Cardeal Jaime Spengler destaca na COP30: "Onde há abertura de mente e de coração, há diálogo franco"
Igreja reafirma seu compromisso com a ecologia integral, a justiça climática e o diálogo entre fé, ciência e povos tradicionais.
COP-30
13.11.2025 14:37:14 | 4 minutos de leitura

Belém vive dias decisivos para o futuro do planeta, e a Igreja Católica tem marcado presença de modo firme, sereno e profundamente comprometido com o cuidado da Casa Comum. Na tarde desta quarta-feira, 12 de novembro, durante o Simpósio Internacional – Igreja Católica na COP30, o presidente da CNBB e do CELAM, Cardeal Jaime Spengler, concedeu entrevista à Rádio Vaticano – Vatican News, refletindo sobre o papel da Igreja neste tempo decisivo.
O Simpósio, promovido pela Articulação Brasileira para a COP30, reuniu bispos, cientistas, lideranças religiosas, representantes de povos originários e membros da sociedade civil para debater ecologia integral, justiça climática e conversão ecológica — temas que, segundo Dom Jaime, configuram hoje uma exigência espiritual, social e moral.
Diálogo possível onde há abertura do coração
Comentando a experiência do Simpósio, Dom Jaime destacou a riqueza de perspectivas trazidas por diferentes vozes e culturas: “Ouvimos bispos de vários continentes e percebemos que os desafios são os mesmos. Depois, dialogamos com um cientista, uma pastora, um indígena… E isso nos mostrou que, onde há abertura de mente e de coração, há diálogo franco, honesto e transparente.”
Para o Cardeal, a COP30 revela que o caminho para dias melhores exige três pilares inseparáveis:– a escuta da ciência;– a sabedoria dos povos originários;– a força transformadora da fé.
Recordando Dom Hélder Câmara, ele afirmou que “se formos capazes de sonhar juntos, este sonho pode se tornar realidade”.
Uma longa preparação da Igreja até Belém
Dom Jaime recordou que a presença da Igreja na COP30 é fruto de um processo amplo e sinodal, que percorreu dioceses, pastorais, movimentos e comunidades em todo o país. Ele destacou alguns marcos dessa caminhada:
• O Manifesto do Sul Global, construído com a participação de Igrejas da América Latina, Caribe, África e Ásia;• A Campanha da Fraternidade 2024 – Fraternidade e Ecologia Integral, que preparou o coração do povo brasileiro para este momento;• As pré-COPs realizadas nas cinco macrorregiões do Brasil, que envolveram milhares de lideranças em reflexão, oração e compromisso;• As iniciativas pastorais e formativas que despertaram uma consciência de corresponsabilidade na defesa da Casa Comum.
Segundo o Cardeal, a COP30 é mais que um evento internacional: “O Brasil não apenas ouviu falar da COP: nossas comunidades se envolveram, rezaram, refletiram e assumiram o compromisso de cuidar da Casa Comum.”
Superar o pessimismo e agir com espírito de estadistas
Diante do pessimismo presente em alguns setores, Dom Jaime fez um apelo à esperança responsável: “Não podemos nos deixar levar pelo pessimismo. Há propostas claras. Agora, é preciso levá-las adiante com espírito de estadistas — não apenas ambientalistas ou políticos — mas líderes comprometidos com o bem comum.”
O Cardeal reforçou que a COP30 exige coragem para implementar decisões e responsabilidade para transformar compromissos em políticas concretas. Para ele, a verdadeira liderança climática nasce da seriedade ética, da corresponsabilidade global e da atenção aos mais vulneráveis, sempre lembrados pela Igreja como protagonistas e não espectadores das mudanças.
Reconhecer a dignidade da criação: esperança para o mundo
Ao ser questionado sobre o que espera da COP brasileira, Dom Jaime respondeu: “Espero um elan mais vigoroso, que nos faça reconhecer a importância e a dignidade da obra da criação. Este reconhecimento é o primeiro passo para a verdadeira conversão ecológica.”
Em sintonia com os apelos de Papa Francisco e Papa Leão XIV, o Cardeal recorda que a ecologia integral é caminho de justiça, paz e futuro. Cuidar da criação é cuidar da vida — sobretudo da vida ferida dos pobres, que são sempre os primeiros atingidos por desastres ambientais.
Um compromisso que continua
A presença da Igreja na COP30 não se encerra com o evento. Pelo contrário, ela inaugura uma nova etapa de:• missão profética,• formação ecológica,• articulação com o Sul Global,• diálogo permanente com a ciência,• defesa dos povos originários e comunidades tradicionais,• promoção de uma economia que respeite os limites da Casa Comum.
A COP30, realizada no coração da Amazônia, reafirma que a fé cristã não se separa da responsabilidade ética diante da crise climática. A Igreja permanece, como lembrou Dom Jaime, “uma voz que anuncia esperança e denuncia injustiças”, sempre confiando que Deus conduz a história e nos chama a cuidar da obra criada por Suas mãos.
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Leia a entrevista na íntegra, clicando aqui.
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