentes duplas: jovem e idoso, religioso e leigo, adulto e criança, pessoas de diferentes serviços ou vocações.

Enquanto o gesto é realizado, pode-se proclamar:

A comunhão não é apenas um sentimento: é um caminho feito juntos.

Nenhuma das duas mãos pode carregar sozinha esta tigela como foi proposto. É necessário ajustar o passo, perceber o outro, caminhar juntos e cuidar da água que recebemos.

A água do Abbá nos une e faz de nós irmãos. Somos diferentes, mas bebemos da mesma Fonte. Somos muitos, mas chamados a ser um só coração e uma só alma.

Introdução

Ao longo desta novena, fomos conduzidos por um caminho.
Reconhecemos Deus como Abbá.
Confiamos em sua Providência.
Descobrimo-nos uma só família.
Aprendemos a importância da mansidão.
Contemplamos a caridade que guarda a vida.
Fomos enviados como missionários da Providência.
E vimos o deserto começar a florescer com a alegria do Evangelho.

Hoje somos convidados a aprofundar aquilo que mantém todos esses elementos unidos: a comunhão fraterna.

A comunhão é dom do Espírito e, ao mesmo tempo, tarefa cotidiana.

Não significa pensar todos da mesma maneira, apagar as diferenças ou evitar qualquer conflito.

Comunhão significa aprender a passar do “eu” ao “nós”.

Significa reconhecer as relações como um terreno sagrado onde Deus também nos fala, nos corrige e nos faz crescer.

Para a Família Calabriana, esta experiência assume uma importância particular.

A comunhão não é apenas uma boa maneira de conviver. Ela pertence à nossa identidade.

Religiosos, religiosas, leigos, colaboradores, famílias, jovens e todas as expressões da Família Calabriana são chamados a caminhar juntos, valorizando os diferentes dons e carismas.

É também este o espírito do Agorá: uma praça aberta ao encontro, à escuta e ao diálogo; um espaço onde as diferenças não impedem a comunhão, mas podem enriquecê-la.

A comunhão começa quando deixamos de perguntar somente: “O que eu penso?”
e aprendemos também a perguntar: “O que o Espírito está dizendo através dos irmãos?”

Palavra de Deus - Atos dos Apóstolos 4,32-35

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum.
Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e todos eles gozavam de grande estima.
Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.”

A primeira comunidade cristã é apresentada como "um só coração e uma só alma".

Isso não significa uniformidade.

A comunidade era formada por pessoas diferentes, com histórias, sensibilidades e responsabilidades diversas.

Aquilo que as unia era mais profundo: Cristo ressuscitado.

A comunhão tornava-se visível também na maneira de relacionar-se com os bens. Ninguém vivia fechado sobre aquilo que possuía. A necessidade do irmão tornava-se preocupação de todos.

Existe uma relação profunda entre o testemunho da Ressurreição e a qualidade das relações dentro da comunidade.

Os apóstolos anunciavam que Cristo estava vivo.

A comunidade procurava mostrar, com a própria vida, aquilo que este anúncio significava.

A Ressurreição tornava-se visível na fraternidade.

Também hoje, uma comunidade que aprende a partilhar, acolher, escutar, perdoar e caminhar junta torna-se testemunha de que o Evangelho é capaz de gerar uma humanidade nova.

ECO CALABRIANO

Desde os primeiros tempos da Obra, São João Calábria colocava a fraternidade entre os fundamentos da vida de seus filhos:

“Antes de tudo, considerar-se irmãos e, como tais, amar-se reciprocamente uns aos outros e ajudar-se, especialmente na vida espiritual.” (Santas Normas, 23 de setembro de 1908)

A fraternidade vivida na Casa de San Zeno impressionava também aqueles que se aproximavam daquela experiência. Um superior dos Estigmatinos chegou a afirmar:

“Se hoje quereis ver os Atos dos Apóstolos, ide a San Zeno in Monte. Lá vivem como irmãos e acolhem os mais frágeis, as crianças órfãs e pobres, como uma grande família.”

A intuição é profundamente calabriana: a fraternidade não é apenas um discurso sobre o Evangelho.

Ela torna o Evangelho visível.

Reflexão do dia

Duas mãos sustentam uma única tigela.

Para realizar o gesto de hoje, as duas pessoas precisam caminhar juntas.

Se uma andar muito depressa, a outra terá dificuldade.

Se uma levantar demais a mão, a água pode derramar.

Se uma decidir mudar de direção sem perceber a outra, o caminho torna-se difícil.

É necessário olhar.
Perceber.
Esperar.
Ajustar o passo.
É uma pequena escola de comunhão.

Também a vida fraterna funciona assim.

Podemos estar no mesmo lugar sem caminhar juntos.

Podemos morar na mesma casa sem realmente nos encontrar.

Podemos trabalhar na mesma missão e permanecer fechados em nossos próprios projetos.

Podemos pertencer à mesma Família e conhecer muito pouco uns dos outros.

A comunhão exige mais.
Exige encontro.
Escuta.
Paciência.
Mansidão.
Perdão.
Exige aprender a dar espaço ao outro sem perder a própria identidade.

Por isso, comunhão não é uniformidade.
As duas mãos que sustentam a tigela continuam sendo duas mãos diferentes.
Mas carregam juntas o mesmo dom.

Esta imagem é particularmente importante para a Família Calabriana.
Temos vocações diferentes.
Serviços diferentes.
Responsabilidades diferentes.
Culturas diferentes.
Modos diferentes de expressar o mesmo carisma.
A riqueza não está em eliminar essas diferenças, mas em colocá-las em comunhão.

É também aqui que podemos compreender melhor a experiência do Agorá.
O Agorá é espaço de encontro.

Nele, ninguém deveria chegar apenas para defender o próprio lugar ou fazer prevalecer a própria voz.
É preciso chegar disposto a escutar.
Especialmente aqueles que muitas vezes têm menos espaço.
Os pequenos.
Os pobres.
Os jovens.
Os que estão nas periferias.
Aqueles cuja voz nem sempre é ouvida.

Caminhar juntos significa não deixar ninguém para trás.
A sinodalidade, vivida assim, não é simplesmente uma técnica para organizar reuniões. É uma maneira de ser Igreja e uma maneira de ser Família Calabriana.

Caminhar juntos porque temos o mesmo Pai.

A comunhão também cura uma das grandes feridas do nosso tempo: a solidão.

Podemos estar cercados por muitas pessoas e permanecer profundamente sozinhos.

Por isso, nossas comunidades são chamadas a ser lugares onde alguém possa experimentar:
“Há alguém que me escuta.”
“Há alguém que conhece meu nome.”
“Há alguém que caminha comigo.”
“Aqui eu pertenço.”

Isto é comunhão.
Não uma perfeição sem conflitos.
Mas uma família que, mesmo conhecendo suas fragilidades, decide continuar caminhando junta.

São João Calábria desejava seus filhos unidos como irmãos.
Não simplesmente porque a união torna uma organização mais eficiente.
Mas porque a fraternidade é Evangelho.

Uma Família Calabriana dividida teria dificuldade de anunciar a Paternidade de Deus.
Uma Família que procura viver a comunhão, ao contrário, torna credível aquilo que anuncia:
Deus é Abbá.
Nós somos seus filhos.
Portanto, somos irmãos.

A tigela que hoje duas mãos sustentam contém água da mesma Fonte que nos acompanha desde o início da novena.

Esta água nos recorda: a comunhão não nasce de nós.
É dom do Abbá.
Mas este dom foi colocado em nossas mãos.
E precisamos guardá-lo juntos.

Para refletir e partilhar

Nas minhas relações, sei realmente escutar e ajustar o meu passo ao passo do outro ou tenho dificuldade quando não prevalece a minha maneira de pensar e agir?

Quem são as pessoas ou grupos cuja voz precisamos escutar melhor dentro de nossas comunidades e da Família Calabriana?

Que gesto concreto podemos realizar para crescer em comunhão e fazer com que ninguém se sinta sozinho, esquecido ou deixado para trás?

Intenções

Ao Abbá, Pai que nos reúne como filhos e nos ensina a caminhar como irmãos, apresentemos confiantes as nossas preces, rezando juntos:
Abbá! Pai! Escutai a nossa prece.

1. Pela Igreja, para que cresça na comunhão e na sinodalidade, aprendendo a caminhar unida, a escutar o Espírito e a acolher a contribuição de cada vocação. Rezemos ao Senhor.

2. Pela Família Calabriana, para que religiosos, religiosas, leigos, famílias, colaboradores, jovens e todas as suas expressões cresçam no espírito de família e sejam verdadeiramente um só coração e uma só alma. Rezemos ao Senhor.

3. Pelas pessoas que vivem na solidão, no abandono ou na exclusão, para que encontrem comunidades abertas, relações verdadeiras e irmãos dispostos a caminhar ao seu lado. Rezemos ao Senhor.

4. Por nossas comunidades e atividades, especialmente onde existem divisões, incompreensões ou dificuldades de diálogo, para que a mansidão, a escuta e o perdão abram caminhos de reconciliação e comunhão. Rezemos ao Senhor.

5. Por cada um de nós, para que saibamos passar do “eu” ao “nós”, renunciando ao individualismo e aprendendo a escutar, partilhar responsabilidades e caminhar no passo dos irmãos. Rezemos ao Senhor.

Oração diante do símbolo

Abbá, Pai,
 hoje duas mãos sustentam a mesma água.

Ensina-nos a caminhar juntos,
 a ajustar o nosso passo,
 a esperar quem caminha mais devagar,
 a escutar quem pensa diferente.

Dá-nos relações transparentes,
 palavras mansas,
 gestos pacientes,
 corações abertos.

Faze da Família Calabriana
 uma família que sustenta,
 que perdoa,
 que escuta,
 que ama,
 que acolhe a todos.

Que ninguém caminhe sozinho.
 Que ninguém seja deixado para trás.

Abbá, Pai,
 faze de nós profetas de comunhão,
 um só coração e uma só alma,
 uma Família reunida ao redor da tua Fonte.

Oração a São João Calábria

Ó Deus, nosso Pai, vos louvamos pela providência com que conduzis o universo e a nossa vida. Agradecemos-vos pelo dom da santidade evangélica que concedestes ao vosso servo São João Calábria. Animados pelo seu exemplo, colocamos em Vós todas as nossas preocupações, desejando que aconteça em nós o vosso Reino. Dai-nos o vosso Espírito, para que torne o nosso coração disponível à vossa vontade. Fazei que amemos os irmãos, sobretudo os mais pobres e abandonados, para chegar um dia, juntamente com eles, à alegria eterna, onde nos esperais com Jesus, vosso Filho e Nosso Senhor. Pela intercessão de São João Calábria, concedei-nos a graça que agora com confiança vos pedimos...
São João Calábria, rogai por nós!

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