Irmão Francisco Perez - Cap. III
Na humildade escondida, Ir. Francisco Perez encontrou a plenitude da entrega: apagando-se, deixou que só a luz de Deus brilhasse.
Storytelling Vocacional
22.09.2025 15:22:17 | 3 minutos de leitura

Capítulo III - Vida escondida e plenitude da entrega
Francisco Perez jamais quis se destacar na Casa. Tinha plena consciência de sua formação, habilidades e cultura, mas escolheu deliberadamente viver na sombra, como o “último da comunidade”. Recusou todos os cargos de prestígio que o Pe. João Calábria, com prudente discernimento, lhe propôs — inclusive aqueles que exigiam seu talento administrativo e jurídico. Quis ser apenas um entre os outros: varredor dos arredores e dos banheiros comuns, porteiro, jardineiro, sacristão, assistente dos meninos. E, nesse ocultamento radical, revelou sua grandeza.
Pe. Calábria, embora respeitasse seu desejo de humildade, às vezes o colocava em situações que pareciam brincar com sua alma profundamente escondida: mandava os jovens fazerem uma roda ao redor dele, cantando como numa ladainha: “São Francisco Perez, ora pro nobis”. Ou lhe dava, diante de todos, o barbante do papagaio de uma criança, para que ele mesmo, já idoso, continuasse a brincadeira com o improviso de seus saltos desajeitados. Em todos esses momentos, Francisco obedecia com simplicidade, mesmo quando isso lhe custava interiormente.
Jamais se queixava. Apesar da saúde delicada, não aceitava exceções. Negava-se a conversas sobre seu passado aristocrático, e se alguém insistia, cortava: “O conde morreu”. Rejeitava qualquer distinção que o diferenciasse dos irmãos: comia o mesmo, vestia o mesmo, fazia o mesmo. Quando encarregado por um tempo de acompanhar os noviços, evitava qualquer postura de mestre, dizendo-se indigno até de falar. Limitava-se a ser um modelo silencioso. Às vezes pedia a jovens que falassem no seu lugar, e depois ainda os felicitava, com sincera alegria.
Ao completar dezenove anos de consagração, escreveu ao Pe. Calábria: “Se Deus quiser e o senhor o achar oportuno, irei começar o décimo nono ano de minha consagração, renovando mais uma vez os meus votos”. Isso bastava para expressar sua plena entrega. Quando, anos depois, a Obra foi reconhecida canonicamente como Congregação Religiosa, Francisco já vivia aquilo que nenhum decreto podia acrescentar.
Seu testemunho tocava silenciosamente todos os que o conheciam. Jamais proclamou sua santidade, mas o Pe. Calábria não escondia: “Esse aí, quando morrer, levanta voo para o Céu. Se tivesse vivido na Idade Média, teria sido honrado como santo ainda em vida”. E, dias depois da sua morte, registraria em seu diário: “Eu julguei-o sempre um verdadeiro santo, servo de Deus... Perez, Perez, Perez, ora pro me”.
O irmão Perez viveu “enterrado no chão do seu nada”, numa contínua vigilância para encarnar o Evangelho do “renuncie a si mesmo”. A plenitude de sua entrega estava em se apagar. E foi no escondimento que brilhou com mais força, com uma luz que continua a tocar o coração dos humildes.
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