Novena da Família Calabriana - dia 5 | A caridade guarda a vida
Novena a São João Calábria 2026
25.09.2026 03:51:42 | 8 minutos de leitura

DIA 5 — A CARIDADE GUARDA A VIDA
Símbolo: o pano que enfaixa
O poço do Abbá permanece no centro, acompanhado pelos símbolos dos dias anteriores. Neste quinto dia, acrescenta-se um pano branco ou algumas faixas, que representam o cuidado do Samaritano e a ternura do Abbá que se inclina, enfaixa, enxuga e protege.
O pano recorda que a caridade não permanece apenas nas palavras ou nos sentimentos. Ela se torna proximidade e cuidado concreto, sobretudo diante da vida ferida e frágil.
É a caridade que guarda a vida.
Gesto
O pano branco passa de mão em mão entre algumas pessoas. Podem participar, de modo especial, representantes daqueles que exercem serviços de cuidado: profissionais das áreas social, educativa e da saúde, familiares, voluntários, religiosos, religiosas, leigos e colaboradores.
Cada pessoa recebe o pano e o entrega à seguinte.
Ao final, o pano é colocado ao redor do poço.
Enquanto o gesto é realizado, pode-se proclamar:
Hoje retiramos do poço do Abbá um pano branco: é o símbolo da caridade que guarda a vida.
O pano enfaixa, enxuga e protege: é o gesto do Samaritano, é o gesto do Abbá que se inclina sobre nós. Passando-o de mão em mão, reconhecemos que o cuidado não é uma ideia, mas um gesto concreto que nasce do coração do Pai.
Introdução
Nos primeiros dias desta novena, contemplamos Deus como Abbá, aprendemos a confiar em sua Providência, reconhecemo-nos como uma só família e fomos convidados a construir relações pacificadas pela mansidão.
Hoje a fraternidade dá mais um passo.Ela se aproxima.Ela vê a ferida.Ela se inclina.Ela cuida.A caridade guarda a vida.
Não existe verdadeira fraternidade quando permanecemos indiferentes ao sofrimento do outro. A caridade evangélica nos retira da posição de espectadores e nos faz próximos.
São João Calábria viveu esta dimensão de maneira profundamente concreta. Seu olhar para os pobres, os pequenos, os abandonados e os que sofriam não nascia simplesmente de uma sensibilidade social. Nascia da fé.
Se Deus é Pai, cada pessoa possui uma dignidade que deve ser reconhecida e guardada.
O irmão ferido não é um problema a ser resolvido.
É uma vida a ser acolhida.É um filho do Abbá.É alguém diante de quem somos chamados a parar.
Por isso, a caridade calabriana tem mãos, olhos, ouvidos e coração. Ela percebe, aproxima-se, toca, enfaixa e permanece.
Palavra de Deus - Lucas 10,33-37
“Um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele e, ao vê-lo, teve compaixão.Aproximou-se, tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e as entregou ao hospedeiro, dizendo: ‘Cuida dele e, o que gastares a mais, eu te pagarei quando voltar’.Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?Ele respondeu: ‘Aquele que teve misericórdia para com ele’. Jesus então lhe disse: ‘Vai e faze tu também o mesmo’.”
O Samaritano vê aquilo que outros também viram.A diferença está no que acontece depois.Ele teve compaixão.
A compaixão interrompe seu caminho e muda seus planos. Ele se aproxima do homem ferido, toca suas feridas, utiliza aquilo que possui, coloca-o sobre seu próprio animal, conduz até um lugar seguro e assume a responsabilidade por seu cuidado.
Jesus não apresenta a caridade como uma ideia abstrata.Ela é feita de verbos:ver, aproximar-se, cuidar, carregar, acompanhar.
No final, Jesus não pede uma definição de misericórdia. Dá uma missão:“Vai e faze tu também o mesmo.”
ECO CALABRIANO
São João Calábria recordava continuamente que o amor a Deus deve tornar-se amor concreto aos irmãos, especialmente aos que sofrem:
“Desempenha o teu ofício com espírito sobrenatural; nos pobres que sofrem, procura enxergar o Senhor que considera como feito a si próprio o que fizeres a eles.Feliz de ti que podes fazer o bem aos que sofrem. Será esta a melhor maneira de demonstrar ao Senhor o teu amor.” (São João Calábria — “Tua profissão é uma missão”)
Para São João Calábria, reconhecer Deus como Pai significa reconhecer no outro um irmão. E essa fraternidade se torna particularmente exigente quando encontramos uma vida ferida, pobre ou abandonada.
Reflexão do dia
Hoje, junto ao poço, aparece um pano branco.É um objeto simples.Não resolve todos os problemas.Não elimina todas as feridas.Mas pode enfaixar.Pode enxugar.Pode proteger.Pode cuidar.
Esta simplicidade nos coloca diante de uma característica essencial da caridade: o amor torna-se concreto.
Diante do homem ferido, o Samaritano poderia ter experimentado muitos sentimentos. Poderia ter se indignado com os assaltantes, lamentado a insegurança das estradas ou pensado sobre as causas daquela situação.
Mas fez algo decisivo: parou!
A caridade começa muitas vezes quando aceitamos interromper o nosso caminho para perceber quem está caído ao lado.
Também nós podemos passar perto de muitas feridas sem realmente vê-las.
A solidão de um idoso.A fragilidade de uma criança.O sofrimento de uma família.O cansaço de um colaborador.A angústia de um jovem.A pobreza de quem não consegue garantir o necessário.A dor de alguém que perdeu uma pessoa querida.A fragilidade de quem errou e precisa recomeçar.O sofrimento de quem não encontra lugar.
Podemos estar muito próximos fisicamente e, ainda assim, permanecer distantes.
O Evangelho nos pede outra coisa: “Vai e faze tu também o mesmo.”
São João Calábria compreendeu que a Paternidade de Deus precisava tornar-se visível através do cuidado.
Por isso, o carisma não pode permanecer apenas em palavras bonitas sobre a Providência. Se acreditamos que Deus é Pai, somos chamados a colaborar para que seus filhos sejam cuidados.
Aqui encontramos aquilo que podemos chamar de “magnífica humanidade” do Evangelho.
Quanto mais profundamente encontramos Deus, mais humanos nos tornamos.
Mais capazes de perceber.Mais capazes de nos comover.Mais capazes de cuidar.Mais capazes de respeitar a dignidade de cada pessoa.
A caridade não humilha quem recebe.Não transforma o pobre em objeto de nossa generosidade.Não cria distância entre quem ajuda e quem é ajudado.
A verdadeira caridade reconhece:“Este é meu irmão. Esta é minha irmã.”
E existe ainda outra dimensão importante.Quem cuida também precisa deixar-se cuidar.
Às vezes é mais fácil enfaixar a ferida do outro do que reconhecer as próprias feridas. Podemos querer aparecer sempre fortes, disponíveis, capazes de ajudar.
Mas também nós somos frágeis.Também nós precisamos da Fonte.Também nós precisamos de alguém que, em determinados momentos, se aproxime e cuide de nós.
Na Família Calabriana, ninguém deveria ser somente aquele que dá e ninguém deveria ser somente aquele que recebe.
Somos irmãos que cuidam uns dos outros.O pano passa de mão em mão justamente por isso.A caridade circula.Hoje eu cuido.Amanhã talvez precise ser cuidado.Hoje sustento.Amanhã talvez precise que alguém me sustente.E todos continuamos ao redor do mesmo poço.A Fonte é o Abbá.
É d'Ele que aprendemos aquela ternura capaz de transformar a caridade em proximidade e o cuidado em expressão concreta da Paternidade de Deus.
Para refletir e partilhar
Quem são as pessoas feridas ou frágeis que Deus colocou hoje perto de mim e que talvez eu esteja passando sem realmente perceber?
Quando encontro o sofrimento do outro, consigo aproximar-me e cuidar ou tenho a tendência de permanecer distante?
Nossas comunidades e atividades Calabrianas são lugares onde cada vida, especialmente a mais pobre e frágil, é verdadeiramente acolhida, protegida e valorizada?
Intenções
Ao Abbá, Pai cheio de ternura, que se inclina sobre as feridas de seus filhos, apresentemos com confiança as nossas preces, rezando juntos:Abbá! Pai! Escutai a nossa prece.
1. Pela Igreja, para que, seguindo o exemplo do Bom Samaritano, saiba aproximar-se das feridas da humanidade e seja presença de misericórdia, cuidado e esperança. Rezemos ao Senhor.
2. Pela Família Calabriana, para que permaneça fiel ao carisma recebido e faça da atenção aos pobres, abandonados e sofredores uma expressão concreta da Paternidade de Deus. Rezemos ao Senhor.
3. Pelas crianças, idosos, doentes, pessoas com deficiência, famílias em dificuldade e por todos aqueles cuja vida está marcada pela pobreza, abandono, violência ou solidão, para que encontrem acolhida, proteção e cuidado. Rezemos ao Senhor.
4. Por todos aqueles que trabalham no cuidado da vida — profissionais da saúde, educadores, assistentes sociais, cuidadores, familiares, voluntários, religiosos, religiosas, leigos e colaboradores — para que encontrem força, sabedoria e ternura em sua missão. Rezemos ao Senhor.
5. Por cada um de nós, para que o Senhor nos dê olhos capazes de perceber as feridas, coração capaz de compaixão e mãos disponíveis para cuidar, sem passar indiferentes diante de quem precisa de nós. Rezemos ao Senhor.
Oração diante do símbolo
Abbá, Pai,somente Tu conheces as nossas feridas e as feridas dos irmãos que nos confiaste.
Enfaixa aquilo que está quebrado, enxuga aquilo que chora, protege aquilo que é frágil.
Faze de nós mãos que cuidam, corações que escutam, presenças que não julgam.
Faze com que a Família Calabriana seja lugar onde cada vida é guardada, cada ferida é acolhida, cada pessoa é levantada.
Faze de nós caridade viva no mundo.
Oração a São João Calábria
Ó Deus, nosso Pai, vos louvamos pela providência com que conduzis o universo e a nossa vida. Agradecemos-vos pelo dom da santidade evangélica que concedestes ao vosso servo São João Calábria. Animados pelo seu exemplo, colocamos em Vós todas as nossas preocupações, desejando que aconteça em nós o vosso Reino. Dai-nos o vosso Espírito, para que torne o nosso coração disponível à vossa vontade. Fazei que amemos os irmãos, sobretudo os mais pobres e abandonados, para chegar um dia, juntamente com eles, à alegria eterna, onde nos esperais com Jesus, vosso Filho e Nosso Senhor. Pela intercessão de São João Calábria, concedei-nos a graça que agora com confiança vos pedimos...São João Calábria, rogai por nós!
—--
Agradecemos por rezar conosco.
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