Irmão Sérgio Tomasel
Meu Caminho com os Pobres Servos da Divina Providência
Storytelling Vocacional
16.08.2025 07:00:00 | 4 minutos de leitura

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana
História Vocacional e missionária do Irmão Sérgio Tomasel
Minha história vocacional com os Pobres Servos da Divina Providência começou de maneira inesperada, em 1967. Eu tinha apenas dez anos quando o Padre Pedro, então superior do seminário de Farroupilha, pediu permissão aos meus pais para que eu participasse de um encontro de formação. Aceitei o convite com alegria, sem imaginar as profundas transformações que me aguardavam.
Após o encontro vocacional e alguns exames, fui convidado a continuar meus estudos no seminário. O processo foi gradual, mas a experiência despertou em mim um interesse cada vez mais profundo e duradouro. Naquela época, eu não imaginava que o que parecia uma simples oportunidade de brincar moldaria o curso da minha vida.
A Vocação e o Carisma de São João Calábria
Entre padres e irmãos, conheci as origens italianas da Congregação e a figura inspiradora de São João Calábria: um homem que amava os mais pobres com dedicação absoluta, e cujos filhos espirituais davam continuidade a esse carisma. Aprendi que ele havia falecido em fama de santidade e que um dia eu também poderia fazer parte de sua “equipe”. Foi nesse momento que compreendi minha vocação.
Após uma década vivida entre Farroupilha e Porto Alegre, aprendi a viver longe de casa, cultivei novas amizades e adquiri conhecimentos valiosos. O que mais me impressionou nos primeiros calabrianos foi sua firme dedicação ao amor e ao sacrifício — um carisma transmitido de “pai para filho” dentro das comunidades.
A Primeira Profissão Religiosa e a Missão
Para prosseguir, precisei apresentar um pedido escrito de admissão ao noviciado, um ano crucial de preparação. Como ainda não tinha a idade mínima, passei um ano de intensa formação em comunidade. Quando voltei para iniciar o noviciado, retornei à casa onde tudo havia começado, agora repleta de memórias e significados.
O noviciado começou em 1976 e, no dia 2 de fevereiro do ano seguinte, fiz minha Primeira Profissão Religiosa junto a outros três colegas. O lema “Santificar-nos para santificar”, tão caro ao nosso fundador, tornou-se meu farol.
Aos vinte anos, fui enviado ao Uruguai. Essa experiência internacional foi um divisor de águas: aprendi a lidar com a diversidade e amadureci na fé. Minha família sonhava em me ver sacerdote, mas meu chamado era outro — ser um irmão religioso, leigo consagrado, inteiramente dedicado a Deus e aos irmãos.
Uma Vida de Missão e Aprendizado
Quase cinquenta anos de missão me levaram a diferentes países: Uruguai, Argentina, Paraguai, Índia e Itália. Em cada lugar, aprendi o valor inestimável da fé, da esperança, da caridade e da perseverança. Estudei filosofia, teologia e psicopedagogia. Nas dificuldades, repetia as palavras do Fundador: “Avançar sempre, retroceder nunca!”
Em 2024, voltei ao Brasil, encerrando um ciclo missionário fora do país. Hoje, me preparo para celebrar cinquenta anos de vida consagrada. Olhando para trás, percebo que cada obstáculo foi uma oportunidade de recomeçar, confiando na Providência e no apoio divino.
Aceitação das Imperfeições
Aprendi que a consagração não nos torna imunes a provas ou tentações. Aceitar nossas imperfeições não significa resignação, mas reconhecer limites e qualidades sem julgamentos severos. A felicidade não é ausência de sofrimento, mas a capacidade de enfrentá-lo e encontrar nele sentido.
Minha história é um testemunho de que a perseverança e a confiança em Deus nos conduzem a portos seguros. Ele nos toma pela mão, nos liberta e nos leva a novas terras.
Desejo que este caminho me ajude a desapegar das vaidades do mundo e a buscar o que realmente tem valor aos olhos de Deus.
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