Na COP30, governo brasileiro aposta na bioeconomia e fortalece cooperativas extrativistas
Amazônia em pauta: novo programa nacional reforça inovação e desenvolvimento sustentável
COP-30
18.11.2025 15:02:28 | 3 minutos de leitura

Belém, 17 de novembro — Em um gesto que reforça o compromisso nacional com um modelo de desenvolvimento justo, sustentável e centrado na vida da Amazônia, o Brasil lançou, durante a COP30, o programa “Coopera+ Amazônia”, destinado a fortalecer a inovação, a produtividade e a geração de renda em 50 cooperativas extrativistas espalhadas por cinco estados da Amazônia Legal: Pará, Rondônia, Maranhão, Amazonas e Acre.
O investimento — quase R$ 107 milhões — beneficiará diretamente cerca de 3.500 famílias extrativistas, que atuam nas cadeias do babaçu, açaí, castanha e cupuaçu. O programa terá duração de 48 meses e busca ampliar capacidades técnicas, fortalecer a governança das cooperativas, reduzir a penosidade do trabalho e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade.
O anúncio aconteceu na Zona Verde da COP30, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que destacou o impacto social e ambiental da iniciativa: “Esses recursos permitirão agregar valor, aumentar a renda das famílias, fortalecer o cooperativismo e colaborar com o combate às mudanças do clima. Isso significa melhorar vidas e manter a floresta em pé”.
O Coopera+ Amazônia reúne esforços do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do BNDES, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Embrapa e do Sebrae. Do total investido, R$ 103 milhões virão do Fundo Amazônia, operacionalizado pelo BNDES, e R$ 3,7 milhões serão aportados pelo Sebrae.
Representantes das instituições parceiras sublinharam que a bioeconomia amazônica só se torna robusta quando integra tecnologia, justiça social e valorização dos saberes tradicionais. Para a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o investimento “vai garantir mais produtividade, emprego e renda, fortalecendo um modelo que protege a floresta”.
Já o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, ressaltou que o extrativismo sustentável “não derruba árvores nem polui rios, mas alimenta uma bioeconomia única, capaz de abrir novos mercados”. A presidente da Embrapa, Silvia Musshurá, lembrou que a iniciativa permitirá identificar lacunas tecnológicas e apoiar produtores com dados e inovação.
Entre as ações previstas estão consultorias, capacitações, assistência técnica, extensão rural, mecanização adequada, redução de resíduos, fortalecimento de marcas e abertura de mercados. O programa também criará um Escritório de Negócios Territorial e contará com os Agentes Locais de Inovação para Cooperativas (ALICoop).
A iniciativa se articula diretamente com os objetivos do Fundo Amazônia, principal mecanismo de cooperação internacional para o clima no Brasil. Desde 2008, o Fundo já beneficiou 260 mil pessoas, apoiou 144 projetos e fortaleceu mais de 600 organizações comunitárias — contribuindo para o combate ao desmatamento, a proteção dos povos indígenas e a promoção de uma economia regenerativa.
O lançamento do Coopera+ Amazônia na COP30 reforça a mensagem que ecoa por toda Belém neste encontro global: não haverá futuro climático possível sem justiça socioambiental, bioeconomia inclusiva e alternativas reais ao desmatamento. O Brasil quer demonstrar que a floresta viva é fonte de vida, renda e esperança — e que o desenvolvimento da Amazônia precisa caminhar com seus povos.
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Com informações do site COP30. Imagem IA
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