Irmão Deivid Ferreira da Silva
"Como o ar penetra os seus pulmões curando e dando força, assim o pensamento de Deus, da sua Providência, da grandeza da Obra e da sua especialíssima vocação penetre e invada todo o seu ser." — São João Calábria, Carta de 20 de agosto de 1928
Storytelling Vocacional
01.08.2025 07:00:00 | 5 minutos de leitura

Projeto Corações Consagrados: Vozes da Vocação Calabriana
Irmão Deivid Ferreira da Silva: Um caminho guiado pela Providência
"Uma só coisa é necessária" (Lc 10,42)
Eu me chamo Irmão Deivid Ferreira da Silva. Nasci no dia 3 de junho de 1998, em Senhor do Bonfim, no interior da Bahia. Desde muito pequeno — aos dois anos de idade — a Providência começou a traçar comigo os primeiros passos da minha história vocacional, mesmo sem que eu percebesse. Foi quando meus pais e eu, como toda a família, nos mudamos para Feira de Santana.
A gente morava no bairro Campo Limpo, mas frequentávamos a Igreja Nossa Senhora das Graças, no bairro Cidade Nova, que ficava a certa distância da nossa casa. À primeira vista, pode parecer um detalhe qualquer, mas hoje eu vejo como sinal: aquela paróquia era dirigida pelos Pobres Servos da Divina Providência. E foi justamente ali que comecei minha vida cristã: Eucaristia, Crisma, Grupo de Coroinhas… E foi ali também onde dei os primeiros passos no caminho vocacional, quando comecei a participar dos encontros no COV Mãe de Deus.
Em 2014, ingressei oficialmente no Centro de Orientação Vocacional, e posso dizer que foi ali que vivi o tempo do “primeiro amor”: os primeiros desafios, as primeiras alegrias mais concretas de estar a caminho da vida religiosa. Fiquei nessa etapa até o fim de 2016. Com discernimento, com a ajuda dos formadores e da minha família, decidi dar um passo mais sério: ir para o Aspirantado. Isso significava deixar tudo o que eu conhecia para ir para o outro lado do Brasil, em Porto Alegre/RS.
Em fevereiro de 2017, cheguei à Casa de Formação dos Aspirantes. Comecei a cursar Filosofia na PUCRS, assumi responsabilidades na missão pastoral, e pela primeira vez tive contato mais direto com as atividades sociais da Congregação. Posso dizer que foi aí que entendi, na prática, o que significam as “pérolas da Obra”: as crianças, os jovens em situação de vulnerabilidade, aqueles que mais precisam de cuidado e esperança.
Nos anos de 2018 e 2019, vivi o Postulantado, também em Porto Alegre. Foram anos marcantes, especialmente pelo trabalho junto à Rede Calábria, onde eu me encontrei muito no serviço com os jovens nos cursos profissionalizantes. Ali concluí a Filosofia e, no final de 2019, pedi para ingressar na etapa do Noviciado, a mais intensa e significativa do percurso formativo.
O meu noviciado começou oficialmente no dia 31 de dezembro de 2019, no Seminário Apostólico Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha/RS. Confesso que, no início, senti um pouco de tristeza: um colega de caminhada havia voltado para casa. Eu era o único brasileiro entre uma turma bem grande: seis angolanos, dois romenos, dois italianos. Mas logo me enturmei, porque o grupo era animado. E aquele acabou sendo o noviciado mais recolhido da história, pois foi justamente no ano da pandemia. Mesmo assim, vivi aquele tempo de forma muito intensa. E com tudo isso no coração, no dia 1º de janeiro de 2021, professei meus primeiros votos religiosos: castidade, pobreza e obediência, prometendo diante de Deus e do Seu povo.
Depois disso, minha caminhada continuou. Minha primeira obediência foi retornar a Porto Alegre para trabalhar na Secretaria da Delegação. Fazia o que o Delegado pedia. Não era exatamente o serviço que eu sonhava quando entrei na Congregação, mas fui entendendo que ser Pobre Servo é justamente fazer o que precisa ser feito, não aquilo que a gente gostaria ou preferiria.
Em 2023, recebi uma nova obediência: continuei na Secretaria e na mesma universidade, mas fui morar no Aspirantado, ajudando na formação dos jovens e servindo como Ecônomo da Comunidade. No final de 2024, tendo concluído a faculdade, fui enviado para Farroupilha de novo, dessa vez para trabalhar diretamente na animação vocacional. Hoje, é onde estou: vivendo essa missão, que sinto muito próxima daquilo que eu sonhava quando comecei lá atrás, no COV.
Para mim, ser religioso é acirrar a luta por converter-se a Cristo. Não é uma estrada fácil, mas é o caminho que leva à perfeição: aprender a aceitar as cruzes, aprender a viver as alegrias também. Sigo feliz, porque sei em quem depositei minha fé. E vou percebendo, nas pessoas que encontro, aquelas a quem Deus me envia para anunciar o Reino. Isso é o que me dá alegria apostólica: ver que a Obra de Deus continua.
Meu lema é uma frase simples, mas muito verdadeira para mim: “Uma só coisa é necessária.” Na vida religiosa, no meio de tantas coisas, o essencial continua sendo buscar o Reino de Deus e a Sua justiça. Como nos ensinou São João Calábria, na famosa “Noite do Evangelho”, quando ele mesmo se deu conta, numa noite de oração, de que não precisava de nada mais além de confiar plenamente na Providência de Deus. É assim que procuro viver também: confiando, abandonando-me, caminhando sempre na certeza de que Deus cuida de tudo.
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