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Novena a São João Calábria - Segundo dia

Novena 2025

29.09.2025 23:59:00 | 8 minutos de leitura

Novena a São João Calábria - Segundo dia

TEMA: PROFETAS

Profetas da Providência – profetas do cuidado de Deus por todas as suas criaturas

Ir lá onde ninguém vai

Ir lá onde ninguém vai,
disposto a se perder,
pra levar um sonho e paz.
Sim! É ali que Deus está
esperando alguém que vá
anunciar o seu amor.
Não temer a solidão que faz
desejar o infinito.
Acolher aquela dor que traz a
certeza de um sentido.
Mergulhar na pequenez do amor
e deixar-se envolver por Deus:
É o que mais pode querer um filho seu.

/: É o amor quem vai dizer
o valor que a vida tem,
Coração quem vai poder sentir
o prazer de amar alguém. :/

Texto Bíblico: Mt 6,25-35

Magistério da Igreja

A Família Calabriana “nasceu de um Carisma vivo e atual, que tem como fonte a Paternidade de Deus, a qual nos torna filhos e filhas, irmãos e irmãs, profetas da Providência e, como tais, profetas do cuidado de Deus por todas as suas criaturas” (Doc. Final do XII Capítulo Geral, 2022, p. 11).

A profecia não é algo banal ou opcional, mas consequência de uma escolha. Ser profetas da Providência é uma opção pessoal e, ao assumi-la, deve-se ter consciência de que a Providência não é exclusiva de um grupo, mas abrange toda a Criação. Os profetas da Providência sabem que “num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das mudanças climáticas, do desmatamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade” (Papa Leão XIV, Mensagem para o 10º Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, 2025).

A profecia é também uma atitude de denúncia. Não basta apenas orar, é necessário dar voz às injustiças, para que todos compreendam que “parece ainda haver uma falta de consciência de que a destruição da natureza não afeta a todos da mesma forma: esmagar a justiça e a paz significa atingir principalmente os mais pobres, os marginalizados, os excluídos. A esse respeito, o sofrimento das comunidades indígenas é emblemático” (Papa Leão XIV).

Ser profetas da Providência significa decidir-se por anunciar o Evangelho. É sempre bom recordar que, para anunciar Jesus Cristo, Ele frequentemente se serviu de parábolas, e “as parábolas com que anunciava o Reino de Deus revelam um profundo vínculo com aquela terra e aquelas águas, com o ritmo das estações e a vida das criaturas” (Papa Leão XIV, Castel Gandolfo, 09/07/2025).

Testemunho de Huambo (Angola)

Aqui, no planalto de Huambo, em Angola, a 2000 metros de altitude, quando se passa cedo pela manhã, encontram-se muitos meninos deitados na calçada, encolhidos sob pedaços de lençóis manchados ou de cobertores empoeirados e infestados de parasitas. Alguns dos mais pequenos podem ser vistos encolhidos, com os joelhos junto ao peito e a cabeça escondida entre as pernas, dentro de suas miseráveis camisetas, como pequenos fetos indesejados ou como conchas jogadas na praia depois de uma noite de tempestade. Mantêm as sandálias debaixo da cabeça, em parte para servirem de travesseiro, mas principalmente para que não lhes sejam roubadas.

Dormir sob um lençol miserável acaba sendo, aos meus olhos, a metáfora de suas vidas expostas a todo imprevisto: uma vida “descoberta”, sem proteção, à mercê dos acontecimentos meteorológicos ou humanos. A primeira virtude que se deve aprender quando se vive na rua é a de saber suportar, de saber aguentar golpes repentinos, tapas e rasteiras com que a vida humana é sempre tão pródiga para com os mais fracos. Saber suportar e depois sempre saber levantar-se e continuar a caminhar, mesmo que o terreno seja áspero e não haja ninguém que se incline para estender-lhe a mão.

Se você se deixa envolver pela vida deles, sente o fedor da miséria, mas ao mesmo tempo percebe o mistério. É como se algo de belo e precioso estivesse enterrado, escondido sob camadas de imundície. Não é sempre fácil estar próximo deles, mas, em certos momentos, acontece de um fragmento daquela beleza vir à tona. É uma espécie de dom que lhe é concedido e que só se pode receber com humilde gratidão.

Vi de repente Armandinho com um pedaço de sabão de lavar roupas na mão. Correu em direção a uma poça um pouco mais funda que as outras. Molhou a cabeça naquela água barrenta e começou, feliz, a se ensaboar. Encontrou o meu olhar. Sorriu, um pouco envergonhado, mas muito mais orgulhoso e satisfeito. Estava contente por poder “lavar” sua pequena cabecinha. Sorri também: eu estava orgulhoso dele.

Às vezes pode parecer que suas vidas rastejam na poeira, mas talvez se encontrem em alturas que apenas o olhar de Deus alcança.

Como é difícil aproximar-se deles, tocar suas feridas, suas chagas, fazê-los sentir que sua vida conta para nós. Como é difícil ir além dos preconceitos e medos, descobrir a pessoa, suas lutas e dores, e tentar carregá-las junto, ainda que ao custo de nos deixarmos tocar e marcar no mais profundo de nós mesmos. Também para eles é difícil deixar-se aproximar, e é árduo vencer a convicção — que interiorizaram — de não serem dignos de um abraço, de não valerem mais que a esmola que recebem, de terem perdido a consciência da própria beleza e amabilidade.

Irmão Carlo Toninello

Palavras de São João Calábria

“Esse espírito, porém, não somos apenas nós que devemos vivê-lo: precisamos manifestar também aos outros o divino atributo da Providência, tão esquecido e desconhecido pelos homens, e manifestá-lo mediante nossas obras, presentes e futuras, as quais, para serem genuínas, devem sempre levar a marca e o selo do ‘não vos angustieis’. Nenhuma obra de bem, nenhuma alma deve ser excluída pelo simples motivo de que faltam os meios. Estes virão, desde que nós recebamos com fé os que nos são enviados e, com fé, nos coloquemos a serviço desta Obra.” (Carta aos Religiosos – 9 de novembro de 1947)

Reflexão

Deus cuida de todos aqueles que Ele criou. O Salmo 145,9 nos recorda: “O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas.” Esta é a nossa “boa notícia” ao mundo.

O cuidado amoroso do Pai, que alcança todas as criaturas, deve ser o motor de nossas atividades, palavras e atitudes. É a base de nossa interdependência com toda a Criação. O cuidado de Deus Pai se torna concreto e visível por meio do nosso cuidado pelos outros e por tudo o que foi criado.

Esse cuidado não deve reduzir-se a algo ocasional, a ações isoladas ou apenas a situações de urgência. Ele precisa brotar do coração, tornando-se permanente, uma verdadeira virtude. Cuidar é expressar carinho, atenção e zelo. Um olhar amoroso é fundamental para não perdermos o encanto nas tarefas do cuidado. Não devemos nos acostumar ou ignorar os aspectos belos da existência, que Deus concede a nós e a cada ser ao nosso redor.

O cuidado de Deus é uma “atenção especial”; assim também deve ser o nosso cuidado com as criaturas. Quando nos deixamos guiar por esse espírito, conseguimos manifestar sensibilidade, criatividade e carinho para com todos.

O cuidado divino não se restringe à dimensão individual: é comunitário e planetário. Como nos recorda o livro da Sabedoria (Sb 11,22-26):

“O mundo inteiro, diante de Ti, é como grão de areia na balança, como gota de orvalho matutino caindo sobre a terra. Todavia, Tu tens compaixão de todos, porque podes tudo, e não levas em conta os pecados dos homens, para que eles se arrependam. Tu amas tudo o que existe e não desprezas nada do que criaste. Se odiasses alguma coisa, não a terias criado. De que modo poderia subsistir algo, se Tu não o quisesses? Como poderia conservar-se, se não o tivesses chamado à existência? Tu, porém, poupas todas as coisas, porque todas Te pertencem, Senhor, amigo da vida.”

Oração

São João Calábria, amigo dos pobres e fiel testemunha do Evangelho, intercede por nós junto ao Pai.

Ensina-nos a viver como cristãos autênticos, sóbrios e confiantes, profetas de esperança e construtores da paz. 

Alcança-nos a graça de cuidar da criação, servir os mais pequenos e anunciar com a vida o amor de Cristo.

O mundo precisa ver o Evangelho na prática: faze de nós, teus filhos e filhas, luzes que brilham na noite, para que todos encontrem em Jesus a verdadeira paz. Amém.

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