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Junho Verde: A fé que cuida da Casa Comum e aponta caminhos de esperança para o planeta

“Tudo está interligado, como se fôssemos um. Tudo está interligado nesta casa comum.” (Laudato Si’, 70)

Artigos

16.06.2025 14:30:34 | 5 minutos de leitura

Junho Verde: A fé que cuida da Casa Comum e aponta caminhos de esperança para o planeta

Durante o mês de junho, o Brasil se veste de verde para lembrar a todos da urgência de cuidar da Casa Comum. Instituído pela Lei nº 14.393/2022, o "Junho Verde" é mais do que uma campanha ambiental: é um convite à conversão pessoal, social e ecológica. Fruto de uma proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), transformada em lei pelo senador Jacques Wagner, a campanha quer sensibilizar toda a sociedade para a importância da preservação ambiental e da adoção de práticas sustentáveis no cotidiano.

A escolha do mês de junho não é por acaso: o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5, é o marco que inspira a extensão das reflexões para todo o mês. Ao longo desses dias, escolas, paróquias, movimentos sociais, comunidades e órgãos públicos se mobilizam com palestras, plantios de árvores, mutirões de limpeza, rodas de conversa, entre tantas outras iniciativas. Mas, mais do que ações pontuais, o Junho Verde é um chamado a mudar mentalidades e estilos de vida.

A crise ecológica: desafio para todos

A crise ecológica não é uma ideia distante ou apenas um problema técnico: é uma realidade que afeta a todos — independentemente de país, classe social ou religião. O arcebispo de Santa Maria (RS), Dom Leomar Antônio Brustolin, presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, lembra que os grandes desastres ambientais, como o desmatamento, a escassez de água potável e as mudanças climáticas, são consequências diretas do modo de vida consumista e exploratório da humanidade.

Segundo ele, a solução para essa crise não virá apenas da ciência ou da tecnologia, mas requer uma mudança interior, uma verdadeira conversão ecológica. “Precisamos mudar nossa forma de enxergar o mundo e assumir a responsabilidade de cuidar da nossa casa comum”, afirma o bispo. Para ele, a fé pode — e deve — ser um farol que aponta caminhos de esperança e compromisso com a vida.

A Igreja e o cuidado com o meio ambiente

O compromisso da Igreja com a ecologia não é recente. Ele se intensificou nos últimos anos com o Magistério do Papa Francisco, especialmente com a publicação da encíclica Laudato Si’ (2015), onde o Santo Padre nos convida a “cuidar da Casa Comum” com amor, responsabilidade e senso de urgência. A encíclica articula uma visão profundamente cristã do meio ambiente, onde tudo está interligado — a criação, a dignidade humana, a justiça social e o bem-estar das futuras gerações.

Na Laudato Si’, Francisco recorda que o planeta é dom de Deus, entregue à humanidade para ser cultivado e guardado, não explorado e destruído. Ele denuncia o “modelo tecnocrático” de desenvolvimento e propõe uma ecologia integral, que una cuidado ambiental, justiça social e espiritualidade.

Nesse mesmo espírito, a CNBB tem promovido campanhas, jornadas de oração, formações e incidência política em favor de políticas públicas sustentáveis. O “Junho Verde” é uma das expressões mais claras desse esforço coletivo da Igreja no Brasil para unir fé, consciência e ação.

Espiritualidade ecológica: cuidar da criação é um ato de fé

Dom Leomar destaca que o rompimento da humanidade com a natureza revela uma crise espiritual. “A destruição das florestas reflete, em muitos casos, a destruição interior dentro de nós”, escreve ele. Em tempos de esgotamento, ansiedade e falta de propósito, o cuidado com o planeta também se torna um caminho de cura e reencontro com o Criador.

O apelo cristão é claro: não fomos colocados no mundo para explorá-lo, mas para cultivá-lo e guardá-lo (cf. Gn 2,15). Cuidar da Terra é sinal de amor a Deus, expressão de gratidão pela vida e compromisso com o próximo. Por isso, a fé cristã não pode estar alheia à crise ecológica. Pelo contrário, ela precisa gerar atitudes concretas: reduzir o desperdício, evitar o consumo desnecessário, reciclar, usar com responsabilidade a água e a energia, respeitar os ciclos da criação.

Caminhos para viver o Junho Verde

A vivência do Junho Verde pode ser simples, mas profundamente transformadora. Algumas sugestões práticas:

• Participe das atividades promovidas por sua comunidade ou paróquia.
•  Reduza o uso de plásticos descartáveis e o desperdício de alimentos.
• Reflita com sua família e amigos sobre o impacto das pequenas ações do dia a dia.
• Cultive plantas, apoie feiras agroecológicas e valorize o consumo consciente.
• Reze com sua comunidade pelas causas ambientais e pelas populações afetadas pelas mudanças climáticas.
• Leia e medite a encíclica Laudato Si’, buscando transformar sua espiritualidade em compromisso.

Um futuro nas nossas mãos

Cuidar da criação é, antes de tudo, cuidar da vida. Como afirmou Dom Leomar, “a fé cristã nos ensina a confiar em Deus, mas essa confiança não nos isenta da responsabilidade de agir”. A responsabilidade de preservar a Terra é, portanto, expressão concreta da fé, do amor e da esperança cristã.

Neste Junho Verde, a Igreja convida todos a um caminho de conversão ecológica e de compromisso com a vida. A mudança começa no coração, se traduz em gestos cotidianos e se amplia numa cultura do cuidado e da paz. Que a fé em Deus nos inspire a preservar o dom precioso da criação, garantindo um futuro digno para as próximas gerações.

“Tudo está interligado, como se fôssemos um. Tudo está interligado nesta casa comum.” (Laudato Si’, 70)

Setor Comunicação.

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Artigo: O cuidado com a Terra - Dom Leomar Brustolin.

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