Faróis de Santidade
Recordação da Páscoa de São João Calábria (1954) e do Ir. Francisco Perez (1937)
Artigos
04.12.2025 11:43:27 | 6 minutos de leitura

No dia 4 de dezembro, a Família Calabriana se reúne em oração, memória agradecida e profunda veneração para recordar a passagem ao céu de dois pilares de nossa história espiritual: São João Calábria, que entrou na glória de Deus em 4 de dezembro de 1954, e o Irmão Francisco Perez, que concluiu sua peregrinação terrena em 4 de dezembro de 1937.
Ambos deixaram marcas indeléveis na vida da Obra, oferecendo ao mundo um testemunho singular de confiança absoluta na Providência, simplicidade evangélica e amor incondicional aos pequenos e pobres. São dois faróis de santidade que continuam a iluminar o caminho daqueles que desejam viver com radicalidade o Evangelho e fazer da própria vida um dom para o Reino de Deus.
A morte santa do Ir. Francisco Perez (4 de dezembro de 1937)
No mesmo dia em que, anos depois, partiria o Fundador, o Ir. Francisco Perez entrou serenamente na eternidade. Sua morte foi narrada pelo próprio Pe. João Calábria em uma carta de 4 de dezembro de 1937 — texto precioso que permanece como uma das mais belas páginas da Espiritualidade Calabriana.
Escreveu o Pai:“Caríssimos irmãos.Faleceu o nosso caríssimo Ir. Francisco Perez.Nesta manhã, um dia depois da primeira sexta-feira do mês e da festa de São Francisco Xavier, nas primeiras horas do primeiro sábado do mês, consagrado de modo especial à Nossa Senhora, da qual ele era muito devoto, às 4h30, a sua bela alma levantou voo diretamente para o Paraíso. Temos muitos motivos para crer que tenha chegado ao prêmio sem qualquer demora.”
A descrição comovente dos últimos instantes do irmão revela a profundidade de sua fé e a grandeza de sua vida escondida:“Pouco antes da meia-noite rezou, com voz clara, o Angelus Domini; mais tarde, rezou com fervor todo o hino Ave Maris Stella.”“‘Sinto que o Senhor me chama’, dizia. Rezou pelo Pe. Calábria, pela paz no mundo, pelo Bispo, pelos seus familiares, pelos irmãos, pelas Casas, por todos.”“Pouco antes de expirar, disse com tom grave: ‘Memento homo quia pulvis es… In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum!’ Entrou em agonia, que foi brevíssima, e sem quase nenhum sinal adormeceu no Senhor.”
E o Pai conclui, comovido:“Ó queridos irmãos, que morte invejável! Precisamos dizer, porém, que sua morte foi o eco da sua vida… Que pela intercessão de Maria o Senhor nos obtenha viver como ele para merecermos morrer como ele.”
Ir. Francisco permanece para todos nós um sinal luminoso da santidade vivida no silêncio, na caridade e na fidelidade cotidiana — um verdadeiro “evangelho vivo”, expressão tão cara ao Fundador.
São João Calábria: o “zero e miséria” que Deus transformou em testemunha para a Igreja
Em 4 de dezembro de 1954, após uma vida totalmente oferecida ao Evangelho, São João Calábria entregou sua alma ao Pai. Sua trajetória, riquíssima e profundamente marcada pela ação da Providência, é conhecida graças aos escritos preservados no processo de canonização e à biografia oficial de Pe. Mario Gadili, testemunha direta de sua vida.
Calábria nasceu pobre, viveu pobre e serviu os pobres com radicalidade. Desde jovem, sentiu-se pequeno, limitado, indigno — e gostava de definir-se como “zero e miséria”. Mas foi precisamente essa consciência humilde que o tornou dócil à voz de Deus e, mais tarde, inspiraria João Paulo II a chamá-lo publicamente de “testemunha”.
Na homilia de beatificação, disse o Papa: “Padre João Calábria é uma testemunha da caridade para com os pobres, de zelo pelas almas, de intenso amor a Deus.Experimentado na pobreza… amou sobremaneira os meninos pobres, os órfãos, os abandonados.Foi justamente a singular experiência da pobreza que suscitou nele a confiança ilimitada na Providência.”
Toda a vida de Calábria foi atravessada pela chama ardente de “buscar primeiro o Reino de Deus” (Mt 6,33). Como recorda a Biografia oficial, esse versículo tornou-se o eixo de sua espiritualidade, o impulso de sua confiança e o fundamento de todas as suas obras .
Sua fé simples e luminosamente radical impressionou profundamente aqueles que conviveram com ele. Em seu coração ardia o desejo de despertar o mundo para a certeza de que “Deus existe e cuida de nós” — missão que ele mesmo expressou nas Santas Normas de 1908:“A Obra viva inteira e totalmente abandonada à Providência Divina.”
Sua vida foi um constante “sim” a Deus — e sua morte, silenciosa e totalmente entregue, coroou a existência daquele que, como escreveu João Paulo II na canonização:“Foi Evangelho Vivo, transbordante de caridade… cuja fonte era a confiança ilimitada e o abandono filial ao Pai celeste.”
Dois faróis para a Família Calabriana
São João Calábria e Ir. Francisco Perez representam duas formas complementares de viver o mesmo carisma:– o Fundador, gigante humilde que Deus escolheu para suscitar uma obra transbordante de fé, confiança e amor aos pobres;– o irmão simples, que, com o perfume de suas virtudes, iluminou a casa e sustentou seus irmãos com a santidade discreta de quem vive totalmente para Deus e para o próximo.
Ambos nos recordam que a vocação Calabriana exige coerência, entrega e abandono radical à Providência.Ambos nos chamam a viver como Evangelhos Vivos, alimentados pela Eucaristia, dóceis ao Espírito, apaixonados pela Igreja, disponíveis ao serviço, inclinados aos pequenos e pobres.E ambos — como faróis — continuam indicando à Família Calabriana o caminho da santidade possível, necessária e urgente.
Conclusão
Neste dia de memória, elevemos a Deus nossa gratidão por estes dois irmãos, sinais vivos da ação da Providência na história. Que o testemunho de São João Calábria e do Ir. Francisco Perez reacenda em nós o desejo de santidade, a coragem da entrega e a alegria de confiar, sem reservas, naquele que é Pai.
Que sua intercessão nos ajude a viver, cada dia mais, a vocação que recebemos, tornando nossa vida um Evangelho Vivo para o mundo.
São João Calábria, rogai por nós!Ir. Francisco Perez, intercedei por nós!
Setor Comunicação
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