Exaltação da Santa Cruz: o amor que vence a morte
A cruz não é derrota, mas vitória: nela brilha o amor que vence a morte e nos dá a vida eterna.
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12.09.2025 07:00:00 | 4 minutos de leitura

Festa Exaltação da Santa Cruz
Padre Rafael Pedro Susrina, psdp
A Igreja nos convida hoje a exaltar a Santa Cruz. A cruz não é um pedaço de madeira: é o lugar onde Deus escreveu a palavra definitiva sobre a história da humanidade: “Eu vos amei até o fim” (cf. Jo 13,1).
Na 1ª leitura (Nm 21,4b-9), vimos o povo de Israel picado pelas serpentes no deserto. Deus manda Moisés levantar uma serpente de bronze: quem a olhava era curado. Um gesto simples, cheio de fé: levantar os olhos e esperar em Deus.
Essa imagem é retomada no Evangelho (Jo 3,13-17): “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.” Aqui está o coração da festa: olhar para o Crucificado é encontrar salvação. São João Crisóstomo comentava: “Cristo cura os que fixam os olhos nele, não com os olhos do corpo, mas com os da fé.” A Liturgia nos convida a levantar os olhos para a cruz, mas não como um costume, e sim como quem busca vida.
Na 2ª leitura (Fl 2,6-11), São Paulo nos recorda que Jesus, sendo de condição divina, esvaziou-se, fez-se servo e se humilhou até a morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de todo nome. Aqui está o paradoxo da fé cristã: quem se abaixa no amor é levantado por Deus. O mundo dizia: “A cruz é fracasso”. Mas Deus proclamou: “A cruz é vitória!”.
Santo André de Creta pregava: “Nós celebramos hoje a cruz, e por ela nos alegramos, porque nela Cristo foi exaltado, nela Ele venceu, nela o diabo foi vencido.” A cruz é o trono de Cristo. Não foi em palácios, mas no madeiro, que Ele manifestou o poder do amor que salva.
Mas, irmãos, de que adianta celebrar a cruz se ela não toca a nossa vida? O que em mim precisa morrer para que Cristo viva? Talvez aquele ressentimento que alimento há anos, aquele orgulho que não me deixa pedir perdão, aquele comodismo que me impede de servir. Quais cruzes tenho evitado carregar? Talvez aquela paciência no sofrimento, aquele serviço humilde, aquele amor que exige sacrifício. Hoje a cruz nos diz: não tenhas medo de perder, porque é no perder que se ganha; não temas o sacrifício, porque é nele que se encontra a vida.
São Leão Magno afirmava: “A cruz do Senhor é a fonte de todas as bênçãos e a causa de todas as graças.” Se a cruz é fonte de bênçãos, então as nossas cruzes, unidas à de Cristo, tornam-se também caminho de graça.
Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é deixar-se transformar. Quando traçamos o sinal da cruz sobre nós, não é apenas um gesto automático: estamos confessando que pertencemos a Cristo e queremos viver à maneira d’Ele. E a cruz nos ensina três coisas muito concretas: amar até o fim, mesmo quando custa; perseverar na provação, sem perder a confiança; e esperar contra toda esperança, porque da morte brota a vida.
Levantemos os olhos para a cruz e deixemos que dela desça sobre nós a luz do amor de Cristo. Que cada ferida nossa se encontre com as feridas d’Ele. Que cada passo nosso seja dado com a coragem de quem sabe que, por trás da cruz, já brilha a vitória da ressurreição.
Assim, ao exaltar a Santa Cruz, peçamos a graça de olhar para ela com fé viva. Que não vejamos nela a sombra da derrota, mas a luz da vitória; não apenas sofrimento, mas sobretudo amor. E que cada um de nós possa repetir com São Paulo: “Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,19-20). Exaltemos, sim, a cruz: porque nela fomos salvos, nela encontramos força, nela recebemos a vida eterna.
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