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Novena a São João Calábria - Quarto dia

Novena 2025

01.10.2025 23:59:00 | 8 minutos de leitura

Novena a São João Calábria - Quarto dia

TEMA: TESTEMUNHAS

A justiça do Reino: promover dignidade para todos. O Pai nunca abandona ninguém.

EVANGELHOS VIVOS

Não seja somente escrito:
‘‘Buscai em primeiro lugar”,
o Reino de Deus, sua justiça
e o resto Deus proverá.’’

/: Sejamos Evangelhos vivos,
Evangelhos vivos.
Viver o amor que Deus tem por nós
a serviço do irmão.:/

O homem procura caminho,
buscando o farol que conduz;
pra Ele não andar sozinho,
mostremos o brilho da luz.

Texto Bíblico: Lc 12,6-7

Magistério da Igreja

A justiça do Reino consiste em promover dignidade para todos. Para compreendermos essa justiça, recordemos a parábola narrada por Jesus sobre os trabalhadores contratados para a vinha em horários diferentes, mas que receberam todos o mesmo salário. O dono da vinha dispunha de seus bens como bem entendia e, por isso, com toda liberdade acordou o mesmo valor para todos os contratados.

Percebe-se, então, a surpresa: uns sentiram-se injustiçados, outros se reconheceram abençoados. Levando essa lógica para a Criação, recordamos que o Criador, ao concluir sua obra no sexto dia, viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). Contudo, Adão e Eva, seduzidos pelo desejo de poder, iniciaram um processo de desordem no belo Jardim do Éden. A partir daí, a humanidade substituiu o “guardar” pelo “cultivar” a Terra de modo distorcido.

“Guardar” significa proteger, cuidar, preservar, velar. Implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza (Papa Leão XIV). Ao escolherem o poder, Adão e Eva passaram a cultivar a Terra apenas para sua própria subsistência. Esse desejo permanece até hoje e se reflete no que acontece com a nossa Casa Comum, onde predomina a busca pelo lucro desenfreado em detrimento do bem-estar de todos.

A questão climática é hoje um dos maiores sinais desse desvio. Ela não pode ser reduzida a um problema ecológico, mas deve ser vista como um drama social global, intimamente ligado à dignidade da vida humana.

Os bispos dos Estados Unidos expressaram bem: “O nosso cuidado pelo outro e o nosso cuidado com a terra estão intimamente ligados. As alterações climáticas são um dos principais desafios que a sociedade e a comunidade global têm de enfrentar. Os efeitos recaem, sobretudo, sobre os mais vulneráveis, tanto a nível nacional como mundial.”

Afirmaram também, de forma clara, os bispos reunidos no Sínodo para a Amazônia: “Os ataques à natureza têm consequências na vida dos povos.”

E, para sublinhar que não se trata de uma questão secundária ou ideológica, mas de um drama que prejudica a todos, os bispos africanos declararam: “As alterações climáticas evidenciam um exemplo chocante de pecado estrutural.” (Laudato Si’, n. 5).

Testemunho: O caminho de Petro – Quando a arte se torna voz e inclusão

Há cerca de três anos, trabalho em uma escola de formação profissional dedicada a jovens com deficiências complexas. Foi nesse contexto que conheci Petro, um jovem com autismo que, no ano passado, concluiu seu percurso formativo em nossa escola.

Desde o primeiro ano, Petro revelou uma surpreendente habilidade na produção gráfica. O desenho, para ele, não era apenas uma atividade escolar, mas uma verdadeira linguagem de expressão. Por isso, além do programa didático regular, optamos por envolvê-lo em oficinas artísticas extracurriculares promovidas pela escola, pensadas para favorecer a inclusão e oferecer aos jovens espaços criativos onde pudessem se expressar livremente.

Atendendo à sua necessidade comunicativa e expressiva, e com o pleno apoio de sua família, propusemos a Petro que participasse de um projeto especial: um laboratório artístico partilhado com estudantes do Liceu Artístico Estatal de Verona, inserido nos PCTO (Percursos para as Competências Transversais e para a Orientação). O objetivo era claro: criar uma ocasião de encontro, confronto e crescimento através da arte.

Petro viveu essa experiência com grande dedicação e continuidade. O desenho se revelou para ele um instrumento poderosíssimo, capaz de derrubar – ainda que em parte – as barreiras comunicativas próprias do autismo. Seus trabalhos, em especial as reproduções de quadros famosos, foram muito apreciados entre seus colegas. Estes souberam reconhecer e valorizar seu talento, criando ao seu redor um clima de acolhida e respeito que reforçou seu senso de pertencimento ao grupo.

Essa experiência contribuiu de forma significativa não apenas para sua inclusão social, mas também para um importante processo de afirmação pessoal.

Um dos momentos mais marcantes de seu percurso foi a participação no concurso nacional Desenhamos a sorte, promovido pela Agência das Alfândegas, para ilustrar os bilhetes da Lotaria Itália. Graças a essa oportunidade, Petro pôde realizar uma exposição pessoal e presentear sua versão da Mona Lisa ao Presidente da República, Sergio Mattarella. Um gesto simbólico, mas também profundamente concreto, que mostra como a arte pode se tornar ponte entre as pessoas, valorizando a diversidade como riqueza.

Todo esse percurso teve um impacto profundo em seu desenvolvimento pessoal e relacional. Demonstrou como, quando adequadamente apoiados, os potenciais dos jovens com autismo podem emergir com força, tornando-se não apenas instrumento de crescimento individual, mas também testemunho vivo do poder da inclusão.

Contar a história de Petro significa testemunhar o quanto é fundamental acreditar nos talentos das pessoas com deficiência, oferecendo-lhes espaços, oportunidades e relações autênticas em que possam florescer. As obras que ele realizou não são apenas produtos artísticos: são marcas de uma jornada, pessoal e coletiva, prova concreta de que a arte, quando vivida como experiência partilhada, pode realmente transformar vidas.

O encontro com Petro foi, para mim, uma experiência de profundo crescimento, cheia de satisfações e de enriquecimento humano e artístico. Agradeço-lhe sinceramente pelo caminho compartilhado e por tudo o que, com sua sensibilidade e talento, soube transmitir-me. 

Erika Garbin

Palavras de São João Calábria:

“Não nos esqueçamos que a nossa Obra quer mostrar ao mundo que a divina Providência existe, que Deus não é um estrangeiro, mas que é Pai e cuida de nós, desde que pensemos n’Ele e façamos a nossa parte, ou seja, buscar o santo Reino de Deus. Como estou eu buscando o santo Reino de Deus?” (Carta aos Religiosos – 19 de março de 1933).

Reflexão

“A justiça do Reino se manifesta no agir de Deus, o dono da vinha que cumpre a palavra e atende a todos, convidando a atitudes novas. Trabalhar em sua vinha, o Reino de Deus, não torna uns mais merecedores que outros. Cada um de nós, com a própria história, seguindo a justiça do Reino, entra na dinâmica do amor de Deus, tornando-se também objeto de sua bondade e misericórdia.” (A justiça do Reino, Pe. Paulo Bazaglia, ssp).

Para nós, Família Calabriana, esta deve ser a nossa segurança: a fé na certeza de que o Pai nunca abandona ninguém. Em nossa Família, cada vocação – sacerdotal, religiosa ou leiga – é um dom que a enriquece. Somos todos guardiões e corresponsáveis pelo patrimônio carismático, e juntos testemunhamos o carisma em sua totalidade.

Segundo a Igreja, “tudo está interligado”; por isso, a nossa missão nos faz “guardiões da Casa Comum”. Este chamado nos torna homens e mulheres participantes de uma Igreja samaritana, misericordiosa e solidária; uma Igreja encarnada no modo como o Filho de Deus se encarnou: “assumiu as nossas dores e carregou as nossas enfermidades” (Mt 8,17b).

Aquele que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2Cor 8,9), por meio do seu Espírito, exorta os discípulos missionários de hoje a saírem ao encontro de todos, especialmente dos povos originários, dos pobres, dos excluídos e marginalizados.

Desejamos ser também uma Igreja Madalena, que se sabe amada e reconciliada, que anuncia com alegria e convicção Cristo crucificado e ressuscitado. Uma Igreja mariana, que gera filhos para a fé e os educa com afeto e paciência, aprendendo também com as riquezas dos povos. Queremos ser uma Igreja servidora, querigmática, educadora e inculturada, presente no meio dos povos que servimos. (Doc. Final do Sínodo para a Amazônia, n. 22)

Oração

São João Calábria, amigo dos pobres e fiel testemunha do Evangelho, intercede por nós junto ao Pai.

Ensina-nos a viver como cristãos autênticos, sóbrios e confiantes, profetas de esperança e construtores da paz. 

Alcança-nos a graça de cuidar da criação, servir os mais pequenos e anunciar com a vida o amor de Cristo.

O mundo precisa ver o Evangelho na prática: faze de nós, teus filhos e filhas, luzes que brilham na noite, para que todos encontrem em Jesus a verdadeira paz. Amém.

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