Capacitar e Preparar Pessoas para Acelerar o Progresso
Quando empoderamos pessoas, despertamos futuros. A verdadeira transição climática nasce quando cada talento, cada cultura e cada voz se tornam sementes de justiça, esperança e renovação para a Casa Comum.
COP-30
13.11.2025 08:26:25 | 5 minutos de leitura

Síntese Diária da COP30 – 12 de NovembroCapacitar e Preparar Pessoas para Acelerar o Progresso
Belém viveu nesta quarta-feira, 12 de novembro, um dos dias mais ricos e dinâmicos da COP30. As discussões convergiram para um ponto decisivo: o coração da transição climática é o ser humano — sua dignidade, criatividade, capacidade de adaptação e força comunitária. Foi um dia marcado pela convicção de que a crise climática só encontrará respostas verdadeiras quando as sociedades forem preparadas, qualificadas e empoderadas para agir.
Pessoas no centro: trabalho, educação, cultura e justiça
A abertura do dia ganhou força com o lançamento da Iniciativa Global sobre Empregos e Habilidades para a Nova Economia, um projeto ambicioso que integra governos, setores industriais e sociedade civil para moldar a transição justa. O relatório apresentado aponta que a ação climática pode gerar cerca de 375 milhões de novos empregos na próxima década, somando-se a outros 280 milhões provenientes das atividades de adaptação. O Brasil apareceu entre os oito países que já aderiram ao Plano de Ação, reforçando o compromisso com uma transformação econômica que seja simultaneamente sustentável, inclusiva e geradora de renda.
Esse horizonte de oportunidades ganhou um tom ainda mais concreto quando líderes de países da África e da Ásia partilharam experiências sobre como a capacitação profissional, aliada a políticas climáticas ambiciosas, está abrindo portas para milhões de jovens e trabalhadores. Como destacou o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, os países que abraçarem essa transformação “se encaixarão na nova economia de forma mais confortável”.
Sabedoria ancestral e adaptação: protagonismo dos povos indígenas
A manhã também foi marcada pelo Evento Ministerial de Alto Nível sobre Adaptação Indígena, que reafirmou um princípio essencial: não existe adaptação eficaz sem a participação direta dos povos tradicionais e originários. Representantes de diversas regiões do Brasil e do mundo apresentaram metodologias de adaptação que unem espiritualidade, ancestralidade, governança comunitária e ciência.
O destaque brasileiro foi o Conselho Indígena de Roraima (CIR), que apresentou cinco planos indígenas de adaptação já implementados. O reconhecimento internacional desta experiência projeta o Brasil como referência global em adaptação baseada em comunidades.
Integridade da informação: o combate à desinformação entra para a história da COP
Pela primeira vez, a COP trouxe para o centro da sua agenda o tema da integridade da informação — e o fez de forma contundente. A desinformação, reconhecida pela ONU como um dos principais riscos globais, impede que políticas climáticas avancem e mina a confiança pública.
Seis novos países aderiram à Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima: Bélgica, Canadá, Finlândia, Alemanha, Espanha e Países Baixos. Foram anunciados ainda os dez primeiros projetos financiados, a Declaração Global sobre Integridade da Informação Climática e um plano de implementação até 2028, que mobilizará recursos, criará marcos legais e envolverá plataformas digitais, editoras e empresas de tecnologia e IA.
A mensagem é clara: sem verdade, não há ação climática possível.
Finanças, Indústria e Compras Públicas: alinhando sistemas para transformar economias
Dois eventos de peso marcaram o dia:
1. Plano UNIDO/IDDI sobre Compras Públicas Sustentáveis
A iniciativa pretende usar os trilhões movimentados pelo mercado global de compras públicas para impulsionar materiais de baixo carbono (como aço, cimento e concreto sustentáveis), trabalho digno e políticas industriais verdes. Brasil, México, Noruega e Países Baixos já confirmaram participação.
2. Fórum de Proprietários de Ativos
Investidores, gestores de fundos, governos e empresas dialogaram para alinhar prioridades e destravar fluxos financeiros essenciais à transição. O encontro gerou consensos que serão apresentados no Dia das Finanças, reafirmando que a mudança climática é também uma questão de responsabilidade fiduciária.
Cultura, identidade e imaginação: a força da arte no enfrentamento da crise
Um dos momentos mais inspiradores ocorreu no painel Narrativas e Contação de Histórias para Enfrentar a Crise Climática, que integrou personalidades da arte, lideranças indígenas e representantes culturais do Brasil e do exterior. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, emocionou ao afirmar:
“A arte e a cultura são pontes poderosas. Elas transformam emoção em força e imaginação em mudança. A Terra não nos pertence; ela pertence a cada geração que veio antes e às que virão depois.”
Ali, ficou evidente que a ação climática precisa tocar mente, coração e sensibilidade.
Juventudes, justiça e participação: a força de um movimento intergeracional
O Diálogo de Alto Nível sobre Liderança Intergeracional, promovido pelos Campeões Jovens do Clima, reafirmou a exigência ética da participação das juventudes.
Marcele Oliveira sintetizou: “Além do racismo ambiental, além da injustiça, continuamos lutando — e precisamos dos jovens nessa luta.”
Na Maloca, espaço de diálogo dos povos tradicionais, a ministra Sonia Guajajara conduziu o ritual de abertura da COP Indígena, reforçando a centralidade dos territórios indígenas para alcançar o desmatamento zero.
Negociações: multilateralismo em clima de esperança
À medida que as discussões técnicas avançam, cresce o sentimento de cooperação. Como afirmou o embaixador André Corrêa do Lago:“Todos querem mostrar que o multilateralismo funciona — e que estamos juntos para provar isso.”
A disposição para construir consensos é um sinal promissor num cenário global tão marcado por crises e instabilidades.
Uma mensagem que ecoa em todas as áreas: preparar pessoas é preparar o futuro
O dia 12 de novembro deixou uma convicção profunda: a transição ecológica só será real quando capacitar, proteger e envolver pessoas — todas as pessoas, em sua diversidade e dignidade. A COP30, mais do que um fórum de negociações, tornou-se um espaço de reencontro da humanidade consigo mesma, com sua cultura e com sua responsabilidade moral diante da criação.
Neste itinerário, ciência, fé, cultura, política e comunidade se entrelaçam numa única missão: construir um futuro justo, sustentável e profundamente humano.
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Com informações do site da COP30.
Imagem representativa criada por IA.
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