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Cristo em primeiro lugar: o caminho da verdadeira liberdade

Quem coloca Jesus no centro da vida não perde nada, mas encontra o sentido de tudo, até da cruz.

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05.09.2025 10:56:06 | 5 minutos de leitura

Cristo em primeiro lugar: o caminho da verdadeira liberdade

23º Domingo do Tempo Comum

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

O evangelho de hoje nos coloca diante de palavras radicais de Jesus: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26-27). Estas palavras soam duras. Como entender que Jesus, que nos ensinou a amar, peça que O escolhamos acima de tudo, até mesmo das pessoas que mais amamos? Será que Ele quer que abandonemos nossa família? Que desprezemos a vida?

Não. O que Jesus nos ensina aqui é que só quando Ele está no centro é que todos os outros amores e afetos encontram seu verdadeiro sentido. Ele nos convida a uma decisão séria e radical: ou Ele é o primeiro, ou acabamos colocando outras coisas no lugar de Deus. Quando Jesus fala em “desapegar” até do pai, da mãe, do cônjuge ou dos filhos, não está anulando o mandamento do amor. Pelo contrário, mostra que o amor humano, sem Deus, facilmente se torna posse, egoísmo ou idolatria. Podemos nos perguntar, então: quem ocupa o primeiro lugar em meu coração? Será Cristo, ou será que meu coração, muitas vezes, se deixa dominar pelo apego aos bens, às pessoas ou até pelo orgulho de si mesmo?

São João Paulo II nos deixou uma frase que ilumina este ponto: “Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, mas dá tudo”. Quem prefere a Cristo acima de tudo, na verdade, não perde o amor humano, mas o purifica e o fortalece. 

O Senhor continua: “Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27). Carregar a cruz não é apenas suportar sofrimentos da vida. É, antes de tudo, viver com fidelidade a vontade de Deus, mesmo quando isso custa sacrifícios. Ser fiel no casamento, ser honesto no trabalho, viver a fé na família, testemunhar Cristo quando é mais fácil se calar – tudo isso é carregar a cruz. Como eu tenho carregado a minha cruz? Será que abraço as dificuldades com fé, ou reclamo de tudo? Será que vejo a cruz como peso sem sentido, ou como caminho de amor, sabendo que nela encontro Cristo?

Santa Teresa de Ávila dizia: “Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”. A cruz, quando abraçada com Jesus, deixa de ser maldição e se torna fonte de vida. 

Logo depois, Jesus conta as parábolas do construtor e do rei. Um homem que quer levantar uma torre precisa calcular os gastos antes. Um rei que vai à guerra precisa ver se tem condições de enfrentar o inimigo. Seguir Jesus não é um impulso momentâneo, não é emoção passageira. É decisão consciente que exige perseverança. Estou disposto a seguir Cristo até o fim, mesmo quando custa renúncia, desapego, abandono de certas seguranças? Ou sou daqueles que começam com entusiasmo, mas desistem diante da primeira dificuldade?

Santo Inácio de Loyola nos lembra: “O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus nosso Senhor, e, mediante isso, salvar a sua alma”. Esta é a torre que precisamos construir, esta é a batalha que precisamos enfrentar.

A história da Igreja está cheia de homens e mulheres que escolheram a Cristo acima de tudo. Alguns deixaram família e bens para segui-Lo na vida consagrada. Outros permaneceram em suas casas, mas viveram com radicalidade a fé, colocando Cristo em primeiro lugar em cada decisão. Um exemplo luminoso é o casal Santa Emília de Cesareia e São Basílio Magno (o Ancião), pais de família. Eles viveram a santidade no lar, educando os filhos com dedicação à fé e à virtude. Entre seus filhos, destacam-se: São Basílio Magno (o Jovem) – tornou-se bispo e grande teólogo da Igreja; Santa Macrina – viveu a vida religiosa como freira e educadora; São Pedro de Cesareia – tornou-se bispo e defensor da fé; São Gregório de Nissa – tornou-se bispo e grande Doutor da Igreja. Este casal mostra como é possível colocar Cristo em primeiro lugar e, ao mesmo tempo, amar e educar a família, formando filhos que seguem o caminho da santidade. E nós? Qual é a cruz que Cristo me convida a carregar hoje? Talvez seja a paciência com alguém da família, talvez a fidelidade num matrimônio difícil, talvez a perseverança em um trabalho honesto, talvez a coragem de testemunhar a fé em meio a zombarias.

Irmãos e irmãs, as palavras de Jesus neste domingo não são para nos assustar, mas para nos libertar. Ele nos chama a decidir de verdade: Cristo está em primeiro lugar na minha vida? Sem essa decisão, corremos o risco de viver uma fé superficial, sem raiz. Mas se colocamos o Senhor acima de tudo, então até as maiores cruzes se tornam caminho de vida e esperança.

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