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Colômbia dá passo histórico e declara sua Amazônia livre de petróleo e mineração

Em anúncio feito na COP30, país se torna o primeiro da região a transformar todo o seu território amazônico em zona de proteção integral, chamando as demais nações a unir forças por uma “Aliança Amazônica pela Vida”.

COP-30

14.11.2025 17:08:52 | 5 minutos de leitura

Colômbia dá passo histórico e declara sua Amazônia livre de petróleo e mineração

Colômbia dá passo histórico e declara toda a Amazônia de seu território livre de petróleo e mineração: um gesto ético que redefine a proteção do bioma

Em um momento que já marca a história da governança ambiental na América Latina, a Colômbia anunciou, nesta quinta-feira (13), durante encontro de ministros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) na COP30, que todo o seu território amazônico — mais de 48 milhões de hectares — passa a ser oficialmente reconhecido como zona livre de exploração de petróleo e de atividades de grande mineração.

O anúncio foi feito pela ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Irene Vélez Torres, diante de representantes dos oito países amazônicos. Trata-se de uma declaração inédita no contexto regional, que recoloca a Amazônia no centro da geopolítica climática e abre novo horizonte para políticas de proteção integradas.

Segundo Vélez Torres, o gesto colombiano é “um ato de soberania ambiental” e, ao mesmo tempo, um chamado fraterno aos demais países da região. A ministra reiterou que o desafio amazônico exige unidade e visão transnacional:
“A selva é só uma. Os rios não têm fronteiras, assim como a vida. Cuidar da Amazônia não é um sacrifício econômico; é uma inversão ética e científica para o futuro da região e da humanidade.”

Um marco sem precedentes na proteção do bioma

Com a decisão, a Colômbia se torna o primeiro país amazônico a declarar a totalidade de sua floresta como “zona de reserva de recursos naturais renováveis”, vedando a expansão de petróleo e mineração em:
Amazonas
Caquetá
Putumayo
Guaviare
Guainía
Vaupés

Regiões pressionadas há décadas pela abertura de estradas ilegais, pela grilagem, por garimpos e por projetos petrolíferos — 43 blocos ainda aguardam autorização — e quase 300 requerimentos minerários em curso.

A medida abrange 42% do território continental do país e 7% de toda a Amazônia sul-americana. O alcance simbólico é ainda maior: ao se posicionar como vanguarda ambiental, a Colômbia inaugura um paradigma de política pública que alia soberania, justiça ambiental e transição energética justa.

Aliança Amazônica pela Vida: um convite à cooperação

A ministra Irene Vélez Torres propôs que os nove países amazônicos avancem para a criação de uma “Aliança Amazônica pela Vida”, capaz de articular políticas de biodiversidade, clima, água, segurança territorial e enfrentamento aos crimes ambientais.

O chamado ecoa a urgência moral e científica presente no Acordo de Paris e expressa a compreensão de que a Amazônia é o coração pulsante da estabilidade climática do planeta.
Proteger a floresta, nesta perspectiva, não se reduz a uma política ambiental: é uma escolha civilizatória.

Brasil entre avanços, pressões e divergências

A iniciativa colombiana ocorre poucos dias após o Brasil autorizar que a Petrobras avance na pesquisa para exploração de petróleo na Margem Equatorial, a aproximadamente 500 km da foz do rio Amazonas — uma decisão que tem gerado debates intensos na arena internacional.

Durante o encontro, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reforçou o compromisso do Brasil com o combate ao desmatamento e defendeu o fortalecimento do Fundo Tropical Forests Forever (TFFF), sistema de financiamento concebido para sustentar projetos de preservação de florestas tropicais em todo o mundo.

Marina destacou que:
“Alcançar US$ 1,3 trilhão é a meta. E o TFFF é um instrumento potente, capaz de mobilizar recursos públicos e privados, não como doação, mas como investimento.”

Entretanto, ao contrário da posição colombiana, a ministra não mencionou a recente autorização ao bloco 59 da Petrobras, situação que tensiona a posição brasileira na construção de uma estratégia comum para o fim progressivo dos combustíveis fósseis.

Uma mudança de época: a Amazônia como horizonte ético

A declaração da Colômbia rompe com a lógica que historicamente tratou a Amazônia como fronteira de exploração e inaugura um caminho no qual o bioma é reconhecido como patrimônio vivo, indispensável para o equilíbrio do planeta.

Ao proclamar toda sua Amazônia como área livre de petróleo e mineração, o país afirma que o desenvolvimento econômico não precisa ser inimigo da vida, da diversidade e do futuro comum.

É um gesto que:

- Eleva o patamar ético da política ambiental sul-americana
- Pressiona positivamente os países vizinhos
- Reforça a dimensão moral da luta climática
- Envia uma mensagem forte à comunidade internacional: a Amazônia exige coragem, renúncia e visão de longo prazo

Significado histórico e geopolítico

No contexto da COP30, realizada no coração da Amazônia, a decisão colombiana atua como um divisor de águas. Ela:

- Reconfigura a liderança ambiental na América Latina
- fortalece o discurso global pelo fim progressivo dos combustíveis fósseis
- amplia a pressão para que países amazônicos adotem compromissos mais robustos
- e legitima a visão de que a proteção do bioma é condição de sobrevivência planetária

O gesto também reforça a transição energética em curso na Colômbia, alinhada ao governo de Gustavo Petro, que tem defendido internacionalmente um pacto para a eliminação de combustíveis fósseis.

Um chamado à responsabilidade compartilhada

A decisão colombiana ecoará ainda por muito tempo. Trata-se não apenas de uma política pública, mas de um ato de testemunho diante do mundo: a convicção de que a Amazônia precisa ser preservada integralmente.

Ao afirmar que a floresta é uma só e sua defesa ultrapassa fronteiras, a ministra Irene Vélez Torres convidou os países amazônicos a um compromisso que não admite adiamentos.

Com este gesto, a Colômbia reacende a convicção de que a Amazônia — casa dos povos originários, guardiã de rios que alimentam o continente e pulmão do mundo — deve ser tratada como bem sagrado, herança comum da humanidade e dever moral das nações que a abrigam.

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Imagem criada por IA.

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