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Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Entre os ramos da aclamação e o silêncio da Cruz, revela-se o verdadeiro Rei: Aquele que reina servindo, salva entregando-se e vence amando até o fim.

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27.03.2026 10:07:51 | 5 minutos de leitura

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Diác. Arão Tchitali Cachuco, psdp

Hoje é o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o início da Semana Santa. Com esta solene celebração, a Igreja abre aquela que é chamada a grande semana: a semana que vai nos fazer viver a Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Esta semana culminará com o Domingo da Ressurreição, o Domingo da vitória do nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo. Este Domingo que estamos vivendo tem dois sentidos: a procissão de ramos e, depois, a Missa da Paixão. Por isso, é chamado Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Antigamente, não existia a Semana Santa como a temos hoje. Era como que impossível, e os cristãos só podiam se reunir aos Domingos. No domingo antes da Páscoa, escutava-se o Evangelho da Paixão até a sepultura de Jesus, Jesus no túmulo. Era o Domingo da Paixão do Senhor. No Domingo seguinte, celebrava-se a Ressurreição. A partir dos séculos III e IV, os cristãos começaram a poder celebrar também a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo. Continuaram com o Domingo da Paixão, mas acrescentaram a procissão de Ramos. Assim ficou: Domingo de Ramos e da Paixão. Jesus, então, entra em Jerusalém de modo triunfante, algo que Ele fazia todos os anos. Todos os anos Ele ia a Jerusalém. Desta vez, era a última, e Ele sabia. Já estava jurado de morte; havia um decreto contra Ele. E a dúvida que existia na cidade era: “Será que Ele vem? ”. Jesus, então, aparece. Jerusalém, hoje, é o coração do ser humano, onde Deus quer entrar. É no nosso coração que Ele bate à porta. Jerusalém é a cidade do Messias, a cidade do Rei Davi. Estamos no ano 30 da era cristã, da nossa era. No vai e vem da vida, Jesus sabe de tudo. Sabe olhar a providência de Deus nos acontecimentos da vida. Jesus manda que os discípulos vão até Betfagé para desamarrar o jumentinho. Se alguém perguntar: “O que fazeis com esse jumentinho? ”, é interessante a resposta de Jesus: “O Senhor precisa dele”. Não há necessidade de justificativa. Quando Deus te pede alguma coisa, entregue ao Senhor. O Senhor precisa de ti, da tua presença de cristão e discípulo que testemunha. Tudo para a glória de Deus.

Jerusalém se alegra, mas esse rei não vem de cavalo. Jesus vem montado num jumento, animal de serviço, sinal de humildade. Vem manso e humilde: o Messias que traz a paz. Os judeus não entendem esse Messias e vão crucificar Jesus. “Exulta de alegria, filha de Sião, pois o teu rei está chegando...” (cf. Zacarias 9,9). A profecia se cumpre em Jesus. O Messias tem como trono a Cruz e como coroa os espinhos; tem como cetro o caniço que colocam em suas mãos como zombaria; tem como manto o escarlate, o manto vermelho que lhe vestem também como zombaria. O povo coloca os ramos no chão e canta: “Hosana ao Filho de Davi! ”. Ele é o Messias, e nós queremos também proclamar que Ele é o Messias. Esse é o sentido: proclamar que Ele é o Messias. Indo pelas ruas com ramos nas mãos, reconhecemos Jesus como o Crucificado. Jesus é o profeta prometido por Moisés (cf. Deuteronômio 18,15). Ele é o Profeta. Mas Jesus não é um profeta qualquer: Jesus é Deus vindo de Deus, Luz vindo da Luz. Hoje, Jerusalém acolhe Jesus; nós acolhemos o Filho de Deus. Jesus vive as dores: a dor física (açoitado e crucificado) a dor psicológica (foi abandonado por todos, sente-se na escuridão); e a dor misteriosa, que nunca compreenderemos plenamente (a dor espiritual, quando parece que o Pai se cala). Mas, nas mãos do Pai, Jesus entrega o seu espírito.

Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima, e acolhermos aquele Deus que lugar algum pode conter. Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas logo perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele próprio. Agitando nossos ramos espirituais, aclamemo-lo todos os dias, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel! ” (Oratio 9 in ramos palarum).

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Imagem ilustrativa criada por IA

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