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Chamados a Viver para Deus: A Vocação que Dá Sentido à Vida

Ser chamado é ser inquietado por Deus. É deixar os celeiros do egoísmo para repartir o Pão do Reino.

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01.08.2025 15:46:34 | 4 minutos de leitura

Chamados a Viver para Deus: A Vocação que Dá Sentido à Vida

18º Domingo do Tempo Comum

Padre Rafael Pedro Susrina, psdp

Neste primeiro domingo de agosto, a Igreja no Brasil inicia o Mês Vocacional. Em meio ao Ano Jubilar, marcado pela esperança, ressoam em nós as palavras do tema: “Peregrinos porque chamados”, e o lema que o sustenta: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5). Somos um povo em caminho, mas não andamos por andar: caminhamos porque fomos chamados.

A liturgia de hoje nos oferece uma provocação existencial e vocacional muito forte. O livro do Eclesiastes ecoa como um grito: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!” (Ecl 1,2). O Salmo nos ensina a contar os nossos dias para que alcancemos a sabedoria (Sl 89). E no Evangelho, Jesus nos apresenta a parábola de um homem que, tendo acumulado muitos bens, diz a si mesmo: “Descansa, come, bebe, aproveita!” (Lc 12,19). Mas ouve de Deus uma palavra dura e verdadeira: “Louco! Ainda nesta noite pedirão a tua alma” (Lc 12,20). De que adianta possuir tanto, se não se vive em vista da eternidade?

Essa parábola é, na verdade, um espelho. Quantos hoje vivem nesta mesma ilusão? A lógica do mundo é clara: “curta a vida, guarde para você, pense em si.” Mas o Evangelho revela outra lógica: a vocação. Porque a vocação não é um projeto de conforto pessoal ou de autopreservação. É um chamado a sair de si e doar-se. Ser chamado é ser inquietado. É ouvir Deus interrompendo nossos planos e perguntando: Para que tens vivido? A serviço de quem tens posto os teus dons, tua juventude, tua história?

Neste domingo, rezamos de modo especial pelos ministros ordenados – diáconos, padres e bispos. Homens que, ao ouvirem o chamado de Deus, ousaram dar uma resposta generosa. Eles não construíram celeiros para guardar bens, mas dedicaram a vida para repartir o Pão, para servir ao altar, para cuidar do povo de Deus, para salvar almas, como dizia São João Calábria: “Almas, almas, almas!” Para ele, o sacerdote existe para conduzir as pessoas a Deus, ser sinal da Providência.

É preciso cultivar nas comunidades um amor verdadeiro pela vocação sacerdotal. Rezar pelas vocações é parte do cuidado pastoral. Mas também é necessário ajudar os jovens a se questionarem com liberdade e coragem: “Senhor, que queres de mim? Será que me chamas a ser padre, religioso, consagrado, a entregar-me por inteiro a Ti?” E aos jovens eu digo: não tenham medo de perguntar. Onde há medo, não há liberdade. E vocação só floresce onde há liberdade interior.

O tema vocacional deste ano nos chama de “peregrinos”. Isso significa que a vocação não é um ponto fixo, mas uma estrada. Caminho de conversão, amadurecimento e serviço. No caminho vocacional, precisamos deixar os pesos inúteis para trás: a vaidade, o egoísmo, a busca por reconhecimento. Peregrinar é aprender a depender de Deus. É isso que Paulo nos ensina: “Aspirai às coisas do alto, onde está Cristo” (Cl 3,1).

A Igreja nos convida a sermos “ricos para com Deus” – expressão que resume toda a vida cristã. E ser rico diante de Deus é viver os valores do Reino: amar sem medida, perdoar com largueza, acolher com misericórdia, servir com alegria. Toda forma de seguimento no seio da Igreja – seja pelo matrimônio, ministério ordenado, vida consagrada ou laicato engajado – é um chamado a viver não para si, mas para Deus.

O mês de agosto é, por isso, tempo de escuta. Escuta da Palavra, dos sinais, das dores do mundo e dos desejos de Deus. Aos adultos: redescubram sua vocação como pais, mães, agentes de pastoral, cristãos coerentes no mundo. Aos idosos: permaneçam firmes na vocação do testemunho e da oração. Aos jovens: abram os ouvidos do coração e escutem a voz do Senhor. Ele continua chamando. O Reino ainda precisa de operários. A messe continua grande.

Diante de tantos ruídos, cansaços e incertezas do mundo, a vocação é a resposta de Deus que devolve sentido à vida. Quando Ele chama, planta em nós uma esperança que não decepciona. Que este Mês Vocacional nos ajude a escutar com mais fé e responder com generosidade. E que hoje, ao recordarmos com gratidão nossos padres, diáconos e bispos, desperte em muitos o desejo de também se entregarem por inteiro ao Senhor que continua a chamar.

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