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Novena a São João Calábria - Quinto dia

Novena 2025

02.10.2025 23:59:00 | 8 minutos de leitura

Novena a São João Calábria - Quinto dia

TEMA: PACIFICADORES

Paz com Deus Criador, paz com toda a criação

QUERO TE DAR A PAZ

/:Quero te dar
a paz do meu
Senhor, com muito amor.:/

Na flor vejo manifestar
o poder da criação.
Nos teus lábios eu vejo estar
o sorriso de um irmão.
Toda vez que eu te abraço
e aperto a tua mão,
sinto forte o poder do amor
dentro do meu coração.

Texto Bíblico: Gn 1,31

Magistério da Igreja

“O chamado de Adão e Eva a participarem na realização do plano de Deus sobre a criação despertava aquelas capacidades e dons que distinguem a pessoa humana de todas as demais criaturas e, ao mesmo tempo, estabelecia uma relação ordenada entre os homens e toda a criação.

Feitos à imagem e semelhança de Deus, Adão e Eva deveriam exercer o seu domínio sobre a terra (Gn 1,28) com sabedoria e amor. Mas eles, ao contrário, com o próprio pecado destruíram a harmonia existente, colocando-se deliberadamente contra o desígnio do Criador. Isso levou não apenas à alienação do ser humano de si mesmo, à morte e ao fratricídio, mas também a uma certa rebelião da própria terra contra ele (cf. Gn 3,17-19; 4,12).

Toda a criação ficou sujeita à caducidade e, desde então, espera, de modo misterioso, ser libertada para entrar na gloriosa liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21).

[...] A questão ecológica, nos dias de hoje, assumiu tais dimensões que envolve a responsabilidade de todos. Ela não apenas caminha junto com os esforços para construir a paz, mas também os confirma e reforça objetivamente. Ao inserir a questão ecológica no contexto mais amplo da causa da paz na sociedade humana, compreendemos melhor o quanto é importante prestar atenção ao que a terra e a atmosfera nos revelam: existe no universo uma ordem que deve ser respeitada, e o ser humano, dotado da possibilidade de livre escolha, tem uma grave responsabilidade na preservação dessa ordem, também em vista do bem-estar das gerações futuras.

A crise ecológica – mais uma vez repito – é um problema moral.” (São João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1990, nn. 3 e 15)

Testemunho de uma criança da Faixa de Gaza

Abdelrahman (Abdu) é uma criança da Faixa de Gaza. Abdu representa todas as crianças da Faixa de Gaza. Seu pequeno corpo, encolhido em um leito de hospital, sem aquela irrefreável vontade de se mover que todos os meninos de 7 anos deveriam ter, não transmite tranquilidade, tampouco a dor pela cirurgia sofrida no dia anterior. Ao olhá-lo, parece uma fotografia: a representação viva de seu povo, o povo palestino, a quem estão massacrando o presente e assassinando o futuro.

E, no entanto, Abdu deve considerar-se “afortunado”, se a sorte for um copo meio vazio. A força desesperada da mãe, Amna, fez com que Abdu fosse incluído em uma operação humanitária apoiada por diversas entidades. Com ele, no dia 12 de junho, chegaram à Itália outras crianças. Mas apenas Abdu é um “ferido de guerra”. Os demais sofrem de doenças difíceis de tratar em condições normais e impossíveis de curar em um lugar onde falta tudo: onde diariamente se realizam amputações sem anestesia, onde se morre de fome.

O destino de Abdu foi o hospital de Pádua, onde está sendo tratado de fraturas e de graves queimaduras em uma perna, provocadas pela explosão de um artefato no último dia 15 de abril. No olho direito, ainda há uma grande lasca de metal que precisa ser removida. Por isso, ele foi transferido ao Hospital Sacro Cuore Don Calabria, em Negrar. Ali, a doutora Grazia Pertile, diretora do setor de Oftalmologia, junto à colega Elisa Bottega, realizaram uma cirurgia que durou mais de sete horas e devolveram ao menino a esperança de recuperar parcialmente a visão.

Sempre ao seu lado estão a mãe, Amna, e a irmãzinha Batool, de 5 anos. O que resta de sua família. A explosão que feriu Abdu tirou-lhe para sempre o pai e o irmãozinho Malek, de apenas um ano e meio. Também o tio morreu junto deles.

Amna relembra aquela noite maldita com a precisão e o distanciamento de um cronista. Nunca uma lágrima, nunca uma quebra na voz. Ao ouvir suas palavras, pergunta-se de onde ela tira tanta força. “Nossa casa era em Rafah, na fronteira com o Egito. Vivíamos bem, em um prédio de vários andares, junto com a família do meu marido, que tinha uma empresa de móveis – conta ela. – Em maio de 2024, recebemos uma mensagem no celular do exército israelense anunciando que em poucos dias iriam bombardear a área. Tínhamos de sair. Levamos tudo o que conseguimos e fomos para o campo de refugiados de Khan Yunis.” Até aquele momento, a cidade ao sul da Faixa de Gaza, hoje quase destruída, não havia sido palco de combates e era considerada “segura”.

“Compramos uma grande tenda e ali nos instalamos com a família da minha irmã, o marido dela e os filhos – continua Amna. – A vida no campo parecia ter uma certa normalidade: até uma tenda-escola havia sido organizada. No dia 15 de abril deste ano, meu marido tinha começado um trabalho. À noite, saiu com amigos e voltou mais tarde que o habitual. Eu já estava deitada, amamentando Malek, enquanto Abdu e Batool dormiam ao meu lado.”

Então, perto da meia-noite, o inferno. “Um artefato entrou em nossa tenda, formando uma barreira de fogo bem no meio. O deslocamento de ar arrancou Malek dos meus braços: foi encontrado por meu pai, que correu para nos ajudar, longe de onde estávamos. A pele de suas costas estava grudada em um colchão, por causa das graves queimaduras. Não morreu imediatamente, como o pai e o tio, mas pouco depois de chegar ao hospital.”

Malek, 18 meses, nascido e morto sob as bombas.

“Em Gaza não há tempo para o desespero. Não há tempo para chorar os mortos. Meu filho e meu marido agora estão juntos, em um lugar melhor. Deixaram o inferno daquela faixa de terra… onde a vida não é vida. Falo com meu pai ao telefone: ele me diz que já não têm nada para comer… bombas e fome. Por que nada é feito para deter tudo isso? Também aqueles que se voltam para o outro lado são responsáveis pelo que está acontecendo. A roda gira: o inferno que vivemos pode acontecer também com eles. Ninguém está seguro.” 

Elena Zuppini

Palavras de São João Calábria:

“Estamos cercados pelas maravilhas de Deus; tudo nos fala d’Ele, tudo é dom seu: o ar, a luz, o calor, a flor, os frutos, as roupas, a casa… tudo. Transformemos esses dons em meios para louvá-Lo, em degraus que nos elevem até Ele. As almas seguirão o nosso exemplo, escutarão com mais fé a nossa palavra e, entre as provações da vida, encontrarão consolo na resignação cristã, orientando-se para Deus.” (Carta aos Religiosos – 15 de junho de 1945)

Reflexão

Nós, seres humanos, facilmente nos deixamos seduzir pela possibilidade de dominar sem limites — e isso prejudica tanto a sociedade quanto o meio ambiente. Tal atitude gera a perda da paz conosco mesmos e com os outros. Nossa ganância, prepotência, pressa e distração fazem com que atropelamos pessoas e destruamos tudo o que está ao nosso redor.

Para nos tornarmos promotores da paz e assim sermos chamados “filhos de Deus” (Mt 5,9), precisamos começar com atitudes conscientes e simples: ouvir e procurar compreender os sentimentos dos outros, promover o respeito, cultivar a harmonia e criar união. Da mesma forma, refletir sobre o nosso modo de consumir e utilizar os recursos naturais nos liberta da mentalidade de exploração e nos coloca diante de cada criatura como irmãos, saídos das “mãos” e do “coração” do mesmo Pai.

São João Calábria nos animava a acender “pequenas chamas” de bem, de amor e de paz. Pequenos gestos de bondade se espalham na sociedade, e o bem sempre frutifica.

Adotar comportamentos mais conscientes “restitui-nos o sentimento da nossa dignidade, leva-nos a uma maior profundidade existencial, permite-nos experimentar que vale a pena a nossa passagem por este mundo” (Laudato Si’, n. 212).

Que a nossa oração seja: “Senhor, fazei de nós instrumentos de vossa paz entre os homens e com todas as criaturas.”

Oração

São João Calábria, amigo dos pobres e fiel testemunha do Evangelho, intercede por nós junto ao Pai.

Ensina-nos a viver como cristãos autênticos, sóbrios e confiantes, profetas de esperança e construtores da paz. 

Alcança-nos a graça de cuidar da criação, servir os mais pequenos e anunciar com a vida o amor de Cristo.

O mundo precisa ver o Evangelho na prática: faze de nós, teus filhos e filhas, luzes que brilham na noite, para que todos encontrem em Jesus a verdadeira paz. Amém.


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