Irmão Francisco Perez - Cap. I
Francisco Perez, herdeiro da nobreza de Verona, descobriu sua verdadeira grandeza na pobreza evangélica e no serviço silencioso aos mais humildes.
Storytelling Vocacional
16.09.2025 15:58:25 | 3 minutos de leitura

Capítulo I – Nascido entre os nobres, eleito entre os pobres (1861–1900)
Francisco Perez nasceu em 9 de julho de 1861 no coração da aristocrática Verona, no Palácio Perez. Era o sexto dos dez filhos do conde Antônio Maria Nicolau Perez e da marquesa Ana De Lisca — famílias de origem ilustre e profundamente cristãs. Na casa senhorial, respirava-se uma religiosidade autêntica, sem ostentação. A fé era vivida com naturalidade, e a caridade era tradição de família.
Apesar da origem nobre, Francisco cresceu com traços singelos de espiritualidade que, desde cedo, começaram a moldar seu coração. Foi carinhosamente chamado de “Chiquinho” e, ainda menino, demonstrava um temperamento inquieto, brincalhão e por vezes disperso nos estudos. Após iniciar sua educação no rigoroso Colégio Real Carlos Alberto de Moncalieri, dirigido por barnabitas, foi transferido para o colégio Rosminiano de Domodossola, onde foi educado por seu tio Pe. Paulo Perez, sacerdote sábio e humanista. Ali começou uma importante virada interior, mesmo que discreta.
Francisco não demonstrava, então, sinais evidentes de uma vocação à vida religiosa. Ao contrário, seguiu o caminho esperado de um jovem nobre: cursou Direito, assumiu cargos na administração pública e tornou-se advogado e conselheiro respeitado em Verona, atuando como inspetor escolar, presidente da Congregação de Caridade, vereador e vice-reitor do Tribunal de Verona. Sempre exercia essas funções com justiça, fé e firmeza — sem jamais se dobrar a pressões externas. Era um homem íntegro e de palavra.
Mas algo profundo já borbulhava em seu íntimo. Em vez de se refugiar no conforto da nobreza, buscava intencionalmente se aproximar dos pobres. Disfarçava-se com roupas simples para restaurar sozinho uma gruta danificada perto do parque de Zévio. Dormia em casebres de campo e servia pessoalmente os camponeses mais pobres, com os quais almoçava uma vez por semana. Aos poucos, cultivava uma vida de sacrifício oculto: dormia sobre tábuas, usava cilício, frequentava os sacramentos e dedicava-se à oração em silêncio. A antiga nobreza foi dando lugar a um novo tipo de grandeza — espiritual, discreta e profundamente evangélica.
Foi nesse contexto que sua amizade com o jovem João Calábria se consolidou. Morando ambos na mesma paróquia dos Santos Apóstolos, frequentavam o oratório de São Lourenço. Francisco via o clérigo Calábria organizando catequese, orações e recreações para os meninos pobres do bairro. Observava-o de longe, rezando com fervor e simplicidade. Em 1892, conheceu o carmelita Pe. Natal de Jesus, que se tornou seu confessor e mais tarde diretor espiritual também de Calábria. Esse encontro selou uma mudança decisiva: Francisco passou a ajudar, às escondidas, a família Calábria em suas dificuldades financeiras e se tornou um dos primeiros benfeitores da nascente obra de caridade do jovem padre.
Contudo, mais do que doar, Francisco queria partilhar. Sentia-se chamado a entregar-se totalmente. Visitava os doentes, servia os pobres e, pouco a pouco, vislumbrava um novo horizonte: o de tornar-se, ele mesmo, um dos servos do Reino. Já se via fermento escondido no meio da massa, invisível, mas essencial.
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