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Juventude brasileira clama por sentido, acolhida e esperança: CNBB apresenta pesquisa nacional sobre evangelização dos jovens

Estudo revela desafios emocionais, impacto do mundo digital e confirma a espiritualidade como força de resiliência para as juventudes

Notícias

17.06.2026 16:39:30 | 6 minutos de leitura

Juventude brasileira clama por sentido, acolhida e esperança: CNBB apresenta pesquisa nacional sobre evangelização dos jovens

A evangelização da juventude no Brasil exige, hoje mais do que nunca, escuta atenta, presença concreta e renovação pastoral. Esta é uma das principais conclusões da Pesquisa Nacional “Evangelização da Juventude no Brasil – 2025”, apresentada pela Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante a reunião do Conselho Permanente da entidade.

O relatório foi apresentado aos bispos por Dom Vilson Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, juntamente com a pesquisadora Dra. Patrícia Espíndola Teixeira, coordenadora do Observatório Juventudes da PUCRS e responsável pela coordenação técnica da pesquisa.

O estudo, de abrangência nacional, ouviu 11.498 adolescentes e jovens entre 12 e 29 anos, de todas as regiões do Brasil, entre maio e julho de 2025. Seu objetivo foi oferecer à Igreja elementos concretos para compreender melhor as juventudes contemporâneas e, a partir disso, fortalecer os processos de evangelização.

Dom Vilson destacou que o material completo possui cerca de 140 páginas, e que até setembro serão impressos 20 mil exemplares, destinados às dioceses, paróquias, pastorais e movimentos em todo o país.

Quem são os jovens ouvidos?

A pesquisa revela um retrato significativo das juventudes católicas no Brasil. A maior parte dos participantes está na faixa entre 18 e 24 anos (64,8%), seguida pelos jovens de 25 a 29 anos (32,5%). As mulheres representam 55,6% da amostra, enquanto os homens correspondem a 44,4%.

Outro dado importante é o perfil social dos participantes:
• 86,3% vivem em áreas urbanas;
• 65,4% trabalham;
• 50,4% estudam e trabalham simultaneamente;
• 77,2% pertencem a famílias com renda de até seis salários mínimos.

Ou seja, trata-se de uma juventude majoritariamente urbana, trabalhadora e marcada por desafios econômicos e sociais concretos.

Uma juventude ferida: sofrimento emocional e saúde mental em alerta

Um dos pontos mais impactantes da pesquisa diz respeito à saúde emocional dos jovens.

Mais de 50% afirmaram não se sentir emocionalmente bem de forma plena. Entre os principais sinais de sofrimento aparecem:
• 37,6% relatam dificuldades de memória, atenção e concentração;
• 36,7% sentem-se inseguros na maior parte do tempo;
• 32,1% possuem sono não reparador;
• 30,8% dizem sentir-se emocionalmente mal com frequência;
• 24,8% enfrentam dificuldades significativas para tomar decisões.

A pesquisa associa parte desse sofrimento ao uso excessivo de telas, à ansiedade e à privação de sono.

Além disso, os próprios jovens apontam como principais dificuldades:
• problemas familiares (17,2%);
• dependência digital (16%);
• adoecimentos psíquicos (13%);
• pressão acadêmica (12%).

Esses dados mostram que a juventude atual carrega feridas profundas — emocionais, familiares, sociais e espirituais.

A fé continua sendo fonte de força

Apesar das dores, a pesquisa também revela algo profundamente esperançoso: os jovens não perderam a sede de Deus.

A espiritualidade aparece como o maior fator de resiliência identificado no estudo:
• 64% afirmam que a espiritualidade os ajuda a enfrentar os problemas do cotidiano;
• 55,8% dizem que a pertença pastoral os fortalece;
• 52,5% encontram apoio nas amizades;
• 43,4% mantêm esperança quanto ao futuro.

Isso revela uma verdade essencial: para muitos jovens, a fé não é fuga da realidade, mas fonte de equilíbrio, sentido e esperança.

A pesquisa é clara ao afirmar que uma pastoral capaz de acolher o sofrimento e ativar as potencialidades juvenis poderá contribuir decisivamente para a saúde integral dessa geração.

Jovens digitais, mas sedentos de transcendência

O ambiente digital ocupa lugar central na vida das juventudes.

43,3% utilizam sistematicamente redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns online. No entanto, um dado surpreendente chamou atenção: entre os temas mais buscados na internet, religião e espiritualidade aparecem em primeiro lugar, superando entretenimento, educação e política.

Os canais de informação mais utilizados são:
• Redes sociais (Instagram, TikTok, X e Facebook): 26,4%
• Apps de mensagens (como WhatsApp): 16,2%
• Igreja: 13,5%
• Influencers e youtubers: 12,4%

Isso mostra que o mundo digital não é apenas espaço de distração, mas também um verdadeiro território missionário.

A Igreja é chamada, portanto, a evangelizar também nesse ambiente, sem perder de vista que a experiência cristã precisa conduzir ao encontro real, comunitário e sacramental.

A família continua sendo o primeiro lugar da fé

Um dos dados mais belos da pesquisa confirma algo profundamente enraizado na tradição da Igreja: a família continua sendo a primeira escola da fé.

Entre os jovens entrevistados:
• 98,3% se declaram católicos;
• 93,6% já receberam os sacramentos da iniciação cristã;
• 68,5% participam da Missa semanalmente.

Quando perguntados sobre como chegaram à fé católica:
• 46% responderam: pelos pais;
• 19%: pelos avós.

Somando ambos, chega-se a 65,1%.

Isso confirma o valor insubstituível da transmissão da fé dentro do lar. Pais e avós continuam sendo grandes evangelizadores.

O problema não é a fé dos jovens, mas o que lhes é oferecido

A pesquisa traz uma constatação muito importante para a pastoral juvenil.

Embora muitos jovens permaneçam católicos, 15,6% não participam de nenhum grupo juvenil.

Quando questionados sobre os motivos:
• 55,3% disseram que não existem grupos adequados ao seu momento de vida;
• 32,8% apontaram incompatibilidade com a proposta oferecida;
• 11,9% mencionaram falta de motivação, acolhimento ou tempo.

A conclusão do relatório é forte e direta: 
“O problema não é a fé juvenil; é o que se oferece.”

Isso desafia comunidades, paróquias e movimentos a reverem métodos, linguagem e formas de acompanhamento. Evangelizar jovens exige proximidade, escuta e autenticidade.

O que os jovens procuram na Igreja?

A pesquisa também revela o que mais atrai os jovens à vida eclesial.

Entre os principais motivos para participar:
• Conhecimento da fé (17,3%)
• Espiritualidade cristã (16,4%)
• Construção de amizades (11%)
• Sentir-se parte de algo sagrado (9,8%)

Quanto aos temas que mais desejam aprofundar:
• Santidade e fé cristã (16,7%)
• Formação integral (11,9%)
• Saúde mental (10,3%)
• Diálogo entre fé e razão (6,8%)

Em outras palavras, os jovens não buscam superficialidade. Eles desejam profundidade, formação sólida, espiritualidade autêntica e comunidades onde possam experimentar pertença verdadeira.

Um apelo à Igreja: escutar, acolher e caminhar com os jovens

Ao final da apresentação, o presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, reforçou a necessidade de aprofundar a reflexão sobre os dados da pesquisa para fortalecer a evangelização juvenil no Brasil.

A síntese pastoral do relatório aponta caminhos claros:
• acolher o sofrimento emocional dos jovens;
• fortalecer a família como célula evangelizadora;
• diversificar os grupos juvenis, especialmente para maiores de 18 anos;
• ampliar a evangelização no ambiente digital;
• favorecer o protagonismo juvenil real, e não apenas funcional;
• oferecer experiências profundas de oração, liturgia e comunhão.

A juventude brasileira continua carregando dores, perguntas e incertezas. Mas também continua carregando sede de Deus.

Para a Igreja, o chamado é claro: não basta falar aos jovens; é preciso caminhar com eles.

Como recordava São João Calábria, é necessário confiar na ação da Providência e acreditar que Deus continua chamando e agindo na história. A juventude não é apenas destinatária da evangelização; ela é também protagonista da missão.

Num tempo marcado por ansiedade, dispersão e fragilidade relacional, a presença amorosa da Igreja pode tornar-se sinal concreto da ternura de Deus.

Porque, no coração de cada jovem, permanece viva uma pergunta profunda:
“Senhor, que queres de mim?”

E cabe à comunidade cristã ajudar cada jovem a descobrir, com esperança, a resposta de Deus para sua vida.

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Fonte das informações: Site CNBB e Pesquisa Nacional Evangelização da Juventude no Brasil – 2025 (disponível no site da CNBB). 

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