João Calábria: Um Humano Entre os Santos
Reflexões sobre a santidade vivida na humanidade
Artigos
07.10.2025 09:21:51 | 4 minutos de leitura

Ir. Silvio da Silva, psdp
Outubro: Mês de Santos Memoráveis
O mês de outubro inicia recebendo uma multidão de santos e santas, começando por Santa Teresinha do Menino Jesus, jovem que viveu intensamente sua fé no mosteiro, faleceu aos 24 anos e é reconhecida como doutora da Igreja. Em seguida, celebram-se mártires que deram a vida por amor à fé em Jesus Cristo. Logo nos primeiros dias, comemora-se São Francisco de Assis, venerado pelo amor aos pobres e à natureza. No dia 08, celebra-se João Calábria, destacado como um humano entre os santos.
A Humanidade de João Calábria
João Calábria é frequentemente retratado em relatos que o colocam diretamente no pedestal da santidade, como se tivesse superado todas as etapas de sua vida sem dificuldades. Tais narrativas, no entanto, ocultam sua maior grandeza: ele foi, acima de tudo, um simples ser humano. As maravilhas que se operaram em sua vida tiveram como base uma pessoa frágil, por vezes amedrontada e, em algumas ocasiões, pecadora. Ao ler seu diário, é possível perceber que, embora se considerasse pecador, possuía um coração imenso, acolhendo todos que necessitavam de algo ou da graça de Deus.
Um Santo Nascido em Meio à Dificuldade
Em 2025, completam-se 152 anos do nascimento de João Calábria, ocorrido em um lar pobre e com muitos problemas. Aos olhos mais rigorosos, parecia improvável que ele prosperasse, mas, aos olhos de Deus, tornou-se uma espécie de o “filho predileto”. Nos momentos mais difíceis, sempre surgia uma saída e tudo se resolvia. Para Calábria, nada vinha fácil; tudo era conquistado com muita luta. Conforme pensadores seus contemporâneos e a página do Vaticano hoje, “parecia que Jesus Cristo o tivesse associado à agonia do Getsêmani e do Calvário, aceitando sua oferta de ser ‘vítima’ para a santificação da Igreja e para a salvação do mundo”. Seu olhar profundo, capaz de compreender e atender a dor humana, penetrava fundo na alma de quem o buscava.
Servo da Divina Providência
João Calábria conhecia como poucos o significado da carência e viveu intensamente como Servo da Divina Providência. Em sua casa, jamais se deixava de praticar o bem por falta de recursos. Acreditava firmemente que, ao fazer o bem conforme a vontade de Deus, o restante seria responsabilidade d’Ele. Para Calábria, diante de qualquer desafio – especialmente a salvação de uma alma –, não se fazia perguntas sobre valores ou fé. Descobriu essa certeza ao ler o Evangelho, fixando-se em Mateus 6,24-42, e especialmente no versículo 33: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas”.
Santidade Vivida na Humanidade
O que torna João Calábria especial é sua humanidade entre os santos. Não importa como seja avaliado por sensibilidades diversas, ele permanece como exemplo de santidade vivida de maneira humana, sem se tornar símbolo de moralidade rígida ou insana. Manteve relações fraternas com todos, escreveu, falou, amou e nunca buscou polêmicas. Entre os que o procuravam para conselhos, havia pessoas de todas as religiões e classes sociais. Neste 152º aniversário, seria enriquecedor se os que seguem a Jesus por meio de Calábria se deixassem conduzir por sua humanidade, tornando-se humanos entre os santos.
Um Homem da Igreja sem excluídos
João Calábria foi profundamente ligado à Igreja, clamando por ela e pelas almas, mas jamais utilizou a instituição para censurar ou estigmatizar alguém. Para ele, a Igreja era mãe, sempre pronta a acolher, independentemente do que cada um tenha feito. Sempre que se voltava, era recebido, e não hesitava em recomeçar quantas vezes fosse necessário.
Legado de Confiança e Esperança
Depois de 152 anos de seu nascimento, João Calábria segue inspirando a humanidade com seu jeito humano de amar. Em sua homenagem, permanece o compromisso de nunca desistir, sempre recomeçar, confiando e se entregando à Divina Providência. São João Calábria, humano entre os santos, interceda por todos que peregrinam na esperança, desejando amar a Deus e ao próximo como você amou.
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