Missionários da Esperança: Perseverar na Fé e na Oração
Quem reza encontra a força para anunciar; quem anuncia descobre a necessidade de rezar. A missão nasce da fé e floresce na perseverança.
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17.10.2025 11:38:53 | 4 minutos de leitura

29º Domingo do Tempo Comum
Pe. Rafael Pedro Susrina, psdp
Estamos no Tempo Comum e celebramos o Dia Mundial das Missões. Dois momentos que se iluminam mutuamente: a Palavra que nos convida à oração perseverante e o chamado missionário, que nasce da fé firme em Deus. A oração e a missão são duas faces do mesmo amor: quem reza encontra a força para anunciar; quem anuncia descobre a necessidade de rezar.
Na primeira leitura, do livro do Êxodo (17,8-13), contemplamos Moisés com as mãos erguidas durante a batalha contra Amaleque. Enquanto permanecia voltado para Deus, Israel vencia; quando se cansava, o inimigo prevalecia. Sustentado por Aarão e Hur, Moisés nos ensina que a vitória espiritual não vem da força humana, mas da fé que persevera mesmo no cansaço. A oração é o coração pulsante da missão: quem confia, não desiste; quem crê, persevera.
O Salmo 121 (120) faz ecoar essa certeza: “O Senhor é quem te guarda, é tua sombra protetora.” O salmista levanta os olhos para o alto, consciente de que o auxílio vem do Senhor. Essa confiança é o solo fértil onde germina a esperança cristã.
Na segunda leitura (2Tm 3,14–4,2), São Paulo exorta Timóteo: “Permanece firme no que aprendeste; proclama a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente.” A missão exige constância e coragem, mesmo quando os frutos parecem tardar. O missionário não busca sucesso, mas fidelidade; não vive de resultados, mas de amor.
No Evangelho (Lc 18,1-8), Jesus conta a parábola da viúva e do juiz iníquo. Essa mulher, persistente, não se deixa calar pela indiferença. Sua perseverança é imagem da oração que toca o coração de Deus. No final, Jesus nos provoca: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). Essa pergunta ressoa hoje como um apelo à confiança: não deixemos a fé adormecer diante das dificuldades, nem o ardor missionário se apagar nas contradições do mundo.
O tema deste Dia Mundial das Missões – “Missionários da esperança entre os povos” – é um convite a reacender a alegria de crer e de servir. Ser missionário da esperança é confiar em Deus quando tudo parece contrário, como Moisés diante de Amaleque ou a viúva diante do juiz. É perseverar na oração, proclamando com coragem a Palavra, mesmo entre incompreensões. É levar esperança concreta aos pobres, aos doentes, aos desanimados e a todos os que se sentem esquecidos.
A cena de Moisés com os braços erguidos nos recorda que toda missão se sustenta na intercessão. Não se trata apenas de fazer, mas de permanecer em Deus. A força da Igreja nasce dos joelhos dobrados, das mãos levantadas, dos corações que amam. A Palavra dirigida a Timóteo mostra que a missão é fidelidade no tempo: ela floresce na paciência, na constância e na confiança.
E a viúva que clama por justiça nos ensina que ser missionário da esperança é também lutar contra a indiferença, enfrentar o mal e transformar a realidade.
Neste domingo, o Senhor nos convida a renovar a alegria da fé. O cristão é, por natureza, um portador de esperança e um semeador de alegria. Somos chamados a viver a missão não como peso, mas como privilégio: Deus confia a nós a beleza de levar Seu amor ao mundo. Que esta certeza acenda em nós o entusiasmo dos discípulos: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16). Digamos com o salmista: “Levantarei meus olhos para os montes: de onde me virá o auxílio? O meu auxílio vem do Senhor.” Que Ele renove em nós o desejo de sermos missionários da esperança – alegres, perseverantes e cheios de amor.
Ao participarmos da Eucaristia, recebamos a força para sair em missão. Que a comunhão com Cristo nos transforme em sinais vivos do Seu amor. Que a alegria de servir ao Senhor nos faça irradiar esperança em cada gesto, e que o Espírito Santo nos confirme como missionários autênticos, perseverantes e cheios de alegria em Deus.
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