Irmão Roque Kasmirski
"Que Nossa Senhora, a primeira chamada, continue intercedendo por mim, para que eu seja fiel até o fim."
Storytelling Vocacional
12.08.2025 07:00:00 | 5 minutos de leitura

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana
História vocacional e missionário do Irmão Roque Kasmirski
“Não fostes vós que me escolhestes...”
Meu nome é Roque Kasmirski, nasci no dia 10 de agosto de 1969, na cidade de Nova Prata, interior do Rio Grande do Sul. Venho de uma família simples, profundamente enraizada na fé católica. Meus pais, Vitório e Leocádia, com seu testemunho silencioso, foram meus primeiros mestres na escola do Evangelho. Todas as noites, antes de dormir, nos reuníamos em torno do terço. Aquela rotina, aparentemente simples, regada por uma fé sólida e serena, foi moldando em mim algo que só mais tarde compreendi ser o germe de uma vocação.
Desde criança, sentia dentro de mim um chamado que não sabia nomear. Eu não tinha uma visão clara do que seria ser consagrado, mas havia um desejo persistente de me doar inteiramente a Deus. Aos poucos, esse chamado foi ganhando forma e, em 1990, iniciei meu caminho vocacional no COV São João Calábria, em Porto Alegre. Meu desejo inicial era ser padre. Mas, durante o tempo de discernimento, percebi que minha vocação era outra: Deus me chamava a ser Irmão. E essa descoberta, longe de ser uma frustração, foi uma libertação. Encontrei meu lugar. Descobri que ser Irmão é viver o Evangelho no cotidiano, é transformar o serviço simples em oferenda sagrada, é ser presença fraterna onde o Senhor me envia.
No dia 1º de janeiro de 1997, em Farroupilha, fiz minha Primeira Profissão Religiosa. Desde então, abracei com alegria e fidelidade a Vida Consagrada como Pobre Servo da Divina Providência. Escolhi como lema de vida um versículo que ressoa até hoje com força no meu coração: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). Essa Palavra me acompanha desde os primeiros passos. Ela me recorda, diariamente, que minha vocação não nasceu de uma iniciativa minha, mas de um amor primeiro e incondicional de Deus. Fui escolhido para dar frutos. E esses frutos não são obras grandiosas, mas gestos simples, realizados com amor, no silêncio da missão.
Minha trajetória missionária passou por diversos lugares do Brasil, onde pude servir com dedicação nas frentes apostólicas confiadas à Congregação. Fui ecônomo, coordenador de centros educativos, diretor operacional de obra social, formador... Em cada missão, encontrei um rosto diferente de Cristo: no jovem em busca de sentido, na criança ferida pela pobreza, no colaborador cansado, no irmão de comunidade, nos pobres da Providência. Em cada um, pude tocar a presença de Deus.
Foram anos no Sul, no Norte, no Nordeste. Em Marituba/PA, experimentei a força da fé do povo amazônico. Em São Luís/MA, durante mais de dez anos, estive a serviço no CESJO, vivendo intensamente a dimensão social da vocação Calabriana. Ali, mais do que números ou cargos, encontrei pessoas e histórias que me ensinaram o que significa amar como Cristo amou. Hoje, continuo minha missão na cidade de Macapá/AP, como coordenador da Comunidade e atuando na Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São João Calábria. É uma nova etapa, marcada por esperança e entrega.
Uma das frases que mais me inspira na espiritualidade do nosso Fundador, São João Calábria, é esta: “A santidade não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias.” Essa sabedoria, simples e profunda, me sustenta todos os dias. Com ela, aprendi que a fidelidade à vocação não está em grandes feitos, mas na constância do amor nas pequenas coisas. É no cuidar da casa, no ouvir um irmão, no administrar com zelo os bens da Providência, no ser presença serena no meio do povo, que Deus realiza sua obra.
A Vida Religiosa Consagrada, para mim, é resposta. Resposta ao amor de Deus que me escolheu. Resposta diária, serena, perseverante. Não é um caminho sem desafios. Enfrentei crises, dificuldades, cansaços... Mas em todos os momentos, a certeza de que Deus me chamou e caminha comigo me deu força para continuar.
A maior alegria da minha vocação é saber que, apesar das minhas limitações, Deus quis se servir de mim. Que Ele olhou para mim, me chamou pelo nome e me enviou. E hoje posso dizer, com serenidade no coração: vale a pena consagrar a vida a Deus. Vale a pena dizer “sim” e confiar na Providência.
Que Nossa Senhora, a primeira chamada, continue intercedendo por mim, para que eu seja fiel até o fim. E que minha história, marcada por pequenas fidelidades, possa também ser um testemunho vivo de que Deus continua chamando, amando e conduzindo.
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