COP30 – Igreja Católica na Marcha dos Povos: um clamor pela conversão ecológica e pela justiça que nasce dos territórios
Igreja Católica se Une aos Povos da Amazônia na COP30 e Reforça o Clamor por Justiça Climática
COP-30
16.11.2025 12:49:47 | 5 minutos de leitura

Belém viveu, neste sábado, 15 de novembro, um dos momentos mais simbólicos e proféticos de toda a COP30. Sob um sol que refletia a intensidade da Amazônia, milhares de pessoas – povos indígenas em trajes tradicionais, juventudes, movimentos sociais, trabalhadores, representantes de comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e delegações internacionais – caminharam pelas ruas da capital para exigir compromissos reais e urgentes diante da emergência climática. Entre eles, esteve também a Igreja Católica, representada por cardeais, bispos, religiosas e religiosos de diversas partes do mundo, reafirmando sua missão de caminhar com os povos e defender a Casa Comum.
Uma marcha que denuncia exclusões e anuncia esperanças
O grande balão em formato de globo terrestre que acompanhou o cortejo lembrava ao mundo aquilo que os povos amazônicos sempre ensinaram: a Terra é um organismo vivo, que respira, sofre e pede cuidado. Patrícia Gualinga, liderança Kichwa de Sarayaku e vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), resumiu o sentir de muitos: os povos amazônicos continuam se percebendo excluídos das decisões que impactam diretamente seus territórios, culturas e modos de vida.
Mesmo vivendo na região que abriga a maior biodiversidade do planeta, ainda lutam para serem ouvidos naquilo que diz respeito ao seu próprio ecossistema.
A Igreja reafirma: “o cuidado com a Criação é missão evangelizadora”
Seis anos depois do Sínodo para a Amazônia – quando o Papa Francisco convocou a floresta para o centro da reflexão da Igreja universal – agora é o mundo que vem à Amazônia pela COP30. Esse movimento simbólico foi destacado pelo Ir. João Gutemberg Coelho, secretário executivo da REPAM: “Antes a Amazônia foi a Roma; agora são as Nações Unidas que vêm à Amazônia. É um retorno que reconecta os povos do mundo ao cuidado daquilo que sustenta o equilíbrio climático do planeta”.
A presença da Igreja, especialmente a partir da REPAM e da CEAMA, revela um compromisso profundo com a sociobiodiversidade amazônica. Essa presença não é recente, mas ganha novo vigor num momento em que a crise climática ameaça ultrapassar limites irreversíveis. Como afirmou o cardeal Felipe Neri Ferrão, presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, aquilo que está sendo debatido na COP “toca toda a humanidade, especialmente os pobres”. Por isso, segundo ele, a Igreja deve continuar colocando os vulneráveis no centro.
Cardeais e bispos nas ruas: testemunho de sinodalidade com o mundo real
A presença de cardeais e bispos na Marcha dos Povos fortaleceu a percepção de que a Igreja deseja não apenas falar sobre ecologia integral, mas vivê-la.
O cardeal Pablo Virgílio David, das Filipinas, destacou que participar da marcha é unir-se às pessoas que realmente sofrem com os impactos da crise climática: “Estamos cercados de pessoas que carregam amor pela integridade da criação. É por isso que caminhar juntos é um gesto de sinodalidade. Mesmo com motivações diferentes, convergimos no cuidado com o bem comum.”
Essa unidade concreta revela aquilo que o Papa Leão XIV recentemente recordou aos Movimentos Populares: a necessidade de estar ao lado dos pobres e descartados. A Igreja, portanto, reafirma que seu lugar é junto daqueles que sofrem – onde a vida clama por justiça e a criação clama por cuidado.
O clamor dos povos e a responsabilidade dos governos
Dom Reginaldo Andrietta, bispo de Jales, alertou para a urgência de incluir as demandas legítimas da sociedade organizada nos processos políticos. A democracia climática depende da participação popular, da transparência e da escuta de quem vive na carne as consequências da devastação ambiental.
Por isso, a Marcha dos Povos, segundo o bispo, precisa ser rigorosamente considerada pelos negociadores da COP: “Eles devem ouvir esse clamor, pois ali está a verdade dos territórios, das vítimas, das comunidades que resistem.”
Marina Silva e Sônia Guajajara: as vozes do governo diante da emergência
As ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) participaram da marcha reforçando a necessidade de implementar, e não apenas prometer, as políticas pactuadas nas COPs anteriores.
Marina destacou o valor da presença de quem “sabe o que é viver sob os efeitos da mudança do clima”. Segundo ela, o Brasil tem diante de si o desafio de traçar um caminho concreto para o fim do desmatamento e a redução do uso de agrotóxicos.
Já Sônia Guajajara convocou um brado coletivo: “Basta!” – basta invisibilizar povos que protegem a Amazônia, basta adiar decisões, basta adiar vidas.
Um sinal para o mundo: sem os povos, não há futuro
A Marcha dos Povos, vivida no coração da Amazônia durante a COP30, não foi apenas um protesto. Foi um testemunho. Um gesto simbólico que une fe, ciência, cultura e resistência na defesa da vida.
A presença da Igreja Católica, com suas lideranças, reforça o compromisso de caminhar com as comunidades, denunciar injustiças e anunciar um novo modo de viver sobre a Terra, como pede a ecologia integral da Laudato Si’.
No chão quente de Belém, entre cantos indígenas, orações, tambores e gestos de esperança, ecoou uma certeza que atravessa fronteiras: cuidar da Casa Comum é cuidar da dignidade humana, da justiça, da paz e da presença amorosa de Deus na criação.
A marcha termina, mas a missão continua. A Igreja segue em Belém, com o mundo, para dizer que a conversão ecológica é urgente – e que ninguém pode ficar para trás.
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Com informações do Vatican News. Imagem: IA
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