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Novena da Família Calabriana - dia 3 | Uma só família

Novena a São João Calábria 2026

24.09.2026 16:58:53 | 10 minutos de leitura

Novena da Família Calabriana - dia 3 | Uma só família

DIA 3 — UMA SÓ FAMÍLIA

Símbolo: as identidades que convergem para o poço

O poço no deserto permanece no centro, recordando que o Abbá é a Fonte da vida. Ao seu redor já estão as pedras e as tigelas dos dias anteriores.

Neste terceiro dia, representantes da comunidade levam objetos que expressem as diferentes idades, histórias, vocações e realidades presentes na Família Calabriana e na Igreja: uma bengala de idoso, uma mamadeira ou pequeno brinquedo, uma mochila, uma bola, um estetoscópio, instrumentos de trabalho, um livro, uma foto de família, as chaves de casa, um breviário...

Os objetos são diferentes porque diferentes são as nossas histórias. Todos, porém, convergem para o mesmo poço.

O símbolo recorda que o Pai acolhe cada história, cada idade e cada vocação. Diante do Abbá, descobrimos que pertencemos a uma só família.

Gesto

Alguns representantes da comunidade aproximam-se do poço trazendo os diferentes objetos e os depositam ao seu redor.

Podem participar crianças, jovens, adultos, idosos, famílias, religiosos, religiosas, leigos, colaboradores e representantes das diferentes expressões da Família Calabriana.

Enquanto os objetos são colocados, pode-se proclamar:

Hoje levamos ao poço do Abbá os símbolos das nossas identidades: idades diferentes, histórias diferentes, vocações diferentes, trabalhos diferentes. Tudo é colocado diante do Abbá, porque Ele é a Fonte da vida para todos, sem distinção.

Diante deste poço ninguém é maior ou menor, ninguém é mais importante ou menos importante. O Pai atrai todos a si, acolhe todos, ama todos. N'Ele nos reconhecemos irmãos e irmãs: uma só Família, nascida do coração do Abbá.

Introdução

No primeiro dia, contemplamos o rosto do Abbá e redescobrimos a nossa identidade de filhos.

No segundo, aprendemos a confiar em sua Providência.

Hoje descobrimos a consequência mais bela: se Deus é Pai de todos, então o outro é meu irmão, minha irmã.

Paternidade, Providência e Fraternidade são o coração da espiritualidade calabriana. Não podem ser separadas.

Se dizemos que Deus é Pai, mas não reconhecemos o outro como irmão, falta algo de essencial. Se Deus é Pai, o outro não pode ser simplesmente “o outro”: é parte da minha vida, da minha história, da minha família.

São João Calábria viveu assim. A descoberta da Paternidade de Deus o levava a sentir-se irmão de todos, sobretudo dos pequenos, dos pobres e dos abandonados. Sua fraternidade não era apenas um sentimento: era um modo de olhar, de se aproximar, de escutar e de servir.

Em cada pessoa, reconhecia a dignidade de filho de Deus.

Da Paternidade nasce a fraternidade.

É aqui que se fundamenta a Família Calabriana: vocações diferentes, culturas diferentes, trabalhos diferentes, histórias diferentes, mas uma só Fonte, um só Pai.

Palavra de Deus - 1 João 4,7-12

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus: todo aquele que ama foi gerado por Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conheceu a Deus, porque Deus é amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho unigênito, para que tivéssemos a vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.
Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor é perfeito em nós.”

A Palavra nos revela que Deus não se limita a amar: Deus é amor.

Sua paternidade não se expressa por uma autoridade que esmaga, mas por um amor que se doa. A iniciativa é sempre de Deus: Ele nos amou primeiro e, porque fomos alcançados por esse amor, podemos amar.

Há ainda uma afirmação particularmente forte: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós.”

A invisibilidade de Deus torna-se visível no amor fraterno.

Não podemos encontrar o Pai ignorando seus filhos.

A fraternidade, portanto, não é apenas uma atitude de convivência ou uma forma de solidariedade. Quando amamos o irmão e a irmã, especialmente os mais pobres, oferecemos espaço para que Deus habite entre nós e torne visível o seu amor.

Somos chamados a tornar-nos o corpo por meio do qual o amor do Pai continua a tocar a vida das pessoas.

ECO CALABRIANO

São João Calábria via a fraternidade como consequência concreta de nossa condição de filhos do mesmo Pai:

“Vivamos na caridade sincera, amemo-nos uns aos outros. Somos filhos de um mesmo Pai que está nos Céus; somos todos irmãos em Cristo que nos redimiu; somos todos uma única família, a família de Deus.” (L’AMICO 6008/A – Festa dos Ramos, 25-3-1945)

E insistia:

“Façamos de tudo para que reine em nossos corações uma caridade semelhante à de Jesus.

O Apóstolo São João, chegando quase ao fim de seus dias, não fazia outra coisa senão recomendar aos seus discípulos: ‘Amai-vos, ó filhinhos, amai-vos uns aos outros’. Os discípulos, cansados de ouvir sempre as mesmas palavras, um dia lhe disseram: ‘Agora já sabemos de cor, basta repeti-lo’. ‘Não, não’, respondeu o grande Apóstolo, ‘enquanto eu tiver vida, continuarei sempre a recordar-vos isso, porque é preceito de Deus, e este, quando observado, conduz o homem ao seu fim último’.

Meus irmãos, deixai que eu faça minhas estas palavras e que também eu vos diga: Irmãos, amai-vos, amai-vos uns aos outros.

O Senhor nos deixou a sua imagem no próximo, e nós, amando o próximo, amamos a Deus. Quando nos aproximamos de um pobre que sofre, quando damos o beijo do perdão a um inimigo, quando consolamos um aflito, nós amamos a Deus, alegramos Jesus.” (PREGAÇÕES DIVERSAS 5639 – 22-2-1906, Amor de Deus e do próximo)

Reflexão do dia

Ao redor do poço começam a aparecer muitos objetos.

Uma bengala. Uma mochila. Um brinquedo. Uma bola. Um instrumento de trabalho. Uma fotografia. Um breviário. Chaves de uma casa.

Cada objeto traz consigo uma história.

O poço, porém, é o mesmo.

Esta imagem nos ajuda a compreender a Família Calabriana. Não somos iguais e não precisamos ser iguais para sermos família. Temos idades, vocações, culturas, responsabilidades, sensibilidades e histórias diferentes.

Aquilo que nos une não é a uniformidade.

Aquilo que nos une é o Abbá.

A Paternidade de Deus permite que a diversidade deixe de ser ameaça e se transforme em riqueza. Diante do mesmo Pai, cada pessoa conserva sua identidade e, ao mesmo tempo, descobre uma nova relação com quem está ao seu lado: é meu irmão, é minha irmã.

Por isso, a fraternidade cristã não nasce simplesmente da simpatia. Há pessoas com as quais temos maior afinidade e outras com as quais a convivência pode ser mais difícil. Se a família dependesse somente da afinidade, seria sempre frágil.

A fraternidade nasce de algo mais profundo: somos filhos do mesmo Pai.

São João Calábria compreendeu esta verdade de maneira concreta. O pobre, o abandonado, a criança sem família, quem sofria no corpo ou no espírito não eram simplesmente pessoas a serem assistidas. Eram irmãos. Eram membros da família de Deus.

Esta visão muda a maneira de olhar para o outro.
O pobre deixa de ser apenas destinatário de uma ajuda.
O idoso deixa de ser alguém que já não produz.
A criança deixa de ser apenas alguém que precisa ser educado.
O doente deixa de ser reduzido à sua enfermidade.
O colaborador deixa de ser apenas uma função.
O religioso ou a religiosa deixam de ser definidos somente pelo ministério que exercem.
O leigo deixa de ser considerado apenas alguém que auxilia uma atividade.
Antes de tudo, somos filhos. E, porque somos filhos, somos irmãos e irmãs.

Aqui está uma pergunta decisiva para a Família Calabriana: que tipo de família somos chamados a ser para que quem nos encontra possa sentir que Deus é Pai?

Talvez o mundo não precise, antes de tudo, de uma explicação sobre a Paternidade de Deus.

Talvez precise de lugares onde ninguém seja apenas um número.

Lugares onde o fraco não incomode.
Lugares onde quem cai não perca o seu nome.
Lugares onde o pobre possa sentir-se em casa.
Lugares onde uma pessoa possa dizer:

“Aqui posso respirar. Aqui minha vida tem valor. Aqui alguém me espera.”

Quando isso acontece, a palavra Abbá torna-se credível.

O poço que está diante de nós recorda justamente isso: todos nos aproximamos da mesma Fonte. Ninguém possui a água somente para si. Ninguém pode declarar-se proprietário da Fonte.

Somos diferentes, mas temos o mesmo Pai.

Uma só Fonte. Um só Pai. Uma só família.

Para refletir e partilhar

Consigo reconhecer verdadeiramente como irmão ou irmã quem é diferente de mim por idade, vocação, cultura, condição social ou maneira de pensar?

Em nossas comunidades e atividades, existem pessoas que correm o risco de se sentir apenas um número, uma função ou alguém que está à margem?

O que podemos fazer concretamente para que nossas presenças Calabrianas sejam lugares onde cada pessoa possa sentir: “Aqui sou acolhido. Aqui minha vida tem valor. Aqui sou família”?

Intenções

Ao Abbá, Pai de todos, que em seu amor nos reúne como uma só família, apresentemos confiantes as nossas preces, rezando juntos:
Abbá! Pai! Escutai a nossa prece.

1. Pela Igreja, para que, reunindo povos, culturas e vocações diferentes, seja no mundo uma família capaz de testemunhar que todos são filhos amados do mesmo Pai. Rezemos ao Senhor.

2. Pela Família Calabriana presente nos diferentes países e continentes, para que a diversidade de vocações, culturas e serviços seja vivida como riqueza e todos cresçam na consciência de pertencer à mesma família. Rezemos ao Senhor.

3. Pelos pobres, abandonados, migrantes, idosos, crianças, doentes e por todos aqueles que experimentam solidão ou exclusão, para que encontrem comunidades capazes de acolhê-los como irmãos e irmãs. Rezemos ao Senhor.

4. Por nossas comunidades religiosas, famílias, obras, paróquias, missões, colaboradores, leigos e por todas as expressões do Carisma Calabriano, para que ninguém seja reduzido à função que exerce, mas seja reconhecido em sua dignidade de filho de Deus. Rezemos ao Senhor.

5. Por cada um de nós, para que aprendamos a superar preconceitos, distâncias e indiferenças e reconheçamos no rosto de cada pessoa a imagem de um irmão ou de uma irmã que o Pai colocou em nosso caminho. Rezemos ao Senhor.

Oração diante do símbolo

Abbá, Pai,
 eis-nos diante do teu poço
 com os símbolos das nossas vidas.

Tu conheces cada idade,
 cada história,
 cada ferida,
 cada dom.

Tu acolhes a criança e o idoso,
 o trabalhador e o estudante,
 o doente e o forte,
 o consagrado e a família.

Faze com que diante de Ti
 ninguém se sinta excluído,
 ninguém se sinta melhor,
 ninguém permaneça sozinho.

Faze de nós uma só Família:
 capaz de reconhecer a beleza da diversidade,
 capaz de guardar cada rosto,
 capaz de amar sem medida.

Abbá, Pai,
 tu és a Fonte que nos une:
 faze com que, em teu coração,
 nos tornemos verdadeiramente irmãos e irmãs.

Oração a São João Calábria

Ó Deus, nosso Pai, vos louvamos pela providência com que conduzis o universo e a nossa vida. Agradecemos-vos pelo dom da santidade evangélica que concedestes ao vosso servo São João Calábria. Animados pelo seu exemplo, colocamos em Vós todas as nossas preocupações, desejando que aconteça em nós o vosso Reino. Dai-nos o vosso Espírito, para que torne o nosso coração disponível à vossa vontade. Fazei que amemos os irmãos, sobretudo os mais pobres e abandonados, para chegar um dia, juntamente com eles, à alegria eterna, onde nos esperais com Jesus, vosso Filho e Nosso Senhor. Pela intercessão de São João Calábria, concedei-nos a graça que agora com confiança vos pedimos...
São João Calábria, rogai por nós!

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