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Família Calabriana aprofunda a vivência da JPIC em formação online

JPIC: um estilo de vida que faz da Família Calabriana sinal de justiça, paz e cuidado com a criação.

Notícias

25.11.2025 10:46:33 | 8 minutos de leitura

Família Calabriana aprofunda a vivência da JPIC em formação online

 Em clima de oração, fraternidade e profunda sintonia com os apelos da Igreja, a Família Calabriana do Brasil participou de uma formação online sobre Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC). O encontro reuniu religiosos e leigos das diversas presenças da Obra no país, com a participação especial do Casante dos Pobres Servos da Divina Providência, Pe. Massimiliano Parrella, e a assessoria do Frei Mateus Fernandes, OFMCap, que coordena o serviço da JPIC na Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul e integra a coordenação nacional.

Desde os primeiros instantes, a formação foi marcada por um forte clima espiritual. Conduzidos por Gustavo Gobbo e pela equipe da Rede Calábria, os participantes iniciaram com um canto que evocava o sonho de um mundo novo – sem armas, sem opressão, com mesas cheias de pão e o “reinado do povo”, expressão concreta da justiça e da paz desejadas por Deus. Em seguida, foi rezada a conhecida “Oração pela nossa terra”, presente na encíclica Laudato Si’, suplicando a Deus que desperte nos corações a capacidade de cuidar da vida, da beleza da criação e dos pobres mais esquecidos.

A formação contou com a presença de participantes de vários estados e frentes de missão: comunidades de Porto Alegre e região metropolitana, obras sociais e educativas da Rede Calábria, presenças de Marituba (PA), Limoeiro (PE), Quixadá (CE), Maranhão, Rio Grande (RS) e outros contextos, expressando a riqueza e a pluralidade da missão Calabriana no Brasil. Religiosos, leigos, agentes de pastoral, educadores e equipes de projetos se apresentaram, evidenciando a unidade de carisma e diversidade de serviços.

JPIC: não um setor, mas um modo de ser Família Calabriana

Na abertura formativa, o Casante Pe. Massimiliano Parrella dirigiu uma reflexão densa e ao mesmo tempo simples, sublinhando que a JPIC não é “mais um projeto” ou apenas um “setor” dentro da Congregação, mas uma verdadeira conversão de mentalidade, de sensibilidade e de práticas.

Segundo ele, Justiça, Paz e Integridade da Criação tocam a própria identidade da Família Calabriana:

• JPIC como mentalidade:
Pe. Massimiliano recordou que a Providência, na Espiritualidade Calabriana, não é passividade nem espera fatalista, mas responsabilidade, presença e compromisso concreto. Assumir a JPIC é ler os acontecimentos com um olhar evangélico, a partir da dignidade de cada pessoa, especialmente dos pobres, e do cuidado com o bem comum. Retomando São João Calábria, lembrou que “os pobres são nossos patrões”, e uma Congregação que coloca os pobres no centro assume, de fato, a mentalidade da JPIC.

• JPIC como sensibilidade:
O Casante insistiu na necessidade de uma sensibilidade espiritual e ecológica: deixar-se tocar pelas feridas dos povos, dos jovens, das famílias e da própria criação. Não se trata apenas de “reciclar” ou economizar água, mas de perceber que ferir a natureza é ferir o ser humano. À luz de Laudato Si’, Fratelli Tutti e da carta que ele mesmo dirigiu à Família Calabriana – A força dos mansos e o poder dos menores –, convidou a cultivar um coração contemplativo, capaz de reconhecer Deus nos pobres, na história e na criação.

• JPIC como prática:
Por fim, destacou que a mentalidade e a sensibilidade só se tornam credíveis quando se traduzem em práticas concretas: na formação inicial e permanente, nas comunidades religiosas, nas paróquias, escolas, centros sociais e casas de acolhida. A JPIC se encarna em relações fraternas, gestão dialogada dos conflitos, estilo manso, proteção dos menores, defesa dos mais vulneráveis e cuidado diário com os ambientes em que se vive e trabalha.

“JPIC – afirmou o Casante – não é um projeto a mais, mas o modo de pensar, sentir e agir que deve atravessar toda a nossa vida carismática. Só Deus no centro, e cada irmão e irmã dentro do nosso coração e das nossas escolhas.”

Frei Mateus: JPIC como fé encarnada que transforma a realidade

Dando continuidade ao encontro, Frei Mateus Fernandes apresentou, de forma didática e profunda, o caminho da JPIC na Igreja e na família franciscana, em diálogo direto com o carisma calabriano. Ele definiu JPIC como “um estilo de vida e de missão”, enraizado no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja.

Entre os pontos centrais de sua exposição, destacam-se:

Fontes da JPIC:
Frei Mateus recordou que o compromisso com a Justiça, a Paz e a Integridade da Criação nasce:
- da Sagrada Escritura, como projeto de Deus para a vida de todos;
- da Doutrina Social da Igreja, que ilumina a dignidade humana e a responsabilidade social dos cristãos;
- da espiritualidade própria de cada carisma – franciscano, calabriano, e tantos outros – que, mesmo antes de usar a sigla “JPIC”, já viviam intensamente a proximidade com os pobres e a criação;
- dos documentos e constituições congregacionais, que pedem explicitamente um compromisso com a justiça social, a paz e o cuidado da casa comum;
- e das práticas concretas, nas obras e comunidades, que exigem conversão diária do coração.

As três dimensões: Justiça, Paz e Integridade da Criação:
- Justiça como promoção da dignidade e dos direitos humanos, denúncia da pobreza, do racismo, da exclusão, da violência e da corrupção. Não se trata apenas de “justiça dos tribunais”, mas de uma justiça que nasce do amor e da opção pelos pobres.
- Paz como fruto da justiça e da reconciliação: estar em harmonia consigo, com Deus, com os outros e com toda a criação. Supõe perdão, diálogo, superação da violência e educação para uma cultura de fraternidade.
- Integridade da Criação como cuidado da casa comum: tudo está interligado, e agredir a natureza é agredir a vida humana. Implica uso responsável da água, da energia, dos alimentos, combate ao consumismo e ao desperdício, e promoção de estilos de vida sustentáveis.

• Quatro níveis de ação da JPIC:
Frei Mateus apresentou ainda quatro níveis que ajudam a discernir e organizar a prática:
1. Atender as necessidades imediatas (cestas básicas, roupas, acolhida, apoio emergencial);
2. Empoderar as pessoas, ajudando-as a conhecer seus direitos e acessar saúde, educação, assistência e participação social;
3. Incidir nas estruturas por meio de conselhos, audiências públicas, articulações e processos políticos que transformem sistemas injustos;
4. Restaurar a dignidade dos filhos e filhas de Deus e da criação ferida, finalidade última de toda ação de JPIC.

“Mais do que uma sigla, JPIC é um modo de ser cristão hoje”, sublinhou o frei. “É unir fé, oração e compromisso concreto com a vida em todas as suas formas, sendo presença de paz, defensores da dignidade humana e guardiões da criação.”

Partilhas, provocações e caminho que continua

Após a exposição, os participantes partilharam impressões, perguntas e desafios. Surgiram questões muito práticas, como: “Por onde começar, no cotidiano, para transformar teoria em vida?” A partir disso, foram lembrados gestos simples e concretos: separar corretamente o lixo, reduzir o desperdício, rever os padrões de consumo, cuidar da água e da energia, incentivar hortas, cooperativas, economia solidária, e, sobretudo, educar crianças, adolescentes e famílias para um novo estilo de vida.

Outras intervenções chamaram a atenção para:
• a necessidade de resgatar o sentido de pertença à casa comum, superando a ideia de que “alguém virá resolver o problema depois”;
• a centralidade da justiça social na JPIC, colocando no centro a defesa da vida dos mais pobres, dos povos originários e das comunidades vulneráveis;
• a importância de unir espiritualidade e compromisso social, recordando que, como ensina o Papa, não se pode separar a fé do amor concreto aos pobres.

Ir. Sílvio da Silva, responsável pelo Setor Formação, sublinhou que a JPIC está no coração do projeto evangelizador da Igreja e da Família Calabriana: não é algo opcional, mas parte integrante da missão. A formação foi também um ponto de partida para iniciativas mais estruturadas, que deverão ser aprofundadas ao longo do próximo ano nas diversas presenças.

Ao final, Frei Mateus concedeu a bênção, pedindo a Deus que mantenha os olhos abertos para a realidade, o coração dócil à sua voz e as mãos sempre disponíveis para servir com amor. A formação foi concluída com a certeza de que, como obra nascida para os tempos atuais, a Família Calabriana é chamada a testemunhar, com simplicidade e coragem, que Justiça, Paz e Integridade da Criação são rostos concretos da Providência de Deus no mundo – para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

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