Cartas do Casante: um caminho de santidade, paz, esperança e mansidão na Família Calabriana
De 2022 a 2025, o Padre Massimiliano Parrella propõe à Obra um itinerário de renovação espiritual enraizado na Providência Divina
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22.10.2025 10:00:58 | 8 minutos de leitura

Pe. Hermes José Novakoski, psdpSetor Comunicação
Entre 2022 e 2025, o Casante, Padre Massimiliano Parrella, vem oferecendo à Família Calabriana um conjunto de cartas anuais que, em sequência orgânica, compõem um verdadeiro itinerário espiritual e carismático.
Essas quatro cartas — Artesãos da Providência (2022), Shalom – Brotos de Paz (2023), Spes Unica Deus – Deus é a única esperança (2024) e A força dos mansos, o poder dos perdedores (2025) — são mais do que simples mensagens: constituem um programa de fidelidade, comunhão e santidade para toda a Obra fundada por São João Calábria.
Cada uma nasce das circunstâncias concretas da história, mas todas convergem em um mesmo centro: Deus Pai Providente, que conduz a humanidade pela via da humildade, da confiança e do amor ativo.
O percurso das cartas delineia, passo a passo, o amadurecimento de um chamado: ser hoje “Evangelho Vivo”, no espírito puro e genuíno da Obra.
2022 – “Artesãos da Providência”: fidelidade e chamado à santidade
A carta inaugural, publicada em 8 de outubro de 2022, marca o início do Ano Jubilar dos 150 anos do nascimento de São João Calábria e recolhe os frutos dos XII Capítulos Gerais. Nela, o Casante propõe um retorno às fontes do carisma e um apelo vigoroso à fidelidade àquilo que o Fundador chamou de “espírito puro e genuíno”.
Inspirando-se nas palavras do Papa Francisco aos Pobres Servos e Pobres Servas, Pe. Parrella afirma que a Providência é uma cultura, não um conceito: um modo de ver, de discernir e de agir, contrário à “cultura da indiferença”. A fidelidade ao carisma, escreve ele, exige abertura ao Espírito, discernimento comunitário e confiança radical em Deus, sem buscar “proteções humanas”.
“A Obra somos nós. Não as casas, nem os prédios, nem as estruturas. Somos nós os portadores do espírito que Jesus colocou desde o início.”
A carta de 2022 é, portanto, um manifesto de fundação espiritual: ela recoloca toda a Família Calabriana diante do essencial — a confiança absoluta em Deus e o compromisso de viver e transmitir o carisma “como o recebemos”. Ser “artesão da Providência”, explica o Casante, é trabalhar com as mãos de Deus, com fé criativa, humildade e santidade cotidiana.
2023 – “Shalom: Brotos de Paz”: a Providência como comunhão e serviço
A carta de 2023 aprofunda o caminho e desloca o olhar da identidade para a relação. Após reconstruir os alicerces espirituais no ano anterior, o Casante propõe agora uma espiritualidade de comunhão e reconciliação: a paz como fruto da Providência.
Partindo da saudação de Jesus ressuscitado — “Shalom!” — o texto mostra que a paz verdadeira não é ausência de conflito, mas comunhão com Deus e com os irmãos.
“Não há comunhão sem paz”, escreve ele. “A paz nasce do coração transpassado de Cristo e se faz dom trinitário: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
Em páginas de grande densidade teológica, o Casante recupera a tradição cristã primitiva — pax et communio — e liga a espiritualidade calabriana à Eucaristia e ao gesto do lava-pés: a paz se veste de avental.
“Jesus levantou-se, tirou o manto, vestiu um avental e começou a lavar os pés... Entendam que a paz começa aí: a ética do rosto de Jesus, Evangelho Vivo.”
O texto fala da “Obra do Avental” e convida cada membro da Família Calabriana a tornar-se servidor, não gestor do poder. A paz é apresentada como habitus mentis, um estilo de vida moldado pela caridade e pela comunhão.
Ao final, o Casante resume a missão da Obra: “Temos o poder dos sinais, não os sinais do poder.”
Shalom – Brotos de Paz é um verdadeiro tratado espiritual sobre a força desarmada da paz, uma resposta cristã às guerras e divisões do mundo contemporâneo.
2024 – “Spes Unica Deus: Deus é a única esperança”: a fé que sustenta o caminho
Em 2024, o tom torna-se mais contemplativo e escatológico. O Casante escreve no contexto de um mundo ferido pela incerteza e pelo medo, convidando a Família Calabriana a firmar-se na única esperança que não decepciona: Deus.
A carta, profundamente enraizada na espiritualidade da cruz, evoca a expressão clássica da tradição cristã — Spes Unica — para afirmar que a esperança cristã não é uma fuga, mas uma força de resistência e fidelidade.
“Deus é a única esperança: não as estratégias, não os cálculos, não os planos humanos. É Ele quem conduz a história, e é em Sua Providência que se apoia a nossa fé.”
Pe. Parrella descreve a esperança como virtude dos pobres, daqueles que acreditam mesmo quando tudo parece desmoronar. É um chamado à confiança perseverante e à coerência evangélica. A carta ensina que a esperança calabriana é prática, e não teórica: vive-se na obediência, no serviço e na alegria dos pequenos.
Ao lado da fé e da caridade, a esperança torna-se o terceiro pilar da cultura da Providência. Ela dá continuidade ao itinerário das cartas anteriores: a santidade (2022) gera a paz (2023), e a paz floresce na esperança (2024).
2025 – “A força dos mansos, o poder dos perdedores”: o Evangelho como revolução da mansidão
A carta de 2025, escrita às portas do Jubileu da Esperança, é o ponto culminante desse ciclo espiritual. Com o título paradoxal — A força dos mansos, o poder dos perdedores — o Casante introduz uma autêntica teologia da fraqueza: a verdadeira força do cristão é o amor desarmado, a mansidão que transforma.
Retomando as bem-aventuranças — “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” —, o texto propõe uma leitura profundamente evangélica da missão da Família Calabriana: vencer o mal com o bem, a violência com a ternura, o poder com o serviço.
“A Providência não vence pela imposição, mas pela entrega. O poder dos perdedores é o poder de quem confia em Deus.”
A mansidão aparece como maturidade da esperança, a expressão mais pura do abandono à Providência. O Casante descreve os mansos como “os pequenos que constroem a história”, “os sinais vivos de uma Igreja desarmada, mas forte no amor”.Nesta carta, todo o caminho iniciado em 2022 encontra sua plenitude: a santidade dos “artesãos”, a paz dos “promotores”, a esperança dos “crentes” e a mansidão dos “bem-aventurados” se unem em um único chamado: ser o rosto da Divina Providência no mundo de hoje.

Esse percurso reflete a pedagogia espiritual de São João Calábria: santificar-se para santificar, fazer o bem sem ruído, confiar em Deus mesmo nas provações, e servir os pobres como sacramento da Providência.
Cada carta amplia e aprofunda a anterior, num movimento que vai da redescoberta interior à maturidade da fé encarnada. O que começa como “chamado à santidade” em 2022, amadurece em “cultura da paz” (2023), floresce na “esperança em Deus” (2024) e culmina na “mansidão transformadora” (2025).
A continuidade do espírito puro e genuíno
Em todas as cartas, o Casante retoma — de modo novo e atual — o núcleo da espiritualidade calabriana: a confiança absoluta em Deus Pai, a comunhão fraterna, o serviço aos pobres e o abandono à Providência. Sua linguagem é teologicamente sólida, mas profundamente pastoral, sempre iluminada pelos escritos de São João Calábria e pelos apelos do Papa Francisco.
“Temos o poder dos sinais, não os sinais do poder.”
“A Obra somos nós.”
“Deus é a única esperança.”
“A força dos mansos é o poder dos que não se defendem.”
São frases que, mais do que slogans, se tornam sínteses carismáticas: indicam o caminho da santidade cotidiana e da conversão comunitária.
Conclusão: a Providência como caminho de esperança para o mundo
Ao longo desses quatro anos, o Padre Massimiliano Parrella ofereceu à Família Calabriana um itinerário de purificação e esperança, profundamente fiel ao Fundador e aberto aos sinais do tempo.
Suas cartas revelam uma convicção constante: a Providência é o rosto da esperança de Deus no mundo, e a Obra Calabriana é chamada a ser o sinal vivo dessa esperança.
O ciclo de 2022 a 2025 não é apenas um conjunto de mensagens, mas uma verdadeira espiritualidade em movimento: um convite permanente à santidade, à comunhão, à confiança e à mansidão — os quatro pilares da vida calabriana.
Assim, a Família Calabriana é chamada, nas palavras do próprio Casante, a continuar “fazendo o bem, confiando e esperando tudo em Deus”, certa de que “o Senhor da História não deixará de manifestar a Sua Providência em nossas vidas e na vida da Obra”.
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Acesso aos arquivos das Cartas:
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