Novena da Família Calabriana - dia 4 | A mansidão: relações pacificadas
Novena a São João Calábria 2026
24.09.2026 17:09:16 | 8 minutos de leitura

DIA 4 — A MANSIDÃO: RELAÇÕES PACIFICADAS
Símbolo: a água que passa de mão em mão
O poço permanece no centro, cercado pelos elementos acrescentados nos dias anteriores. Hoje, dele se retira uma jarra transparente cheia de água.
A água representa a mansidão que flui, pacifica e não fere. É límpida, silenciosa e capaz de dar vida.
O símbolo recorda que a mansidão não nasce simplesmente do esforço humano. Ela vem da Fonte. É dom do Abbá que, acolhido no coração, transforma nosso modo de falar, agir e nos relacionar.
Gesto
Uma pessoa aproxima-se do poço, pega a jarra com água e a entrega a outro representante da Família Calabriana.
A jarra passa de mão em mão. Cada pessoa a segura por alguns instantes, em silêncio, e depois a entrega à pessoa seguinte.
Podem participar representantes de diferentes idades, vocações, comunidades e serviços.
Ao final, a jarra retorna ao poço.
Enquanto o gesto é realizado, pode-se proclamar:
Hoje retiramos do poço do Abbá a água da mansidão: é o símbolo das relações pacificadas que nascem do coração do Pai. A água é límpida, não fere, não se impõe, não faz ruído: flui e dá vida.
Passando a jarra de mão em mão, reconhecemos que a mansidão não é somente um esforço pessoal, mas um dom recebido e partilhado. Somente quem se deixa saciar pelo Abbá pode tornar-se fonte de paz para os irmãos.
Introdução
No primeiro dia, reconhecemos Deus como Abbá.No segundo, aprendemos a confiar na Providência.No terceiro, descobrimos que, por termos um único Pai, somos uma só família.
Hoje damos mais um passo: perguntamo-nos como os filhos do Abbá se relacionam entre si.
A resposta que encontramos no Evangelho é a mansidão.
A mansidão não é fraqueza, passividade ou incapacidade de tomar posição. É uma força interior que nasce de um coração pacificado em Deus. É a capacidade de permanecer firme sem ferir, de dizer a verdade sem humilhar, de enfrentar os conflitos sem transformar o outro em inimigo.
Jesus se apresenta como “manso e humilde de coração”. Portanto, a mansidão não é um aspecto secundário da vida cristã: é um modo de ser que manifesta o próprio coração de Cristo.
São João Calábria compreendeu que uma família não se constrói apenas pela proximidade física ou por um projeto comum. É necessário aprender a cuidar das relações.
Na Família Calabriana, a fraternidade torna-se concreta quando nossas palavras, gestos, decisões e atitudes são atravessados pela mansidão.
Somos filhos do mesmo Pai. Por isso, somos chamados a aprender relações pacificadas.
Palavra de Deus - Mateus 11,28-30
“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso.Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa vida.Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
Jesus não diz apenas: “escutai o que eu ensino”. Ele diz: “aprendei de mim”.
A mansidão é aprendida contemplando o modo como Jesus vive e se relaciona.
Ele não confunde mansidão com indiferença. Sabe denunciar a injustiça, corrigir, tomar posição e defender os pequenos. Entretanto, sua força nunca nasce do desejo de destruir o outro.
Jesus é manso porque seu coração está inteiramente apoiado no Pai.
É justamente por isso que pode oferecer descanso aos cansados e oprimidos.
Quem vive constantemente em guerra consigo mesmo dificilmente conseguirá oferecer paz aos outros. Quem, ao contrário, encontra no Abbá a própria segurança não precisa impor-se, vencer sempre ou defender continuamente o próprio espaço.
A mansidão nasce de um coração que encontrou casa em Deus.
ECO CALABRIANO
São João Calábria insistia sobre a importância da mansidão e da caridade nas relações, especialmente dentro da comunidade:
“A mansidão é uma virtude tão necessária, especialmente para nós, que devemos tratar com tantas pessoas e de tantos caracteres diferentes. Devemos procurar imitar Jesus Cristo, que disse: ‘Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração’.” (São João Calábria)
A mansidão, para São João Calábria, não pode ser separada da caridade. Ela se manifesta concretamente na maneira como olhamos, falamos, corrigimos, acolhemos e suportamos uns aos outros.
Reflexão do dia
A água passa de mão em mão.
Ninguém a segura para sempre. Ninguém é proprietário dela. Cada pessoa recebe e entrega.
É uma imagem simples, mas muito expressiva daquilo que acontece com a mansidão.
A mansidão vem da Fonte.
Não somos nós que a produzimos sozinhos. Primeiro precisamos recebê-la. Precisamos deixar que o Abbá pacifique aquilo que está agitado dentro de nós.
Há palavras que ferem porque nasceram de um coração ferido.Há respostas duras que escondem cansaço, medo ou insegurança.Há silêncios que não são paz, mas distância.Há conflitos que se prolongam porque ninguém quer dar o primeiro passo.Há relações nas quais desejamos mais vencer do que compreender.
Jesus nos convida a outro caminho: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”
Ser manso não significa concordar com tudo.
Não significa esconder problemas.Não significa aceitar injustiças.Não significa renunciar à verdade.
A mansidão diz respeito ao modo como vivemos tudo isso.
Podemos dizer a verdade e ferir.Podemos dizer a mesma verdade e ajudar o outro a crescer.Podemos corrigir para demonstrar que temos razão.Podemos corrigir porque amamos.Podemos entrar em um conflito para vencer.Podemos entrar no mesmo conflito para procurar juntos um caminho.
A diferença está no coração.
Por isso, antes de mudar as nossas palavras, precisamos permitir que o Abbá transforme aquilo que existe dentro de nós.
A água que hoje passa de mão em mão é límpida.
Assim deveriam ser nossas relações.
Relações nas quais não existam segundas intenções, julgamentos escondidos ou palavras que circulam pelas costas.
A água também não faz ruído para cumprir sua missão.
Assim é a mansidão.
Não precisa aparecer. Muitas vezes se manifesta em pequenos gestos: esperar antes de responder, escutar até o fim, não devolver uma palavra dura, pedir perdão, aproximar-se novamente, acolher uma fragilidade, dar ao outro uma nova oportunidade.
Esses gestos podem parecer pequenos, mas constroem uma família.
E isto é especialmente importante para a Família Calabriana.
Podemos realizar muitas obras, desenvolver projetos, organizar atividades e anunciar grandes valores. Mas, se nossas relações não manifestarem aquilo que anunciamos, alguma coisa estará faltando.
A primeira missão começa entre nós.
A fraternidade torna-se credível quando quem se aproxima de nossas comunidades percebe que ali as pessoas procuram amar-se, respeitar-se, perdoar-se e cuidar umas das outras.
Não porque não existam conflitos, mas porque o conflito não tem a última palavra.
A última palavra pertence à comunhão.
A jarra, depois de passar por muitas mãos, retorna ao poço.
Também nós precisamos retornar continuamente à Fonte.
Porque somente quem bebe da mansidão do Abbá pode tornar-se fonte de paz para os irmãos.
Para refletir e partilhar
Como costumo reagir quando sou contrariado, criticado ou ferido: com mansidão ou procurando imediatamente defender-me e responder?
Existe alguma relação em minha vida ou em minha comunidade que hoje necessita de um gesto concreto de reconciliação, escuta ou perdão?
O que podemos mudar em nossas palavras e atitudes para que nossas comunidades sejam verdadeiramente lugares de relações pacificadas?
Intenções
Ao Abbá, Pai manso e misericordioso, que em Jesus nos revela o caminho das relações pacificadas, apresentemos confiantes as nossas preces, rezando juntos:Abbá! Pai! Escutai a nossa prece.
1. Pela Igreja, para que seja no mundo instrumento de reconciliação e saiba anunciar a verdade com mansidão, acolhendo, escutando e construindo pontes entre as pessoas e os povos. Rezemos ao Senhor.
2. Pela Família Calabriana, para que a fraternidade seja cultivada por meio de relações sinceras, humildes e pacificadas, e nossas comunidades sejam sinais visíveis da ternura do Abbá. Rezemos ao Senhor.
3. Pelos povos marcados pela guerra, pela violência, pelo ódio e pelas divisões, para que prevaleçam o diálogo, a reconciliação, a justiça e a busca sincera da paz. Rezemos ao Senhor.
4. Por nossas comunidades, famílias, obras e ambientes de missão, especialmente onde existem conflitos, incompreensões ou feridas, para que tenhamos a coragem de dar o primeiro passo em direção ao perdão e à reconciliação. Rezemos ao Senhor.
5. Por cada um de nós, para que aprendamos de Jesus, manso e humilde de coração, a escutar antes de julgar, compreender antes de responder e amar mesmo quando o caminho da fraternidade exige paciência e renúncia. Rezemos ao Senhor.
Oração diante do símbolo
Abbá, Pai, hoje retiramos do teu poço a água da mansidão.
Somente tu podes tornar límpido o nosso coração, somente tu podes acalmar as nossas tensões, somente tu podes ensinar-nos relações que não ferem.
Faze com que esta água se torne paz em nossas palavras, doçura em nossos gestos, paciência em nossas esperas, ternura em nossas feridas.
Faze de nós filhos que não respondem com dureza, irmãos que não julgam, irmãs que não ferem.
Abbá, Pai, faze fluir em nós a tua mansidão e faze de nós construtores de comunhão em tua Família.
Oração a São João Calábria
Ó Deus, nosso Pai, vos louvamos pela providência com que conduzis o universo e a nossa vida. Agradecemos-vos pelo dom da santidade evangélica que concedestes ao vosso servo São João Calábria. Animados pelo seu exemplo, colocamos em Vós todas as nossas preocupações, desejando que aconteça em nós o vosso Reino. Dai-nos o vosso Espírito, para que torne o nosso coração disponível à vossa vontade. Fazei que amemos os irmãos, sobretudo os mais pobres e abandonados, para chegar um dia, juntamente com eles, à alegria eterna, onde nos esperais com Jesus, vosso Filho e Nosso Senhor. Pela intercessão de São João Calábria, concedei-nos a graça que agora com confiança vos pedimos...São João Calábria, rogai por nós!
—--
Agradecemos por rezar conosco.
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