Novena a São João Calábria - Terceiro dia
Novena 2025
30.09.2025 23:59:00 | 8 minutos de leitura

TEMA: FIÉIS AOS ÚLTIMOS
O cuidado e o serviço aos “descartados” e vulneráveis
O PAI NOS AMA
/: O Pai nos ama agora eu sei,chegou por tanto a minha vez.Meu Deus é pai, é amor, é irmão,eu vou viver a minha vocação. :/
Eu vou amar os pobres, porque o Pai nos ama.Eu vou me converter, porque o Pai nos ama.Vou ser mais irmão, porque o Pai nos ama.Viver a comunhão, porque o Pai nos ama.
Texto Bíblico: Mt 25,34-45
Magistério da Igreja
“As preferências dos Pobres Servos sejam sempre pelos lugares e atividades onde ‘não exista nada de se esperar humanamente’, para os mais pobres, a fim de que esta escolha manifeste o maior cuidado paterno da Divina Providência por todos os seus filhos.” (Constituições N. 27).
Pertencer à Família Calabriana, seja em qualquer estado de vida, é sempre uma opção; porém, o cuidado e o serviço aos “descartados” e vulneráveis será sempre um dever calabriano.
Talvez, como Família, ainda não tenhamos plena consciência de que “entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7)” (Laudato Si’, n. 2).
A nossa missão evangelizadora, ou é transformadora, ou não é missão. “Cuidar, reconciliar, transformar” são ações essenciais da Espiritualidade Calabriana e têm o poder de transformar vidas. Mas de que vale transformar vidas se, depois, estas não encontram um lugar onde possam se reconstruir, já que a Casa Comum continua sendo vilipendiada para benefício próprio de uma minoria?
Nosso serviço aos descartados não pode ser pela metade. É fundamental escutar e atender o grito dos pobres e da Terra. “Essa voz compromete a Igreja com a profecia, mesmo quando isso exige a ousadia de nos opor ao poder destrutivo dos príncipes deste mundo. A aliança indestrutível entre o Criador e as criaturas, de fato, mobiliza nossas inteligências e nossos esforços, para que o mal se transforme em bem, a injustiça em justiça, a avareza em comunhão.” (Papa Leão XIV)
Testemunho sobre os meninos em dificuldade
História de um dos muitos meninos de rua que a Obra encontra no dia a dia e de quem se ocupa nas várias realidades onde estamos presentes. São pessoas em situação de risco que não podem ser deixadas sem o nosso olhar.
Basta observar com atenção para perceber que os corpos desses meninos falam de cansaço, violência, agressão. Em seus rostos, mãos e braços, pés e pernas, há uma série de cicatrizes. Muitas pequenas feridas resultantes de acidentes, castigos infligidos em família, brigas entre rivais nas ruas. Corpos marcados, feridos pela vida, que a maioria de nós tem quase medo de se aproximar e, mais ainda, de tocar. Como novos leprosos, portadores de uma “impureza”, representam uma visão intolerável da qual muitos se afastam, quase temerosos de um possível contágio.
Vadim tem treze anos e há quatro ou cinco vive na rua. O motivo? Difícil saber. Quando tinha nove anos, numa noite em que dormia enrolado em sua coberta empoeirada, tentando se proteger do frio impiedoso, foi atacado por um dos tantos andarilhos que vagam pelas ruas à noite, enlouquecidos pela droga ou pelo álcool. Esse homem o cobriu com um líquido inflamável e ateou fogo. Sua reação imediata o salvou do pior, mas agora o lado direito de seu rosto e corpo estão deformados pelas marcas da queimadura. Ainda assim, seu sorriso permanece aberto e os olhos sempre carregam um olhar confiante. Só depois de um dia de chuva, passado sem conseguir encontrar um cliente e sem ganhar nada que lhe permita comprar um pouco de comida, é que se nota em seu olhar um apagamento, e até o lado esquerdo do rosto se transforma numa expressão de tristeza.
Pois bem, na noite passada, enquanto dormia seu sono inquieto tentando escapar da umidade desses dias, uma patrulha da polícia, passando perto de seu “abrigo” noturno, o agarrou pelas pernas, colocou-o no carro e o levou para a central. Lá, por um tempo, perguntaram seus dados pessoais; em seguida, bateram nele, atingindo suas costas com cassetetes e com o dorso de suas catane (grandes facões). Na prática, “brincaram” um pouco com ele. Depois, tomaram seus poucos pertences, incluindo a graxa para engraxar sapatos, as poucas moedas que tinha e, após obrigá-lo a limpar o chão e o banheiro, o jogaram de volta à rua. Agora ele me pede para comprar novamente a graxa preta, a mais usada. “Mas depois”, me garante, “com o que eu ganhar, vou te devolver o valor.”
Se os olhamos distraidamente, de longe, todos parecem iguais: a mesma poeira, os mesmos trapos, a mesma busca desesperada pela sobrevivência, a mesma fome voraz de comida e de alegria. Mas quanto mais nos aproximamos, dizemos seus nomes e olhamos em seus olhos, descobrimos a variedade de sentimentos que carregam, a pluralidade de esperanças, os diferentes medos e dúvidas que os oprimem. Só o futuro lhes aparece nebuloso, como um país distante do qual não sabem se chegarão a entrar. Em alguns, a vida grita; em outros, parece silenciar em espera. Às vezes, seus gestos expressam perguntas que não encontram palavras; outras vezes, as palavras se apagam em sua boca e não resta senão inclinar a cabeça e esperar que o sol volte a nascer.
Irmão Carlo Toninello
Palavra de São João Calábria:
“Nosso espírito é aquele que o divino Fundador imprimiu desde os primeiros anos e desenvolveu nestes 40 anos de vida da Obra: espírito de humildade, de desapego dos bens da terra, de busca do Reino, de abandono filial à santa Providência, sem procurar proteções humanas. Estas virão sozinhas, contanto que nós não as busquemos.
Almas, almas! Eis o nosso programa. E as almas dos pobres, dos humildes, dos abandonados: essas são as pérolas preciosas nas quais se enriquece a Obra dos Pobres Servos.” (Carta aos Religiosos – Natal de 1947)
Reflexão
“São muitas as vozes que testemunham o compromisso concreto da Obra com os mais pobres e necessitados. Nos momentos mais difíceis, multiplicaram-se as iniciativas para responder às novas formas de pobreza, na confiança e no abandono à Providência. Reconhece-se a dedicação e generosidade de tantos religiosos, religiosas e leigos que ‘sujam as mãos’ no serviço aos pobres” (Doc. Final, p. 18).
O cuidado com os pobres e desvalidos é o cuidado com o próprio Cristo (Const. n. 28, c). Hoje, somos uma Obra essencialmente urbana, e isso pode nos levar a esquecer que existem milhares, talvez milhões de outros irmãos, cujos direitos e dignidade são violados e que sofrem violência em seus corpos e mentes, nas periferias das grandes cidades, nas matas, nos campos e nas margens dos rios.
Não se pode falar de quem não é visto. Talvez seja este o momento de a Obra voltar-se para “os invisíveis sociais”, dar-lhes visibilidade e, assim, “facilitar-lhes a descoberta de sua dignidade de filhos de Deus” (Const.).
“Todas as nossas obras são chamadas a ser obras-sinais, fiéis ao que recebemos de São João Calábria, que bebeu do Evangelho a paixão de Jesus pelas coisas do Pai, pelos pequeninos do Reino” (Doc. Final, p. 61).
Nossa atuação como Família Calabriana, especialmente na formação e educação, será decisiva para que as novas gerações sejam mais cuidadosas com toda forma de vida da Criação. Somos obras-sinais, ou seja, exemplos vivos. E os exemplos não nascem de palavras bonitas, mas do nosso jeito de ser e de fazer as coisas acontecerem.
Oração
São João Calábria, amigo dos pobres e fiel testemunha do Evangelho, intercede por nós junto ao Pai.
Ensina-nos a viver como cristãos autênticos, sóbrios e confiantes, profetas de esperança e construtores da paz.
Alcança-nos a graça de cuidar da criação, servir os mais pequenos e anunciar com a vida o amor de Cristo.
O mundo precisa ver o Evangelho na prática: faze de nós, teus filhos e filhas, luzes que brilham na noite, para que todos encontrem em Jesus a verdadeira paz. Amém.
----
LEIA TAMBÉM:
-----
Acompanhe as Notícias da Congregação e da Igreja através do canal no WhatsApp!
O PAI NOS AMA
/: O Pai nos ama agora eu sei,
chegou por tanto a minha vez.
Meu Deus é pai, é amor, é irmão,
eu vou viver a minha vocação. :/
Eu vou amar os pobres, porque o Pai nos ama.
Eu vou me converter, porque o Pai nos ama.
Vou ser mais irmão, porque o Pai nos ama.
Viver a comunhão, porque o Pai nos ama.
Mais em Novena 2025
Novena a São João Calábria - Nono dia06.10.2025 | 6 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Oitavo dia05.10.2025 | 6 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Sétimo dia04.10.2025 | 8 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Sexto dia03.10.2025 | 7 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Quinto dia02.10.2025 | 8 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Quarto dia01.10.2025 | 8 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Segundo dia29.09.2025 | 8 minutos de leitura
Novena a São João Calábria - Primeiro dia28.09.2025 | 5 minutos de leitura