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Encontro vocacional online inspira jovens a discernirem o chamado de Deus à luz de São Pedro e São Paulo

A vocação nasce quando o coração tem coragem de perguntar: ‘Senhor, que queres de mim?’ — e encontra alegria em responder: ‘Eis-me aqui.’

Notícias

12.06.2026 10:17:10 | 6 minutos de leitura

Encontro vocacional online inspira jovens a discernirem o chamado de Deus à luz de São Pedro e São Paulo

No dia 11 de junho, os Pobres Servos da Divina Providência promoveram mais um importante momento de animação vocacional por meio de um encontro online, reunindo jovens em processo de discernimento e religiosos da Congregação para uma profunda reflexão sobre o chamado de Deus na vida concreta.

Com o tema inspirado no testemunho de São Pedro e São Paulo, o encontro buscou ajudar os participantes a compreenderem que toda vocação nasce de um chamado divino e amadurece na escuta, na coragem e no discernimento. A reflexão central partiu da pergunta que ecoa no coração de todo vocacionado: “Senhor, que queres que eu faça?”

A acolhida foi conduzida por Pe. Osvaldo, que saudou os participantes e destacou a beleza de proporcionar, mesmo em ambiente virtual, um espaço de partilha, oração e escuta da voz de Deus.

O chamado de Deus percorre toda a história da salvação

Ao longo da reflexão, foi recordado que a vocação não é uma realidade isolada, mas atravessa toda a Sagrada Escritura. Desde o início, Deus chama e continua chamando.

Foram recordados diversos personagens bíblicos que ilustram essa dinâmica vocacional: Adão e Eva, chamados à santidade; Samuel, que precisou aprender a discernir a voz de Deus; Jeremias, escolhido desde o ventre materno; Maria, chamada a ser Mãe do Filho do Altíssimo; além dos discípulos e apóstolos, que responderam prontamente ao convite de Jesus.

Pe. Osvaldo enfatizou que Deus continua chamando nas realidades mais simples da vida cotidiana: na família, na escola, na catequese, na comunidade, no trabalho, nas pastorais e também nas amizades.

“A vocação não acontece apenas em experiências extraordinárias. Deus se revela no cotidiano, nos acontecimentos concretos da vida”, destacou.

Despertar, acolher e discernir

Durante o encontro, foi apresentada uma tríplice dinâmica vocacional que ajuda a compreender o caminho de discernimento:
Despertar para os sinais de Deus;
Acolher o chamado sem medo;
Discernir para compreender e realizar a vontade divina.

Essas três atitudes foram aprofundadas a partir da vida de São Pedro e São Paulo, grandes colunas da Igreja e testemunhas luminosas do Evangelho.

São Pedro: da fragilidade à fidelidade

A vocação de São Pedro foi apresentada como um chamado que nasce no cotidiano. Pescador simples, Pedro encontra Jesus junto às redes, em meio ao trabalho e à vida comum.

Seu despertar vocacional aparece de modo especial na pesca milagrosa, quando percebe a grandeza de Cristo. Sua abertura ao chamado se manifesta na obediência confiante: “Mas, por causa da tua palavra, lançarei as redes.”

O discernimento acontece quando Pedro reconhece sua pequenez diante de Deus, aceita sua fragilidade e decide deixar tudo para seguir Jesus.

Sua caminhada, porém, não foi linear. Pedro amadureceu entre impulsividades, quedas, limites e recomeços. Após negar Jesus, experimentou a misericórdia restauradora do Mestre, aprendendo que a vocação não exige perfeição imediata, mas disponibilidade para deixar-se transformar pelo amor.

São Paulo: da perseguição à missão

Já São Paulo foi apresentado como exemplo de profunda conversão vocacional.

Jovem inteligente e zeloso pela tradição, Paulo inicialmente perseguiu os cristãos. Contudo, sua vida mudou radicalmente no caminho de Damasco, quando foi derrubado por uma luz e ouviu a voz de Cristo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”

Esse foi seu despertar.

A abertura ao chamado veio por meio da escuta, da obediência e da confiança. No discernimento, Paulo aceitou ser conduzido por Ananias, viveu a experiência da cegueira, do recolhimento e da oração até reencontrar a visão — não apenas física, mas espiritual.

A partir dali, sua vida tornou-se totalmente missionária: passou a anunciar Jesus nas sinagogas e em todos os lugares, proclamando-O como o Filho de Deus.

A beleza da vocação do Irmão Religioso

Um dos momentos do encontro foi a partilha vocacional do Ir. Silvio, que testemunhou sua caminhada de consagração religiosa.

Com simplicidade e profundidade, ele explicou que vocação é, antes de tudo, um chamado de Deus. Compartilhou que, ao ingressar na Congregação, imaginava seguir o caminho sacerdotal, mas o discernimento o levou a descobrir um chamado específico: ser Irmão Religioso.

Destacou que, entre os Pobres Servos, a consagração pode assumir duas formas — padre ou irmão — mas ambas nascem da mesma raiz: o chamado de Deus.

O Ir. Silvio sublinhou uma verdade importante: a vocação de irmão não significa “não ter dado certo” no sacerdócio, mas constitui uma resposta própria, legítima e plenamente fecunda à vontade divina.

Hoje, com 42 anos de vida religiosa e 50 anos de caminhada na Congregação, testemunha uma vida marcada pela disponibilidade missionária.

Sua trajetória inclui experiências em diversas regiões do Brasil e também no exterior, passando pela África, Itália, Feira de Santana, Marituba e Porto Alegre.

Seu testemunho revelou uma verdade central da vida consagrada: vocação é disponibilidade para ir onde Deus envia.

Cultivar a cultura vocacional

Na sequência, Ir. Marcos reforçou a alegria de acompanhar tantos jovens no itinerário vocacional promovido ao longo do primeiro semestre de 2026.

Ele recordou as visitas e encontros realizados em Limoeiro (PE), São Luís (MA), Jacundá (PA) e Marituba (PA), sinais concretos de um trabalho vocacional que continua dando frutos.

Incentivou os jovens a não terem medo de fazer experiências e a manterem o coração aberto à vontade de Deus.

Também pediu oração pelos consagrados e por todos aqueles que estão em processo de discernimento.

Vocação exige acompanhamento

Ao final, Pe. Osvaldo insistiu em um ponto essencial: ninguém discerne sozinho.

O caminho vocacional precisa de acompanhamento concreto através de pessoas que Deus coloca na caminhada — pais, catequistas, religiosos, sacerdotes e lideranças da comunidade.

Foi divulgado também o contato do Centro de Orientação Vocacional (COV) Mãe de Deus, em Feira de Santana, para os jovens que desejam aprofundar o discernimento e iniciar um acompanhamento mais próximo.

O site oficial da Congregação também foi indicado como espaço para conhecer melhor o carisma, as etapas formativas e a missão dos Pobres Servos.

Encerrando o encontro, os participantes registraram uma foto coletiva e foi lançada a possibilidade de uma nova edição dentro de aproximadamente dois meses.

Um chamado que conduz à felicidade

O encontro reafirmou uma convicção central da espiritualidade vocacional: vocação é resposta a um Deus que continua chamando.

Mais do que escolher uma profissão ou um caminho de vida, discernir a vocação é descobrir para que Deus nos criou e onde podemos amar mais.

São João Calábria recordava com insistência que Deus continua chamando, mas deseja servir-se de instrumentos humanos para despertar novas vocações. Em seus escritos, ele afirma:

“Se alguém dá sinais de vocação, cultiva-o segundo o nosso espírito e reza ao Senhor para que abençoe o teu trabalho.”

Essa exortação continua profundamente atual. A cultura vocacional não é responsabilidade de poucos, mas de toda a Igreja. Deus segue chamando, e a comunidade cristã é chamada a rezar, testemunhar, acompanhar e encorajar.

Como Família Calabriana, permanece vivo o compromisso de avivar no mundo a fé e a confiança em Deus Pai Providente, ajudando cada jovem a escutar, discernir e responder com generosidade ao chamado do Senhor.

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