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Homilia Ordenação Presbiteral Darci Zacaron

"Como presbítero, quando ministrares o Sacramento da Reconciliação, lembra-te que o confessor é ministro da misericórdia do Pai, é pastor, mestre, educador, juiz espiritual e também médico, que discerne e oferece cura."

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25.02.2026 14:58:43 | 12 minutos de leitura

Homilia Ordenação Presbiteral Darci Zacaron

Ordenação Presbiteral – Diácono Darci Zacaron

Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Faria Lemos – Bento Gonçalves

Dom José Gislon, Bispo Diocesano de Caxias do Sul – RS

“Amai-vos uns aos outros, porque o amor vem de Deus ” (1Jo 4,7)

Saúdo o Pe. Massimiliano Parrella, superior geral da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência; o Pe. Jaime Bernardi, Coordenador da Delegação dos Pobres Servos da Divina Providência no Brasil; o Pe. Moacir Canal, pároco desta Paróquia dedicada à Nossa Senhora do Rosário, e através deles saúdo todos os sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas, as autoridades públicas aqui presentes ou representadas, os seminaristas, os irmãos e irmãs que vieram participar conosco desta celebração eucarística, na qual o Diácono Darci Zacaron – da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, de Dom Calábria – receberá o Sacramento da Ordem no segundo grau: o Presbiterato. 

Saúdo o Diácono Darci Zacaron, que será ordenado Presbítero, sua irmã Nelcí, seu irmão Sadi, sua cunhada Viviane, seu cunhado Jair, o sobrinho Henrique, sua namorada Raíla e demais familiares presentes. Recordo in memoriam seus queridos pais, Isa Marin e Loreno Zacaron. Uma cordial saudação também aos amigos do Diácono Darci, de perto ou de longe, que estão aqui presentes, mas também aqueles que estão em comunhão conosco através da oração. 

Saúdo com fraterna estima os que nos acompanham pelas plataformas digitais. Recordo com ternura os enfermos e seus familiares, as pessoas e famílias enlutadas que perderam seus entes queridos. Que o Senhor, Pai misericordioso, acolha os que partiram na sua glória, no dia da ressurreição.

Estimados irmãos e irmãs! Como Igreja, povo de Deus a caminho, queremos dar graças a Deus pelo “sim” do Irmão Darci, pelo dom da sua vocação à Vida Consagrada, pelas orações do nosso querido povo de Deus, que continuamente reza e apoia o trabalho vocacional. A vocação para a Vida Consagrada ou para o Ministério Presbiteral deve ser fruto de uma resposta vocacional de amor-serviço, que tem presente a Igreja, povo de Deus a caminho, que como “peregrino de esperança” pode, muitas vezes, estar ferido, faminto e sedento de amor e compaixão, e passar por grandes provações, mas que não deixa de alimentar a sua vida de fé no Senhor e olhar o amanhã com esperança. 

A vocação “acolhida no coração, como um dom da graça e da aliança, se torna o mais belo e precioso segredo de nossa liberdade”. Porque nos sentimos chamados pela graça de Deus a amar e servir com alegria, no estado de vida que escolhemos. Tendo presente, que a vocação, dom de Deus, nunca foi e nem será algo para ser vivido de forma egoísta, em benefício próprio, mas para servir o Senhor, com amor, alegria e dedicação, servindo à Igreja, povo de Deus a caminho da casa do Pai.

No texto do Evangelho que foi proclamado (Jo 15,9-17), Jesus, dirigindo-se aos discípulos, diz: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos constituí, para que possais produzir frutos e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). “Sermos escolhidos pelo Senhor” é uma das afirmações mais bonitas e poderosas do texto do Evangelho de João. Em geral, se coloca o acento sobre a importância do nosso ato de fé, sobre o nosso desejo e sobre a nossa vontade de seguirmos o Senhor, de sermos “bons cristãos”. Mas a coisa mais bonita, e que gera uma maravilha contínua, é descobrir que o início do nosso caminho, a nossa profissão de fé, o nosso ser cristãos, filhos e filhas de Deus, é resultado ou consequência do fato de termos sido escolhidos pelo Senhor Jesus. Uma escolha que se concretiza depois em um ato de amor total: “Ninguém tem um amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Os amigos, portanto, se escolhem, e tal escolha deve ser reciproca. A resposta a essa escolha para nos tornarmos seus amigos se dá através de uma ligação amorosa, que vai muito além do dom da vida, porque é mais forte e mais duradouro do que a própria vida. 

Onde existe a fé é inevitável a dúvida, mas não pode ser motivo de fechamento ou isolamento da comunidade, ou de escolhas fáceis. A missão exige um “partir”: é Igreja sempre em saída, como nos recordava o Papa Francisco. O discípulo de Jesus não espera que as pessoas do mundo vão até ele: é ele que vai ao encontro delas, até a envolver-se totalmente, como o fermento na massa. Não se trata somente de oferecer uma mensagem, mas de instaurar uma relação, pela qual é possível transmitir o amor de Jesus ressuscitado para cada pessoa, independente da sua situação social, das suas feridas, que tocam a alma e o corpo. Ajudando assim a pessoa a compreender que por mais dura que seja a sua realidade, ela não é esquecida pelo amor de Deus, que nos foi apresentado por Jesus, como um Pai que ama a todos como filhos e filhas. O anúncio, na verdade, de um Deus que se revela Pai constrói fraternidade. O discípulo se une ao Mestre e se empenha para partilhar o seu projeto de vida. 

O Papa Bento XVI recordava em uma de suas pregações que o coração da vocação é o chamado de Deus a "estar com Ele e ser enviado" a outros, para assim levar a Boa Nova do Evangelho. Diante do chamado de Deus, é tarefa de quem o descobre "aprender a escutar, perceber seu chamado, ser valente e fiel para segui-lo, e quando está tudo dito e feito, ser servo fiel que utiliza bem os dons que recebeu".

Caríssimo filho, Diácono Darci, tive a graça de conhecê-lo, quando cheguei como Bispo recém ordenado na diocese de Erechin, onde, como religioso, prestavas serviço na Cáritas Diocesana e junto ao povo de Deus da Paróquia São Francisco de Assis, no Bairro Progresso, atendendo os pobres e necessitados que recorriam à mesa do Senhor, à caridade, para terem mais dignidade de vida. Como religioso, pelo carisma, és filho de São João Calábria, um homem de Deus, que muito se empenhou para amenizar a dor e o sofrimento dos mais pobres, a partir da grande obra fundada na cidade de Verona. Hoje serás ordenado Presbítero da nossa Santa Igreja Católica e Apostólica Romana, tenhas presente que o estar com Jesus e ser enviado, sair e conhecer pessoas, são duas coisas que se correspondem e juntas são o coração da vocação, do sacerdócio. Estar “com Ele” significa chegar a conhecê-lo e dá-lo a conhecer. 

Com a ordenação presbiteral, o presbítero passa a participar do sacerdócio ministerial, que difere do sacerdócio comum dos batizados pelo serviço que ele é chamado a prestar em favor de todos os fiéis, para que estes possam aderir à mediação e ao poder de Cristo.

Mediante o sacerdócio ministerial, o Senhor continua a exercer no seu Povo aquela atividade que só a Ele pertence, enquanto Cabeça do seu Corpo. Portanto, o sacerdócio ministerial testemunha que Cristo não se afastou da sua Igreja, mas continua a vivificá-la com o seu sacerdócio perene. Por este motivo, a Igreja considera o sacerdócio ministerial como um dom que lhe foi concedido, no ministério de alguns de seus fiéis.

Portanto, o presbítero é “escolhido entre os homens, consagrado e constituído a favor dos homens, como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hb 5,1). Chamado a anunciar ao mundo o Evangelho, ele anuncia o mistério de Cristo diante das almas. Tal dom, instituído por Cristo para continuar a sua missão salvífica, foi conferido inicialmente aos Apóstolos e continua na Igreja, por meio dos Bispos, seus sucessores, que, por sua vez, o transmitem em grau subordinado aos presbíteros, enquanto cooperadores da ordem episcopal. 

O sacramento da Ordem, efetivamente, torna o presbítero participante, não só do mistério de Cristo Sacerdote, Mestre, Cabeça e Pastor, mas, de alguma maneira, também de Cristo “Servo e Esposo da Igreja”. A identidade do sacerdote deriva, portanto, da participação específica no Sacerdócio de Cristo, pelo qual o ordenado se torna, na Igreja e para a Igreja, imagem real, viva e transparente de Cristo Sacerdote. Por meio da consagração, o sacerdote “recebe como dom, um poder espiritual, que é a participação na autoridade, com a qual Jesus Cristo, mediante o Seu Espírito, guia a Igreja”. A vida e o ministério do sacerdote são uma continuação da vida e ação do próprio Cristo.

Portanto, o ministério presbiteral é serviço, não privilégio. E Jesus nos deu o testemunho do serviço lavando os pés dos discípulos e servindo-os à mesa. Neste serviço, é preciso ver Deus encarnado nas pessoas, nas famílias da comunidade, nos desesperados e desamparados, no cansaço das mães e pais de família, nos jovens que deixaram de sonhar com o amanhã e fazem da dependência química a razão para viver. É preciso ver o rosto de Cristo no sorriso da criança, mas também no idoso, que a passos lentos e vacilantes, nos diz que precisa de amor e da nossa presença. Desempenha, estimado filho, com verdadeira caridade e contínua alegria, a missão de Cristo sacerdote, procurando não o que é teu, mas o que é de Cristo. 

Os fiéis precisam de sacerdotes, homens de Deus, homens de esperança, apaixonados por Cristo, que levam consigo o fogo do amor; homens que se sabem chamados pelo Senhor e que estão cheios de amor pelo seu povo. Tenha presente na ação pastoral o Cristo Bom Pastor. Exerça o teu sacerdócio de modo fraterno e paterno. Tenha disponibilidade para acolher a ovelha ferida, para ir ao seu encontro e reconduzi-la ao aprisco. A força da tua ação pastoral não estará no número de ações que fizeres, mas na intensidade com que manterás a comunhão com Jesus Cristo, o Bom Pastor. O sacerdote precisa amar estar com o Senhor, escutar e falar com Ele. Sem essa profunda comunhão com o Cristo Sacerdote e Pastor, quem é ordenado Presbítero pode perder o encanto pelo ministério. E o Ministério, ao invés de ser uma fonte de realização vocacional, de um alegre serviço ao povo de Deus, passa a ser um peso, vivido na apatia e na indiferença, que pouco ajuda a Igreja na sua missão evangelizadora.

No dia do juízo final, o que marcará o nosso encontro com o Pai é o amor. Não um amor vivido de forma egoísta ou no vazio existencial, mas um amor que dá sentido à nossa passagem por este mundo, e nos ajuda a revelar a ternura e a compaixão de Deus no nosso agir. Porque o amor tem a capacidade de tornar eterno e divino o nosso agir neste mundo. E para viver o amor não é necessário realizar tarefas extraordinárias, nem ser um herói. Às vezes, somos tentados a fazer coisas extraordinárias, mas Jesus nos diz que para merecer a vida eterna basta fazer as ordinárias, que estão ao nosso alcance e revelam amor e compaixão pela vida do nosso irmão e da nossa irmã.

Estimado Diácono Darci! Já te consagraste ao Senhor, abraçando no teu coração o carisma dos Pobres Servos da Divina Providência, de São João Calábria, pelos votos solenes. Agora serás ordenado sacerdote da Nova Aliança, para anunciar o Evangelho, cuidar e apascentar o povo de Deus e celebrar o culto divino. Confia na presença do Senhor, na tua missão, para poderes contar com a força do seu Espírito, do seu amor e da sua sabedoria. Como presbítero, quando ministrares o Sacramento da Reconciliação, lembra-te que o confessor é ministro da misericórdia do Pai, é pastor, mestre, educador, juiz espiritual e também médico, que discerne e oferece cura. Exerce, pois, o teu ministério com o espírito de serviço, do nosso único Mestre e Senhor, que veio para servir e não para ser servido. Que no teu ministério sacerdotal possas revelar sempre aquele amor que Jesus manifestou com os que encontrou, prostrados e abatidos, ao longo dos caminhos por onde passou. Um amor que fala ao coração, que dá dignidade e esperança às pessoas, de modo especial aos pobres e abandonados, e move o coração dos saciados para a prática da caridade e da solidariedade.

Que Nossa Senhora do Rosário, padroeira desta paróquia, e São João Calábria, fundador dos Pobres Servos da Divina Providência, protejam a tua vocação, a vida consagrada e o teu ministério presbiteral. E intercedam junto ao Senhor para que os jovens não tenham medo de acolher no coração e para a vida o dom da vocação, tendo presente o chamado do Senhor e as necessidades da Igreja, Povo de Deus a caminho da casa do Pai. 

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

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