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Cultura Vocacional é tema de encontro online do Setor Pastoral Calabriana

Formação conduzida pelo Diácono Deivid destacou que a cultura vocacional nasce do testemunho, do acompanhamento e da confiança na Providência

Notícias

29.06.2026 12:14:29 | 5 minutos de leitura

Cultura Vocacional é tema de encontro online do Setor Pastoral Calabriana

No dia 29 de junho de 2026, o Setor Pastoral Calabriana dos Pobres Servos da Divina Providência – Delegação Nossa Senhora Aparecida promoveu um importante encontro online de formação com o tema “Cultura Vocacional”, reunindo religiosos, leigos e colaboradores envolvidos na missão pastoral, educativa e evangelizadora da Família Calabriana.

O encontro, conduzido por Gustavo Gobbo, contou com a assessoria principal do Diácono Deivid Ferreira da Silva, que ofereceu uma profunda reflexão sobre a necessidade de construir, em nossas comunidades e frentes de missão, uma autêntica cultura vocacional, capaz de despertar, acompanhar e sustentar o chamado de Deus na vida das pessoas.

A formação partiu da compreensão de que vocação não se reduz à escolha de um estado de vida específico, mas diz respeito ao chamado fundamental de toda pessoa humana à comunhão com Deus. Recordando a Gaudium et Spes (n. 19), o Diácono Deivid destacou que “a razão mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus”, reforçando que toda pastoral, em sua essência, deve ajudar as pessoas a redescobrirem quem são diante de Deus.

Cultura vocacional: mais que eventos, um cultivo permanente

Um dos pontos centrais da formação foi a compreensão da palavra cultura como cultivo. Diácono Deivid insistiu que uma cultura vocacional não se constrói por ações isoladas ou por eventos esporádicos, como campanhas em determinados meses do ano. Pelo contrário, exige tempo, paciência, constância e intencionalidade pastoral.

Segundo ele, cultivar vocações significa semear continuamente valores, oferecer testemunho coerente e criar ambientes onde as pessoas possam escutar a voz de Deus. Nesse sentido, foi ressaltado que o trabalho vocacional exige confiança na Providência divina, característica profundamente alinhada ao Carisma Calabriano.

Inspirado no Evangelho e na espiritualidade da Obra, o assessor recordou que a coragem pastoral nasce da certeza de que Deus conduz a história. Por isso, mesmo quando os frutos não aparecem de imediato, toda semeadura realizada com amor nunca é em vão.

O anúncio essencial: Cristo vive e ama cada pessoa

Outro aspecto fortemente sublinhado foi a centralidade do anúncio querigmático. Em sintonia com o Papa Francisco, Diácono Deivid recordou a força da mensagem simples e transformadora: “Cristo vive e Cristo te ama.”

Essa verdade, segundo ele, precisa permanecer no centro de qualquer proposta vocacional. Antes de falar sobre discernimento, missão ou estados de vida, é necessário ajudar cada pessoa a experimentar-se amada por Deus.

O encontro também destacou que a criatividade pastoral deve ser sempre movida pelo amor. Não basta inovar por inovar; é preciso criar caminhos que favoreçam encontros verdadeiros, vínculos significativos e experiências de escuta.

A importância do acompanhamento pessoal

Entre as recomendações práticas, destacou-se a urgência do acompanhamento pessoal. O Diácono Deivid reforçou que processos vocacionais autênticos dificilmente acontecem sem proximidade, escuta e acompanhamento individual.

Relatando experiências concretas em escolas, grupos juvenis e ambientes pastorais, mostrou como pequenos gestos de acolhida podem abrir caminhos profundos. Em um dos testemunhos partilhados, uma simples dinâmica em sala de aula levou um jovem a procurar ajuda para enfrentar a dependência química, evidenciando o impacto que uma presença pastoral sensível pode gerar.

Foi ressaltado que grupos menores e relações mais próximas favorecem a escuta do coração, especialmente em contextos marcados por ansiedade, fragilidade emocional e crise de sentido.

Linguagem adaptada a cada fase da vida

A formação também abordou a necessidade de adaptar a linguagem vocacional conforme a realidade de cada faixa etária.

Na educação infantil, o caminho passa pelo lúdico, pela afetividade, pelas histórias e pelo testemunho concreto. Com crianças e pré-adolescentes, histórias bíblicas e atividades artísticas podem favorecer identidade e pertença.

Com os jovens, torna-se fundamental trabalhar escolhas, projeto de vida e discernimento. Já com os idosos, a pastoral vocacional precisa valorizar memória, legado, gratidão e sentido da própria história.

Essa abordagem ampliou a compreensão de que a vocação não é um tema restrito à juventude ou à vida religiosa, mas atravessa todas as etapas da existência humana.

Partilhas enriqueceram o encontro

O encontro foi enriquecido pelas contribuições dos participantes, que compartilharam experiências concretas da missão.

Diversas falas convergiram na importância da paciência histórica: vocações são fruto de processos longos, muitas vezes invisíveis, que exigem perseverança e confiança.

Também foi reafirmado o papel decisivo da família como primeiro espaço de cultivo vocacional, bem como a missão dos leigos na construção de ambientes que favoreçam o discernimento.

Outro ponto relevante foi a percepção de que as profissões também podem ser vividas como vocação e serviço. Psicólogos, educadores, gestores e tantos outros profissionais são chamados a manifestar o amor de Deus em suas áreas de atuação.

Um compromisso renovado com a cultura vocacional

Ao final, ficaram delineados alguns compromissos práticos: fortalecer calendários anuais de ações vocacionais, ampliar espaços permanentes de acolhimento, compartilhar recursos formativos entre equipes e garantir continuidade local às sementes plantadas em visitas e itinerâncias.

Na mensagem de encerramento, o Diácono Deivid deixou uma exortação marcada pela esperança e pela confiança em Deus: não ter medo, permanecer firmes na vontade divina e confiar que a obra vocacional é sempre sustentada pela Providência.

O encontro reafirmou que promover uma cultura vocacional significa ajudar cada pessoa a redescobrir sua identidade mais profunda: ser filha amada, filho amado de Deus, chamada a viver em plenitude sua vocação e missão no mundo.

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